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Amizade, respeito, novas perspectivas: o relato das Mulheres Sim

CÂMPUS TUBARÃO Data de Publicação: 06 nov 2017 22:00 Data de Atualização: 06 fev 2018 15:37


O mês de novembro marca o encerramento do projeto “TRANSformando vidas de sujeitos do gênero feminino em situação de vulnerabilidade social: somos todas Mulheres Sim”. A ação de extensão do Câmpus Tubarão faz parte do programa Mulheres Sim do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), e abriu as portas da instituição a todas aquelas que se definem como mulheres.

O projeto é de responsabilidade assistente social Rosiana Tais Andreolla, coordenadora do programa no Câmpus Tubarão, e da coordenadora de Extensão, Gabriele Mendes da Silva. Desde agosto, cerca de 40 mulheres assistiram palestras sobre educação, gênero e desenvolvimento pessoal, além de participarem de oficinas de artesanato, maquiagem, produção de bijuterias e outros temas. O projeto foi selecionado para a Mostra de Experiências Exitosas da 41ª Reunião dos Dirigentes das Instituições Federais de Educação Profissional e Tecnológica (Reditec), que acontece de 21 a 22 de novembro, em João Pessoa (PB).

Para as mulheres participantes do projeto, o curso foi uma oportunidade não só para novas amizades, mas para novos caminhos em suas vidas pessoais. Respeito, autoconfiança e novas perspectivas aparecem nos relatos das participantes do Mulheres Sim do Câmpus Tubarão.

Confira o depoimento das Mulheres Sim:

Valdete Garcia, 25
"O curso começou com preconceito e terminou com grandes amizades. No início, muitas não aceitavam, mas hoje está tudo bem. Porque vivemos em grupo, tudo que a gente faz é em grupo, e isso foi muito bom. No tempo que passei aqui, fiz grandes amigas. No início, escrevemos uma carta sobre o que queríamos para nós um mês depois. Pensamos que a carta seria mandada para alguém, mas ela foi enviada para a nossa casa”.

Maria Isabel Correa da Silva, 60
“Sou artesã e dona de casa. Este é o segundo ano que faço. Fiz o Mulheres Mil e estou fazendo agora novamente. Pra mim é fundamental porque existe essa possibilidade de colhermos muitas coisas. Não é só artesanato. Tivemos aula sobre beleza, autoconfiança, vários profissionais que vieram e valeu muito. Principalmente na moda, maquiagem, estilos de roupa, coisas importantes para pessoas de mais idade. É uma realização."

Maria Conceição Barbosa Oliveira, 69
"O curso foi muito bom. Eu pensei que sabia tudo, mas não sabia nada. Aprendi muita coisa boa: artesanato, bijuteria e as palestras foram muito boas. Fiz muitas amizades. Uma ajuda a outra. Muita gente já me perguntou sobre o curso, e digo que estou amando. Terminando o curso, tenho quase certeza que vou começar a fazer bijuteria, para o dinheiro render mais um pouquinho"

Juliana Vieira, 28
“Quando me ofereceram o curso, me perguntei por que não aceitar: mulheres, amizades e boas companhias, então decidi vir. Além das amizades, a gente sempre aprende alguma coisa. Depois que acaba, a gente sai da sala com outro pensamento, a gente vê o mundo de outra forma. Lá fora é uma coisa, aqui dentro é outra, e a gente tenta levar para fora o que aprende aqui dentro. Amizade e respeito, principalmente. Me receberam muito bem aqui. Palestrantes vieram falar sobre as trans e a gente sempre aprende."

Maria Nair Santos, 63 anos
"Sou costureira e trabalho com outras empresas. Eu frequento o CRAS do bairro Oficinas e foi lá que recebemos a visita das pessoas do IFSC para pegar nosso nome. Fui sorteada. Um dia estava em casa costurando e o telefone tocou. Acho que fui a primeira a ser sorteada. Como sou sozinha, eu faço vários cursos. Aqui os professores te tratam com muita atenção. Fiz novas amizades e aprendi coisas novas. Embora eu também dê aula de artesanato, o fato de vir aqui, fazer um curso no IFSC, ajudou no meu trabalho. Recebi encomendas de roupas, que elas pegaram meu número. Fizemos um currículo visual, com cartolina e revistas, com aquilo que gostaríamos de realizar. O curso amplia nosso conhecimento. Apesar de tudo que já passei, é muito bom, é uma porta que abre neste momento. A cada livro que tu lê, é uma nova leitura, e assim é um curso que tu faz."

Maria Irene de Souza Martins, 72
“Eu vim porque sempre gostei de fazer coisas novas. É um crescimento para a gente. É uma coisa muito gostosa fazer essas coisas, trabalhos manuais, se arrumar para vir para a aula, é maravilhoso para uma pessoa da minha idade. Estou com pena que vai terminar. Venho muito feliz para cá.”

Pethyne Lystennrockbacks, 22
“Foi uma experiência bem diferente pra mim. Por estar com outras mulheres cis, achei que haveria preconceito, mas não. Tivemos várias professoras e vamos levar um bom crescimento daqui, como ser uma boa cidadã, como ter crescimento profissional e coisas que me ajudaram na carreira, como desenvolvimento pessoal, estética e desenvoltura para me expressar melhor. Sempre fui comunicativa, mas no meu ambiente. Costumo trabalhar com jovens. Estar ali na frente falando minha história é totalmente diferente. Eu me senti totalmente amada por estar aqui com elas. Fiz grandes amizades aqui. Às vezes elas têm suas religiões, e tu acha que vão te tratar mal. Mas como o curso é para todas as mulheres, cis ou trans, e a gente aprende como se expressar umas com as outras. Para tu ter respeito, tem que respeitar. Aí as pessoas vão querendo conhecer tua história, uma vai se emocionando com a história da outra e vendo que todas somos iguais, cada uma busca seu caminho, mas todas somos mulheres”.


Por Jornalismo IFSC | Câmpus Tubarão

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