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Irmão: figura que remete a exemplo e parceria também tem seu dia no calendário

ENSINO Data de Publicação: 05 set 2018 09:47 Data de Atualização: 05 set 2018 16:13

5 de setembro é o Dia do Irmão. -”Quem começou?”. -”Não fui eu, foi ele”. -”Mentira, foi ele”. Enfim, os autores dessas repetidas frases mereciam sim uma data só para eles. A comemoração, instituída universalmente, torna-se justa ao referenciar relações não apenas abrigadas na convenção familiar, mas principalmente no respeito, parceria, confiança, exemplo, segurança, amizade e sentimento. Não é à toa que chamamos de “brother”, mano ou “brou” quem está sempre ao lado e junto. 

E se irmão e irmã são aquelas pessoas que servem para nos aconselhar, orientar, incomodar (faz parte!), por que não seriam os irmãos a nos indicar um bom caminho?  Jhonatas Gutteres da Silva Carmo formou-se no curso técnico em Eletrônica. Durante o curso, ele participou da Orquestra Experimental do IFSC e se apaixonou pela música – o que o fez mudar totalmente de área e hoje Jhonatas faz música na Udesc, além de participar de uma orquestra em São Paulo. Mas não foi só a vida dele que mudou com o IFSC. Incentivada pelos elogios que o irmão fazia à estrutura e ao ensino do Câmpus Florianópolis, Jeniffer Gutteres da Silva foi a segunda da família a fazer um curso técnico integrado.

A escolha de Jeniffer foi incentivada pelos pais, que acreditavam no IFSC como uma ótima oportunidade profissionalizante. Segundo a família, ela poderia ter ido para Escola Militar ou para o Colégio Catarinense, mas Jennifer preferiu a companhia do irmão. Ela se formou em Edificações em 2013 e retornou ao IFSC no segundo semestre de 2014 para cursar Engenharia Civil – irá se formar no final de 2019.

Com o coro de Jeniffer e de Jhonatas, faltava a irmã Isabel Gutteres da Silva Carmo. Há dez anos sem estudar porque preferiu focar no trabalho, ela resolveu prestar vestibular para o Câmpus Florianópolis porque os irmãos diziam que o ambiente era muito bom, e os cursos tinham laboratórios novos e bem equipados. “Eu não acreditava que eu ia passar, pois estava há muito tempo sem estudar nada. Minha irmã fazia cursinho (para entrar para Engenharia Civil). Eu fiz o vestibular e fui viajar, nem me liguei de ficar esperando o resultado, pois achava que não daria em nada”, lembra. Isabel só ficou sabendo porque a irmã mandou recado no Facebook. “Inclusive ela ainda ficou 'brava' porque tirei uma nota melhor que a dela”, provoca a agora estudante de Design de Produto, como uma boa irmã.

Exemplo seguido “à risca” 

Alguns irmãos dividem memórias. Outros, o quarto. Mas também tem aqueles que compartilham algo maior: a mesma formação profissional. É o caso dos egressos do IFSC, Cláudio Vicente e Cristiano Vicente. Apesar de não atuar mais na área, foi a formação em Mecânica no Câmpus Florianópolis, em 1993, que moldou a carreira de Cláudio. Depois de se formar no IFSC, conseguiu um emprego na área, onde descobriu que gostava mesmo era de gestão. O egresso, que quase havia entrado para a graduação em Engenharia Mecânica, decidiu prestar vestibular para Administração. 

“A formação que o IFSC dá é muito forte. Quem concluía o curso no IFSC e entrava na federal tinha uma facilidade muito maior, porque as aulas de exatas do IFSC são incomparáveis. A base em mecânica, física e química, e até mesmo a de língua portuguesa, inclusive me ajudou muito a passar no vestibular”. 
Graduado em Administração, com mestrado e especializações, Cláudio é hoje professor. Vendo o sucesso profissional do irmão mais velho, Cristiano Vicente saiu da terra natal dos dois, a cidade catarinense Imbituba, para também estudar Mecânica no IFSC. Aos 14 anos, morando longe de casa com Claudio, Cristiano seguiu graduação, mestrado e doutorado ligados à Mecânica. Mas dentro das salas de aula não aprendeu apenas com o curso. 

“Éramos centenas de adolescentes vindos de uma cidade do interior, vivendo sozinhos na Capital. Isso fez com que aprendêssemos o que era companheirismo, amizade, lealdade e caráter. A formação foi fundamental para a minha carreira e me ajudou a conseguir um emprego que proporcionou meu crescimento profissional e pessoal”, destaca. 

Glauco Borges, hoje servidor do IFSC, fez Design de Produto, quando o Instituto ainda era Cefet, e também é referência e influência para Caroline Klein Borges. A irmã caçula trilhou os mesmos passos: em 2010 graduou-se no mesmo curso (Design de Produto) pelo IFSC.

Glauco acompanhou bem de perto a realização de Caroline, fazendo parte inclusive da sua banca avaliadora do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). "Fiz bastante críticas até", afirma ele quando questionado sobre a imparcialidade naquele momento. Ela diz que escolheu o irmão para ser coorientador e por consequência integrou o grupo avaliador. "O tema do meu TCC envolvia revestimentos e cerâmica, e meu irmão tinha muitas referências teóricas que iriam me ajudar. Além disso, ele sempre foi muito bom em metodologia científica, então também me apoiou nessa parte", revela orientanda de Glauco.

Da mesma forma, o companheirismo entre ambos marcou a trajetória de Caroline: "ela despertou para o curso por acompanhar meu dia-a-dia no Design, os trabalhos que eu estava fazendo.....e sempre queria saber o porquê fazia isso ou aquilo", conta Glauco, que tem relato confirmado pela irmã: "me identifiquei com o propósito da profissão. Eu não conhecia quase nada sobre Design, e ele foi a ponte de aproximação para isso". 

Encontro marcado

Gêmeos costumam andar sempre juntos? No caso dos irmãos Rafael e Gabriel Mendes, 17 anos, estudantes do Câmpus Criciúma, um foi primeiro e o outro foi depois, mas logo voltaram a compartilhar a rotina. Colegas de Ensino Fundamental na escola Dimer Pizzetti, de Içara, onde conheceram o IFSC, eles nutriram juntos o sonho de fazer o ensino médio técnico na instituição. Mas Gabriel passou primeiro no exame de classificação e Rafael foi estudar em outra escola. Mas não desistiu e foi aprovado um ano depois.

Hoje, Gabriel cursa o terceiro ano do técnico em Edificações e Rafael está no segundo ano de Mecatrônica. A dupla de gêmeos costuma se ajudar nas matérias e conversar sobre as aulas e a vida no IFSC. “Conversamos bastante sobre a escola, almoçamos juntos e quando tem algum atendimento no Câmpus a gente combina de voltar junto para casa”, conta Rafael, que diz se dar bem em Humanas, enquanto o irmão é melhor em Matemática. Outra coisa que os gêmeos compartilham é o crescimento pessoal. “Mudamos muito aqui no IFSC, na maturidade e responsabilidade”, diz.

Ajudando um ao outro, naquilo que cada um tem mais facilidade, é como os irmãos Patrick e Marine Burin Rodriguez levam a vida no Câmpus Araranguá. Ele, 18 anos, está no terceiro ano do curso técnico integrado em Eletromecânica. Ela, 17, está no segundo ano do técnico integrado em Vestuário.

“Em matérias que eu tenho mais facilidade eu ajudo ela, até porque possivelmente eu vi o conteúdo antes. A gente vai se ajudando como pode. Eu tenho um pouco de facilidade em Matemática, então sempre ajudo nessa parte. E ela me ajuda em História, porque comecei a ter História só neste ano, por conta da grade do meu curso”, diz Patrick. No Câmpus Araranguá, os cursos de ensino médio técnico têm duração de quatro anos e as grades curriculares são diferentes entre os cursos.

Marine participa de projetos de pesquisa na área de Sociologia, Patrick é do time de handebol do Câmpus. Os irmãos vão à aula juntos diariamente. E a parceria entre a dupla vem desde antes de se tornarem alunos do IFSC. “Quando estávamos no Ensino Fundamental, nossa escola nos levou para mostrar o que era o IFSC, nos levando ao Câmpus para conhecer. Então nós dois começamos a ter vontade de ir para lá, e também por conta dos nossos tios, que são professores, e falaram que o IFSC é muito bom e nos daria mais oportunidades. Eu fiz a prova e consegui entrar em 2016. E a Marine se esforçou também, todos ajudaram ela e eu também dei certa ajuda. Então conseguimos e hoje estamos aqui”, conta Patrick.

Muita sincronia e o mesmo pré-requisito

Já deu pra ver que irmão estudando no IFSC é algo comum. Agora, quatro irmãos fazendo o mesmo curso no mesmo câmpus já é um pouco mais difícil. Mas é o que acontece no Câmpus Araranguá, onde os irmãos Gabriel, Patrícia, Felipe e Samira Kroeff fazem o curso técnico em Têxtil.

A família é de Porto Alegre e já conhecia o IFSC quando veio para Araranguá. Isso porque Patrícia já havia estudado no Câmpus Araranguá por um breve período em que havia morado na região. De volta à cidade em 2015, as irmãs decidiram que fariam o técnico em Têxtil. “Conseguimos emprego na área por causa do curso”, conta a irmã Samira, que além dos irmãos, tem o filho Leandro estudando no curso técnico em Eletromecânica.

Samira, Patrícia e Felipe trabalham com inspeção de qualidade para empresas têxteis de São Paulo – e estudar no IFSC foi condição fundamental para conseguirem o trabalho. “[O IFSC ajudou] com a qualificação necessária para conseguirmos uma oportunidade melhor no mercado de trabalho. Como somos inspetores de qualidade, todas as matérias ajudam bastante, mas a de Controle de Qualidade foi a mais importante”, diz Samira, e finaliza: “gostamos muito do IFSC. A gente indica pra todo mundo.”

Inspiração e influência

Mauro Sérgio Almeida, aluno da 5ª fase do curso superior de Tecnologia em Processos Gerenciais do Câmpus Gaspar, tem uma família grande: são 16 irmãos. Desses, sete vieram com ele do Maranhão para morar em Gaspar e cinco dividem a mesma casa. A mudança para o Vale do Itajaí significou uma melhora nas condições de vida. Mauro começou a fazer o técnico em Administração e assim que terminou o curso continuou seus estudos na área. O que serviu de inspiração para uma de suas irmãs mais novas: Maria de Jesus Almeida, que é atualmente estudante do técnico em Administração. “Eu sou o irmão mais velho dos que moram na mesma casa e sempre aconselhei meus irmãos. Sempre falei das oportunidades ofertadas e do prestígio que o IFSC tem e isso foi fundamental para que ela viesse estudar aqui”, explica Mauro.

Outros irmãos bastante conhecidos no Câmpus Gaspar são Thomas e Victor Starucka, alunos dos cursos técnicos integrados. Os gêmeos começaram a estudar juntos no técnico integrado em Informática e depois Thomas pediu transferência para o técnico integrado em Química. “No começo, muitas pessoas vinham conversar comigo achando que era meu irmão ou vinham me perguntar como eu estava em dois lugares ao mesmo tempo. Uma vez um professor veio falar comigo sobre um trabalho que meu irmão estava fazendo e eu nem sabia como responder. Hoje em dia, todos já estão acostumados”, comenta Thomas.

Alexandre e Giovane Anschau, alunos do curso superior de Tecnologia em Processos Gerenciais, também são gêmeos. “Eu comecei a fazer o curso e influenciei meu irmão a vir estudar aqui. Ele começou Análise e Desenvolvimento de Sistemas e depois pediu transferência para Processos Gerenciais. Quando ele começou já pude passar uma série de informações sobre o Câmpus, como funcionava, por exemplo, a biblioteca e tenho certeza que isso deu muito mais segurança para ele. Nunca paramos para pensar, mas acho que um dia poderíamos trabalhar juntos ou quem sabe abrir o próprio negócio”, afirma Alexandre.  

Assim como Alexandre e Giovane, Ana Flávia e Lucas Fortunato têm uma vida bastante corrida, mas é no Câmpus Gaspar no período noturno, quando fazem o curso de Processos Gerenciais que, muitas vezes, eles se encontram. “É sempre bom saber que meu irmão está ali, as vezes um tem que entregar a chave de casa para o outro ou mesmo passar um recado. Somos muito próximos e hoje os amigos dele também são meus amigos”, comenta Ana Flávia.

Letícia e João Marcos Dalmolin também são muito próximos e apesar de não serem gêmeos, as vezes alguém costuma perguntar se eles não seriam. “A nossa diferença é de dois anos e somos muito parecidos. Moramos em Ilhota e meu irmão sempre procurou uma escola que fosse referência na região e encontrou o IFSC. Por influência dele, vim fazer o técnico integrado em Química. Sempre quando tenho dúvidas, ele me ajuda. Eu sou mais da área de humanas e ele das exatas.”  

Parceria segura

Eloísa e Laís Emílio já compartilharam muitas experiências juntas e agora estão passando por mais uma delas. Elas são alunas do técnico integrado em Recursos Pesqueiros do Câmpus Itajaí do terceiro módulo e são voluntárias do projeto de extensão “Aprendendo com o mar”. “Desde pequenas a gente sempre esteve muito próximas e deu muito mais segurança em mudar de escola e vir estudar no IFSC quando nós duas viemos fazer o mesmo curso. Na hora de fazer a matrícula no IFSC, nos disseram que seríamos as primeiras gêmeas a estudar aqui.”, explica Laís.

Gabriel Rogério da Silva é da turma de formandos do curso técnico integrado em Mecânica, mas ele sabe que o vínculo que terá com o câmpus será muito mais longo. Seu irmão André Rogério da Silva começou a fazer o técnico em Mecânica e está no primeiro módulo. “Quando meu pai passava pela obra do câmpus Itajaí ele sempre me dizia para eu ficar de olho quando abririam as vagas para o curso. Assim que abriram as inscrições, eu me inscrevi e sou da primeira turma do curso. Sempre falei do IFSC para o meu irmão, do fato da instituição contar com professores pós-graduados, de ser um câmpus novo e isso o motivou a vir estudar aqui. Temos uma diferença de pouco mais de dois anos e em casa o tenho ajudado, principalmente, nas atividades das aulas de desenho”, afirma Rogério.

Júlia Mariano, do técnico integrado em Mecânica, também contribuiu para a vinda da irmã Jade Mariano vir estudar no Câmpus Itajaí  e agora as duas querem que as irmãs menores também venham a ser alunas do IFSC. “Eu já havia feito o primeiro e estava no segundo ano do Ensino Médio quando vim estudar no IFSC e para mim foi importante mudar. A forma de ensino do IFSC também motivou a minha irmã e hoje ela é aluna do técnico integrado em Recursos Pesqueiros. O nosso dia a dia é bem corrido, mas a gente procura, pelo menos, almoçar juntas”, explica Júlia.

O IFSC, com sua missão de orientar, mostrar caminhos, ensinar, ofertar experiências, proporcionar vivências e doar-se, traz para si um pouquinho da corresponsabilidade de pai e mãe desses e todos “brou” que passaram ou que ainda estão por aí.

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