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Projeto debate gênero a partir de contos de Conceição Evaristo

EXTENSÃO Data de Publicação: 27 fev 2018 15:09 Data de Atualização: 27 fev 2018 16:26

A obra da escritora Conceição Evaristo coloca a mulher negra e pobre como protagonista de suas histórias. Em “Olhos d'Água”, ela fala de Maria, Natalina e Zaíta e outras tantas mulheres que têm seus dias permeados por uma série de violências físicas e psicológicas. Personagens que se aproximam do dia a dia de muitas mulheres, como as mais de 800 moradoras de Itajaí que procuraram o serviço da Polícia Militar para fazer denúncias de violência contra a mulher em 2017. O que fez com a cidade registrasse o maior número de casos em Santa Catarina. A necessidade de debater o tema fez com que servidores do Câmpus Itajaí e da secretaria de educação do município, por meio do Programa de Diversidade Étnico-racial de Gênero e Combate ao Bullying, pensassem em ações em conjunto como a que foi desenvolvida através do projeto de extensão “Olhos D'Água: promovendo o estímulo à leitura e à igualdade de gênero em escolas de rede pública de Itajaí", aprovado com recursos do Aproex nº 12/2017. O projeto foi realizado com professores e alunos da Educação de Jovens e Adultos do centro educacional Pedro Rizzi e o de Cordeiros, e das escolas básicas Judith Duarte de Oliveira, Aníbal César, João Duarte e Tereza Bezerra de Athayde de outubro a dezembro de 2017.

O projeto promoveu quatro encontros com os professores da EJA em que foram trabalhadas questões referentes ao uso da literatura como recurso didático quanto temas referentes à igualdade de gênero e à Lei Maria da Penha. Para ministrar parte das oficinas, foi convidado o professor de Português do Câmpus Joinville do IFSC Samuel Kuhn que desenvolveu uma série de atividades teóricas e práticas com os professores da EJA sobre leitura dramática. Ele falou também sobre a experiência do projeto de extensão do câmpus Joinville “Folhetim – leituras dramáticas” que promove leituras públicas de textos como os da Conceição Evaristo. “Eu vejo que essa interação entre os câmpus Joinville e Itajaí foi fundamental. Foi um projeto curto, mas que trouxe muitos resultados para diversos atores. Conseguimos articular ensino, pesquisa e extensão e colocar em pauta a questão de gênero porque é preciso falar de gênero na escola. O projeto representou também um movimento de diálogo com os professores da rede pública de ensino no sentido de pensarmos juntos. Para nós foi importante ter ido às escolas e escutar os alunos, perceber como eles se identificavam com as histórias, com os personagens e com a escrita”, afirma a professora do Câmpus Itajaí Melina Chiba Galvão.

Após os encontros, os professores tinham o desafio de levar para sala de aula parte das discussões que haviam sido feitas no projeto. O resultado foram leituras dramáticas dos contos, cartas para a autora, propostas de novos finais e um intenso debate. “Os alunos da EJA ficaram muito sensibilizados, trouxeram reflexões e se viram na história da Conceição Evaristo. Eu acho que nós precisamos pensar em mais ações voltadas para formação dos professores da educação básica, cursos de maior duração. Vale a pena tentar replicar o projeto porque ele mostra a importância de se discutir questões de gênero na escola”, avalia o professor  do Câmpus Itajaí Leonardo da Silva.

O projeto marcou também a primeira parceria entre o câmpus e o Programa de Diversidade Étnico-racial de Gênero e Combate ao Bullying da Secretaria de Educação de Itajaí. “Para nós foi um ganho muito grande, porque temos dificuldade em viabilizar palestrantes para a formação dos professores e há uma demanda deles por cursos nesta área. Vejo que a forma como foi organizado o projeto tornou o trabalho mais prazeroso e ampliou o contato dos professores com a literatura”, avalia a supervisora do Programa de Diversidade da secretaria, Juliana Wilhelm.

Todas as escolas participantes do projeto receberam exemplares do livro “Olhos d'água” e foram feitas também doações para a biblioteca do município. “Eu vejo que um dos pontos altos do projeto foi ter trabalhado tanto para incentivar a leitura quanto para promover a discussão sobre as questões de gênero e violência. O que eu observo é que o hábito da leitura, muitas vezes adquirido na infância, acaba se perdendo quando a pessoa vai para o mundo do trabalho e isso acontece com muitos professores. Com relação aos alunos, eles se identificaram muito com a escritora por ela ser negra, pobre e ter uma história de superação. Ela terminou seus estudos já adulta assim como eles”, explica a bibliotecária do Câmpus Itajaí Eliane Pellegrini, que é a coordenadora do projeto.

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