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Nunca é tarde para aprender

ENSINO Data de Publicação: 01 out 2018 09:33 Data de Atualização: 01 out 2018 11:32

Nesta segunda-feira (01/10) é celebrado o Dia Internacional do Idoso, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e da necessidade de se proteger e cuidar da população mais idosa. Enquanto para muitos a velhice pode parecer desanimadora, para outros continua sendo uma oportunidade de aprender. Muitas pessoas encontraram no IFSC uma chance para estudar e aproveitar esta que tem sido conhecida como “melhor idade”. Conheça algumas histórias:

Eterno investigador

“Eu devo ser o mais velho a estudar aqui”, diz João Borges da Silva. E é mesmo. Aos 70 anos, o aluno de Licenciatura em Química é o mais vivido dos estudantes do Câmpus Criciúma. Médico legista formado há 41 anos em Belém do Pará, cidade onde nasceu, seu João, como é chamado pelos colegas, se mostra um apaixonado por estudar. “Eu gosto de estudar. Um perito é um eterno investigador”, afirma seu João, que trabalha no Instituto Geral de Perícias (IGP).

E não se trata de uma frase vazia. A Licenciatura em Química no IFSC é nada mais nada menos que sua quarta graduação: além de Medicina, seu João é graduado em Direito e Filosofia. Ele conta que procurou o curso, basicamente, por gostar de estudar. “Não é uma necessidade. É apenas para ter mais aprendizagem. Muita coisa eu já vi, outras estou aprendendo e acabo usando no meu trabalho”, acrescenta.

Professora de volta à escola

“Eu não me sinto com sessenta anos. É maravilhoso estar aqui.” Com um sorriso estampado no rosto, Mercedes Zimmermann Cruz fala com orgulho da sua turma, o terceiro módulo do curso superior de tecnologia em Gestão Hospitalar, do Câmpus Joinville. “Muito bom ter voltado a estudar. Conheci gente nova, fiz muitas amizades e tenho professores maravilhosos. Tive até a oportunidade de ir nos jogos, em Criciúma”, conta Mercedes, lembrando de sua participação nos Jogos do Instituto Federal de Santa Catarina (Jifsc), no dia 4 de agosto, na modalidade canastra. “Voltar a estudar em uma área que só tinha um conhecimento superficial não é fácil. Mas todo mundo me dá muita força. E é isso que faz a gente achar que não tem 60 anos”, resume.

Professora de português e inglês na rede estadual, Mercedes conta que era um sonho antigo fazer um curso na área de administração. “Não sei se vou trabalhar na área, mas sempre quis fazer administração. Estou realizada”, comemora.

Ao justificar a escolha por Gestão Hospitalar, a estudante cita dois motivos. “Primeiro, porque eu sempre fui fã de médico particular. Fazia questão de pagar as consultas até que, quando perdi o emprego de síndica de condomínio, precisei usar o SUS, em 2016. Por conta do meu problema fui encaminhada ao mesmo especialista com quem fiz tratamento antes, pelo particular. Só que fui muito melhor atendida na rede pública do que no consultório. Conheci uma dedicação que nunca tinha visto. Isso me deu vontade de trabalhar ali também”, explica.

Esta nova visão sobre o sistema público de saúde influenciou o segundo motivo. “Completei meu tratamento no começo de 2017. Foi quando vi que meu filho, que hoje está com 34 anos, precisava de um novo rumo, voltar a estudar. Pra dar força, decidi fazer vestibular junto com ele. Claro que fui procurar um curso na área de saúde. Fizemos o vestibular pra Gestão Hospitalar juntos. Eu passei e ele não. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Mas fiz muita festa quando recebi o resultado”, lembra.

Na verdade, pelos documentos, Mercedes ainda não tem 60 anos, mesmo. Nascida em 14 de outubro de 1957, ela foi registrada somente em março de 58, mas, por causa de um equívoco do cartório, o registro saiu com a data futura de 14 de outubro de 58. “Naquela época, era comum os pais esperarem para registrar os filhos todos juntos”, conta Mercedes, que foi registrada junto com dois irmãos mais velhos e “ganhou” um ano de brinde.

Idade não é limitação

Sorriso no rosto e disposição para conversar. Foi assim que Carlos Lauriton Borba da Silva, de 66 anos, contou sua história. Natural do Rio Grande do Sul, ele veio de Porto Alegre para Lages em 2013, quando descobriu um cisto que estava afetando os rins e fígado e que, segundo os médicos, não tinha muito o que fazer, apenas aguardar um transplante. “Vendi tudo que eu tinha lá, e disse para minha esposa que iria morrer aqui na terra dela”, brinca. Após a mudança, Carlos passou por um acompanhamento de 15 dias em uma clínica com alimentação natural. “‘Que seu remédio seja seu alimento e que seu alimento seja seu remédio’, eu concordo muito com o que o pai da medicina disse”, explica.

Buscando a alimentação saudável e contato com produtos orgânicos, ele descobriu o curso técnico em Agroecologia no Câmpus Lages e, no início de 2014, voltou aos estudos, após alguns anos fora da vida acadêmica. Concluiu o curso no final de 2015 e em 2016 continuou estudando no curso de Agricultura Familiar. Já em 2017 ele começou o curso técnico em Biotecnologia, no qual se forma no final deste ano, junto com sua esposa, Maria Angela de Mattia. Ambos também fazem parte do projeto de inclusão digital na terceira idade e irão iniciar o curso de qualificação em Produção da Uva e do Vinho.

Carlos pretende usar o conhecimento adquirido para trabalhar no seu sítio com agricultura orgânica e biotecnologia. “Estou fazendo o que sempre quis fazer, com ensino gratuito e de qualidade. Na época em que era adolescente não tinha grandes oportunidades como as que o IFSC oferece, mas a minha atual idade não me limita a nada, porque eu começo e não desisto”, finaliza.

Saúde do Idoso

Além de contar com alunos idosos, o IFSC também forma profissionais para cuidarem da saúde de quem é mais velho. A população brasileira envelheceu rapidamente nos últimos anos. Entre 2005 e 2015, a proporção de pessoas com mais de 60 anos passou de 9,8% para 14,3% da população total. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos chegou a 24,9 milhões e a esperança de vida média ao nascer atingiu os 75,5 anos. Foi com base nesta realidade que o Câmpus Joinville decidiu pela oferta do curso de especialização técnica em Saúde do Idoso. O objetivo é capacitar os técnicos em Enfermagem para trabalharem com idosos, melhorando suas condições de saúde, autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.

O curso está com a terceira turma em andamento. São dois semestres de duração, com aulas presenciais uma vez por semana, de manhã e à tarde, e a distância (EaD), via plataforma digital, totalizando 360 horas. O especialista em saúde do idoso pós-técnico é o profissional integrante da equipe multidisciplinar que desenvolve ações com pessoas da terceira idade, como ações de promoção da saúde, inclusão, prevenção de incapacidades, manutenção da capacidade funcional da pessoa idosa e reabilitação referenciada nas necessidades de saúde, individual e coletiva. O profissional formado nesta área pode atender o idoso na comunidade, em instituições de longa permanência, hospitais, serviços de urgência e emergência, empresas de assistência domiciliar e outras instituições de saúde.

Câmpus Florianópolis também oferece um curso de qualificação de Cuidador de Idosos. O objetivo do curso é formar profissionais que cuidem da higiene, do conforto e da alimentação do idoso, observando possíveis alterações no estado geral. Durante as aulas, o aluno aprende a zelar pela integridade física do idoso, prestar primeiros socorros e promover atividades de entretenimento.

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