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Sala de aula inclusiva: projeto do Câmpus Araranguá traduz livro técnico para linguagem de sinais

ENSINO Data de Publicação: 23 abr 2018 09:19 Data de Atualização: 25 abr 2018 14:17

O número de estudantes com algum tipo de deficiência matriculados na Educação Básica vem aumentando ano a ano no Brasil. O Censo Escolar de 2017, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontou 827 mil alunos de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades em escolas públicas e particulares. A maioria – 90,9% - estudando em classes comuns.

São números que se apresentam como desafios concretos no dia a dia das escolas e motivam a busca de soluções criativas para incluir estudantes com deficiência em sala de aula. Caminho que está sendo trilhado pelo Fábio Evangelista Santana, do curso técnico em Eletromecânica do Câmpus Araranguá, responsável por um projeto de pesquisa que pretende contribuir com a inclusão de alunos surdos em cursos técnicos.

A motivação veio da sala de aula, quando um estudante surdo ingressou no curso técnico em Eletromecânica. Pensando em como incluir este aluno – e os que futuramente ingressem no câmpus – o professor decidiu traduzir o primeiro capítulo de um livro sobre SolidWorks, software utilizado em desenho técnico, para Linguagem Brasileira de Sinais (Libras).

“Além de preparar este material para o aluno, estamos nos preparando para o futuro, para os próximos alunos que entrarem no curso”, afirma Fábio. “Hoje, o intérprete de Libras fica ao lado do aluno e vai traduzindo. Em uma situação com mais alunos para um intérprete, um material desses facilitaria bastante. O aluno pode estudar em casa, fazer atividades, com este material”, explica.

Sala de aula inclusiva

O projeto “Em busca de uma sala de aula inclusiva: introdução ao desenho técnico em Língua Brasileira de Sinais” tem a participação da bolsista Laís Duarte, estudante do curso técnico em Eletromecânica, e do intérprete de Libras do Câmpus Araranguá, Anderson Nunes. Eles estudaram e debateram como traduzir expressões técnicas do primeiro capítulo do livro “Meu primeiro livro de SolidWorks”, de autoria do professor Fábio com Jonatan Maceda Silveira, publicado pelo IFSC em 2012. Em seguida, iniciaram as gravações das videoaulas em Libras, processo que vai resultar na confecção de um DVD a ser distribuído em instituições que oferecem cursos técnicos na área.

O projeto também prevê a oferta de um curso de SolidWorks para a comunidade surda, com apoio do Instituto Federal Catarinense (IFC), que mantêm o projeto Libras Online, permitindo que o discente surdo tenha o apoio online de um intérprete de Libras para tirar dúvidas durante e após o curso.

“Esse material vai servir para todos. Nossa intenção não é fazer um material apenas para os alunos surdos, mas para todos, inclusive para os alunos surdos. A ideia é promover uma sala de aula inclusiva, pensando em como atender a todos no futuro”, afirma Fábio.

Desafio

Um desafio enfrentado pelo projeto é auxiliar o trabalho dos intérpretes de Libras e reduzir a lacuna que existe entre a linguagem técnica do curso de Eletromecânica e a linguagem de sinais. “Como o intérprete na maioria dos casos não é obrigatoriamente um profissional da área de atuação do conteúdo que está sendo ensinado pelo professor, existe a dificuldade de compreensão do assunto por parte do intérprete, para que ele possa traduzi-lo corretamente ao aluno”, explica o professor. Dessa forma, o projeto pretende, além de traduzir o capítulo do livro, estimular a produção de novos livros técnicos em Libras.

Intérprete de Libras do Câmpus Araranguá desde junho de 2017, Anderson Nunes atua na tradução do capítulo para linguagem de sinais. Ele atesta a dificuldade – e por isso a necessidade – de traduzir livros técnicos para livros. “Um livro sobre SolidWorks tem muitas palavras que não possuem um equivalente em Libras. Esse é o principal desafio, entender o que o livro está explicando e passar isso para Libras”, diz Anderson.

O servidor acredita que o material vai ser útil para o uso nos cursos técnicos, embora não substitua o trabalho dos intérpretes de Libras. “Atende a uma demanda cada vez maior de alunos surdos, como já temos no Câmpus Araranguá. Será tão importante quanto a presença do intérprete em sala de aula. Porque temos a possibilidade de traduzir o material em outro ambiente, pesquisando os termos, o que auxilia para um trabalho mais eficiente. Muitas vezes não é possível fazer isso na sala de aula”, explica.

O projeto foi aprovado no edital da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi), pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (Pibic-EM). A conclusão do projeto está prevista para julho deste ano.

 

ENSINO CÂMPUS ARARANGUÁ