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Laboratório remoto Visir, obtido em parceria com a União Europeia, começa a funcionar no IFSC

CÂMPUS FLORIANÓPOLIS Data de Publicação: 28 mai 2017 21:00 Data de Atualização: 06 fev 2018 15:29


Na semana passada, dois professores da Suécia, Kristian Nilsson e Johan Zackrisson, estiveram no Câmpus Florianópolis para a implantação e mais uma capacitação sobre o projeto  Virtual Instruments Systems in Reality (Visir+). O Visir é um laboratório remoto, que permite elaborar experiências reais para alunos de qualquer parte do mundo.

O projeto vem de uma parceria com a União Europeia, construída a partir do convite do Instituto Politécnico do Porto (IPP), parceiro do IFSC no Propicie e no Projeto Elecon. O Projeto Visir+ está inserido na temática KA2 (Cooperação para inovação e intercâmbio de boas práticas – Capacidade no Domínio da Educação Superior) do programa Erasmus+, da União Europeia para a Educação, a Formação, a Juventude e o Desporto. Participam do projeto 12 instituições de ensino superior de seis países: Argentina, Áustria, Brasil, Espanha, Portugal e Suécia. No Brasil, além do IFSC, estão a UFSC e a Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio).

Com a vinda da comitiva sueca, o equipamento foi instalado e configurado para iniciar as suas operações. Dentro da parceria, professores do IFSC já vinham utilizando os laboratórios remotos do IPP, mas como cada universidade tem autonomia para definir seus experimentos, nem sempre era possível fazer as alterações necessárias de acordo com a proposta do câmpus. “Com a instalação e o treinamento recebidos, poderemos configurar nossos próprios experimentos”, explica Daniel Dezan, técnico de Laboratório em Eletrônica que faz parte da coordenação do projeto em Florianópolis.

Segundo ele, o grande benefício é que os efeitos obtidos nas experiências são reais, não apenas uma simulação. Para o professor Luis Martinhago Schlichting, que está à frente do Visir no câmpus, esse é o principal benefício, mas também uma das maiores dificuldades. “Tanto para o aluno quanto para o professor, acostumados com trabalhos de simulação ou realidade virtual, às vezes é complicado entender que trata-se de uma experiência real, de que os 'botões' apertados na tela do computador terão um reflexo em um equipamento real”. Por isso, a capacitação dos professores é fundamental. “Precisamos que todos consigam enxergar os benefícios pedagógicos e que consigam promover as mudanças necessárias no modo de ensinar”, explica o docente. Nilsson concorda: “Temos que ensinar os professores a ensinar com essas ferramentas. Mas agora, com o equipamento aqui e com a liberdade de escolher os experimentos, as coisas irão se adaptando”. Nesta fase, para ele, a maior dificuldade foi o tempo disponível para instalar e configurar os componentes.

O laboratório servirá para experimentos na área de Eletrônica, dando acesso ao trabalho com equipamentos de bancada. “A ideia não é eliminar a prática de bancada, e sim dar mais uma ferramenta de ensino e ampliar as opções”, explica Schlichting. “Com o Visir, em vez de três ou quatro experimentos, o aluno poderá acompanhar e realizar, até mesmo de casa, mais de uma dezena, considerando também que terá acesso a outros laboratórios espalhados pelo mundo”, completa. A prática de bancada, aliás, foi elogiada pelos visitantes suecos. “Ficamos impressionados com a qualidade e a quantidade de equipamentos e em como as aulas têm muita prática nos equipamentos. É algo que não temos na Suécia e algo que acho que deveríamos voltar a ter”, afirmou Zackrisson.

O Visir do Câmpus Florianópolis já pode ser usado, e deve ser incluído em pelo menos três disciplinas no semestre que vem. Os experimentos, nesse período, devem abranger as áreas de análise de circuito, associação de resistores, leis das malhas, leis dos nós, resistências, amplificadores operacionais, transistores e osciladores, entre outros. Também será objeto de trabalho de conclusão de curso de um aluno do curso de Eletrônica Industrial. A equipe envolvida com o projeto também está customizando o equipamento para que mostre os mesmos dispositivos usados no Câmpus em seu layout (do jeito que está hoje, os equipamentos mostrados têm o layout dos equipamentos suecos). “Tudo será planejado para que o aluno tenha a sensação de estar trabalhando na bancada”, conta Schlichting. “E queremos estender o uso do laboratório remoto para todos os níveis de ensino, e os experimentos podem ser feitos também em parcerias com outros câmpus da instituição. Um professor de Engenharia Elétrica de Itajaí, por exemplo, pode combinar conosco algo que seja útil a estudantes de ambos os câmpus. É tudo uma questão de conversar”.

Segundo Schlichting, o projeto Visir permitirá ainda muitas possibilidades. “Por enquanto, estamos restritos ao mundo da eletrônica. Mas sabemos de experiências com ele que abrangem a Química, a Biologia, entre outras áreas, e queremos que, um dia, possamos chegar nisso também, beneficiando todos os cursos oferecidos aqui. Além disso, o Visir se encaixa no tripé do ensino: é ensino, pois é uma ferramenta pedagógica para ensino presencial e a distância; é pesquisa, pois permite a pesquisa na área de Eletrônica em si e também como ferramenta de ensino, em métodos de aprendizagem; e é extensão porque poderemos ofertar cursos para toda a comunidade”, finaliza.

Sabrina Brognoli D’Aquino | Jornalista IFSC


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