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Estudantes trocam as férias por projetos acadêmicos nos câmpus

CÂMPUS FLORIANÓPOLIS Data de Publicação: 08 fev 2019 11:03 Data de Atualização: 11 fev 2019 12:26

Férias de verão é momento de praia, piscina, de viajar com a família ou de simplesmente não fazer nada. Mas alguns estudantes do IFSC optaram por uma rotina bem diferente. No Câmpus Florianópolis, o maior do estado, o silêncio do pátio nesses meses de janeiro e fevereiro era quebrado por um murmurinho que vinha de uma sala. Lá dentro, adolescentes concentrados em computadores e em peças de eletrônica e mecânica.

Eles se dedicam a fazer história, não só no IFSC, mas no mundo da robótica. Cerca de 30 alunos da instituição fazem parte da equipe FRC 5800 Magic Island, a primeira de Santa Catarina a participar da FIRST Robotics Competition - uma competição internacional em que estudantes precisam construir um robô e colocá-lo para enfrentar um desafio, que a cada edição é diferente.

O desafio deste ano foi divulgado no dia 5 de janeiro, um sábado. E adivinha onde estavam os integrantes da equipe do IFSC? Reunidos no câmpus, ansiosos pela divulgação. E a partir desse dia, começaram uma corrida contra o tempo: eles tinham apenas seis semanas para construir o robô do zero - desde o chassi até a programação.

Rotina de férias que já faz parte da vida de Bruno Cipriano, aluno do Técnico Subsequente em Mecânica. Há quatro anos ele participa da equipe e diz não se arrepender nem um pouco: “Eu escolhi isso aqui como meu hobby, acabou virando  minha paixão. É o que também quero levar como minha profissão daqui pra frente. Vale muito a pena, eu nunca tinha sentido isso aqui em lugar nenhum pra falar a verdade.”

A sensação é compartilhada pelos colegas. Carolina Martins Pedro, aluno do Técnico Subsequente em Saneamento, entrou na equipe no semestre passado. Com apenas 15 anos, ela passou todos os dias das férias no câmpus e garante que foi uma experiência única: “Os colegas se tornaram meus grandes amigos. Além dessa relação que construímos aqui, é muito bom aprender algo novo, ter um desafio pela frente.”

E que desafio! Até abril, eles terão muito trabalho para deixar o robô pronto para a edição deste ano do campeonato que acontece no Canadá.

Sem estar sozinho

Planejamento, reuniões e “mãos à obra”, são as atividades realizadas durante as férias dos alunos de Engenharia Mecânica que fazem parte da equipe Leão Baja, do Câmpus Lages. Eles estão desenvolvendo um carro baja para competir no programa SAE Brasil, que oferece aos alunos de engenharia a oportunidade de colocar em prática seus conhecimentos.Harry Weiss que cursa a quinta fase destaca que a paixão pelo projeto “fala mais alto”. “É bom estar aqui, não é nenhum sacrifício. Assim conseguimos adiantar os trabalhos a tempo da competição”, diz. 

A ideia de participar surgiu em uma roda de conversa em setembro de 2017 e o projeto do veículo, finalizado em 2018. Segundo os estudantes, o começo foi difícil, pois o projeto é grande, e os professores sabem das dificuldades. O capitão Matheus Goedert explica que os imprevistos foram essenciais para adquisição de experiência. “Conciliar o mundo real com o das teorias é um desafio. Tinham muitas etapas que achávamos que seriam mais rápidas e não foram, por falta de experiência”, explica. 

Atualmente os alunos trabalham na construção da gaiola e têmpera das engrenagens. Até abril o objetivo é ter concluído a construção dos braços de suspensão, fabricação da manga de eixo e cubo de roda, fundição da caixa de redução, montagem do sistema de transmissão de força e montagem da direção. “Se conseguirmos tudo isso que está no cronograma o carro já vai estar andando no final de abril”, afirma Matheus. 

O professor e coordenador do curso de Engenharia Mecânica, Matheus Fontanelle Pereira, comenta o comprometimento e determinação dos alunos. “Agora,  de fato, entramos na fase de execução do projeto. Está andando bem, temos que tentar manter o ritmo, problemas podem aparecer nesta etapa, mas faz parte”.

Projeto e competição

O projeto consiste em desenvolver um carro baja para competir no programa SAE Brasil, que oferece aos alunos de engenharia a oportunidade de colocar em prática seus conhecimentos. A proposta é desenvolver um veículo off road, usado em atividades esportivas onde o local não oferece estradas pavimentadas ou de fácil acesso. Os alunos interessados formam equipes e representam a instituição de ensino superior que estudam. As equipes vencedoras da etapa nacional participam da competição internacional nos Estados Unidos. É a primeira vez que o câmpus desenvolve este projeto - ao todo são 26 acadêmicos e 11 professores envolvidos.

A empresa Leão Baja, do Câmpus Lages, está dividida em seis setores: transmissão, suspensão, freios, telemetria, gaiola e marketing. Cada setor tem seu gerente. “A ideia do projeto é que ele não funcione um ano só, que permaneça no IFSC. É importante desenvolver projetos que a gente consiga se integrar com as empresas, que tenhamos uma autonomia maior e possamos vivenciar a engenharia na prática. É crescimento individual e crescimento  para o curso”, ressalta Matheus. O nome Leão Baja é referência ao leão-baio, símbolo da região serrana.

Para conhecer mais sobre o projeto acesse o siteInstagramFacebook, ou ainda mande um e-mail para baja.ifsc@gmail.com.

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