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Projeto de pesquisa analisa distinções de gênero no mercado de trabalho

CÂMPUS ITAJAÍ Data de Publicação: 20 abr 2018 08:18 Data de Atualização: 24 abr 2018 13:08

Quando Beatriz de Oliveira, Deusiany Cadoni, Helena Ferreira e Júlia Mariano resolveram se inscrever no curso técnico integrado em Mecânica do Câmpus Itajaí elas começaram a perceber que uma pergunta passava a ser recorrente: “mas este curso é para mulheres?” A pergunta sutil marca uma série de distinções entre homens e mulheres, como se existissem cursos ou profissões específicas para cada um deles. No projeto de pesquisa “Gênero na escola e no mundo do trabalho: a pesquisa-ação como investimento educacional emancipador” do Câmpus Itajaí (aprovado com recursos pelo edital n° 20/2017/Proppi/Dae), as alunas trouxeram este e outros temas para debate. Elas participaram como bolsistas do projeto e, de agosto a dezembro do ano passado, ajudaram a pautar uma série de discussões no Câmpus. Elas auxiliaram na organização de uma pesquisa sobre o tema junto aos alunos do curso e aos servidores, apresentaram parte da pesquisa no “Seminário Internacional Fazendo Gênero” (realizado na UFSC em agosto de 2017), promoveram discussões e palestras. Mas mais do que tudo isso, ganharam ainda mais força para responder ao questionamento se o curso de Mecânica também é para mulheres.  

O projeto foi coordenado pelo professor de Inglês Leonardo Silva e tinha como propósito investigar representações de gênero em textos midiáticos relacionados ao mundo do trabalho. O grupo fazia reuniões semanais para leitura de textos sobre o tema e parte das discussões eram levadas para sala de aula para a disciplina de Inglês. Nas aulas, eram analisadas imagens de capas de revistas e músicas. “Essa foi a primeira experiência de pesquisa das bolsistas, elas tiveram que aplicar questionários, coletar os dados e reportá-los e no caso dos alunos da disciplina a partir da análise de imagens da mídia sobre as profissões, o que foi interessante é que a turma não viu o debate como algo ruim, eles se posicionavam, mas também ouviam opiniões diferentes das deles”, avalia o professor. 

Durante a pesquisa, chamaram a atenção das alunas a pouca referência de mulheres na área da mecânica e a certa invisibilidade ao tema. “O número de alunas no curso técnico em Mecânica é menor do que o de homens e temos poucas professoras, da área técnica não temos nenhuma e da propedêutica são seis, mas eu só tive aula com três delas ao longo do curso”, explica Júlia Mariano.

No dia a dia de trabalho enquanto técnicas em Mecânica, elas também observam distinções. Ao usar o torno mecânico, é comum ouvir uma recomendação para que as mulheres tenham uma atenção especial para não se machucarem, que façam dupla com homens para utilizar o equipamento, ou que evitem roupas decotadas no ambiente de trabalho. “Em uma empresa que visitamos, observamos que as mulheres costumavam trabalhar mais na limpeza das peças porque era, segundo eles, um serviço mais delicado. Aqui na região, vimos também uma empresa que especificou no anúncio que a vaga de emprego que eles ofertavam era para homens. Foi enviado um e-mail para empresa questionando isso e não recebemos resposta”, comenta Beatriz de Oliveira.  

Beatriz conta que, após participar da pesquisa, sua forma de lidar com essas situações têm mudado. “Eu tenho me posicionado mais, a questão de gênero está fazendo parte da minha vida. Eu vejo que a forma como o tema foi abordado tanto nas discussões do grupo quanto nas aulas de Inglês fez com que os alunos pensassem mais sobre isso.”

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