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Projeto do IFSC ensina língua portuguesa a surdos na Grande Florianópolis

EXTENSÃO Data de Publicação: 11 out 2018 18:02 Data de Atualização: 11 out 2018 18:31

Um projeto de extensão realizado pelo Câmpus Palhoça Bilíngue está levando a 40 surdos da Grande Florianópolis, por meio de conhecimentos sobre língua portuguesa, uma possibilidade de ampliar os conhecimentos sobre o mundo. Iniciado em abril, o projeto “Língua portuguesa como segunda língua para surdos: práticas de leitura e escrita” vai até o fim deste ano.

 

Uma das turmas teve aulas no Câmpus Palhoça Bilíngue do IFSC e foi formada por 20 estudantes do câmpus e da Associação de Surdos de Palhoça. As oficinas da outra turma, também com 20 alunos, foram realizadas na Associação de Surdos da Grande Florianópolis, que fica no centro da Capital, com pessoas selecionadas pela associação.

 

A cada oficina, era trabalhado um tema - meio ambiente, corpo humano etc. - por meio de textos, para que os estudantes pudessem exercitar a leitura e a escrita e, além disso, ampliar seus conhecimentos sobre o mundo. Os perfis das duas turmas foram diferentes. Enquanto em Palhoça predominaram estudantes jovens e com conhecimento mais avançado na língua brasileira de sinais (Libras), em Florianópolis os alunos estavam em faixas etárias mais velhas, como os 50 e 60 anos, e tinham menos domínio de Libras.

 

Sem acesso à língua, alguns desconheciam coisas básicas para os ouvintes. Numa das oficinas, da qual participou um policial militar ambiental, vários estudantes mostraram surpresa ao descobrir que é crime manter animais silvestres em casa.

 

“Nas aulas de português aqui no câmpus, sempre surgem perguntas sobre coisas do dia a dia, que nós, ouvintes, conhecemos, como o que é um ataque cardíaco, por exemplo. Daí surgiu a ideia de usar a língua portuguesa para ampliar o repertório deles de conhecimento sobre o mundo”, comenta a coordenadora do projeto de extensão, Bruna Crescêncio Neves, que é professora de língua portuguesa no Câmpus Palhoça Bilíngue.

 

Ela destaca que, no Brasil, cerca de 90% dos surdos nascem em famílias de ouvintes, mas, em muitos casos, não aprendem a língua portuguesa escrita em casa e têm dificuldade em aprendê-la quando estão em turmas de ouvintes na escola. “Como eles não têm uma língua compartilhada em casa, o conhetimento de mundo também não é compartilhado. É uma grande lacuna”, diz. Por isso, é importante o uso da Libras desde cedo.

 

Um dos participantes da oficina em Palhoça, Rafael Guilherme Gonçalves destaca que os alunos aprenderam sobre temas como sustentabilidade e gênero e que o desafio para ele foi descobrir o significado de palavras e conceitos que não conhecia. Ele dá como exemplo a palestra sobre sustentabilidade, por meio da qual ficou sabendo sobre o desmatamento e sobre multas por crimes ambientais. “As informações me ajudaram a aumentar esse conhecimento”, relata.  

 

A única interação entre as duas turmas, até o momento, foi uma troca de cartas. Um evento de confraternização deve ocorrer no fim do ano, no qual será lançado um documentário com imagens das oficinas e depoimentos dos alunos participantes.

Premiação

O projeto “Língua portuguesa como segunda língua para surdos: práticas de leitura e escrita” foi apresentado como pôster no Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação do IFSC (Sepei) e premiado em segundo lugar na divisão temática “Formas de comunicar, discursos, movimentos culturais e mediação educacional”.

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