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Palestra sobre Identidades Sociais marca início das atividades do Comitê Local de Educação em Direitos Humanos

CÂMPUS JOINVILLE Data de Publicação: 14 mai 2018 15:12 Data de Atualização: 14 mai 2018 15:23

Quem é você? Se tivesse apenas 10 segundos para pensar, qual seria a sua resposta? Foi assim que o professor Thiago de Oliveira Simões iniciou a palestra sobre Identidades Sociais, na tarde de quinta-feira (10), no Câmpus Joinville, na primeira atividade de formação organizada pelo Comitê Local de Educação em Direitos Humanos. A provocação teve como objetivo levar os participantes a refletirem sobre a própria identidade e os papéis que representam na sociedade. Saber que é difícil definir "quem sou eu" ajuda a entender o quanto pode ser complicado conceituar "quem é o outro".

"As formas de ser e agir no mundo são múltiplas, fluídas, fragmentadas, complexas e, até mesmo, contraditórias", afirma Thiago, explicando que as identidades são construções sócio-históricas e que dependem do grupo em que estão inseridas. "É um conceito que atravessa diferentes áreas, tais como antropologia, linguística e psicologia", explica. Raça, etnia, gênero e sexualidade são exemplos de grupos, assim como religião, família, profissão e nacionalidade, entre outros.

Professor de inglês no Câmpus Joinville, Thiago trabalha com o tema desde a faculdade. Fez pesquisa de iniciação científica e mestrado sobre discurso e relações raciais no Brasil e iniciou doutorado sobre discurso e gênero. "É um conceito que está em movimento no mundo e na escola e precisa ser entendido pela comunidade escolar", destaca.

Para Thiago, o contexto de opressão, dominação e discriminação – especialmente contra mulheres, negros e LGBT+; as crenças baseadas em binarismo e dicotomias (branco x negro; hétero x homo; homem x mulher); e os estereótipos ainda muito presentes no senso comum, como o de que existe uma maneira certa de ser, fundamentam a necessidade de debates constantes e o fortalecimento dos movimentos sociais, como os feministas, LGBT+ e de negros.


Movimento negro


No domingo (13), completaram-se 130 anos da assinatura da Lei Áurea, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil. A data não é comemorada pelos movimentos negros, que lembram que a abolição formal não impediu que os negros continuassem excluídos do processo social.

Neste sentido, professor Thiago trouxe pesquisas que mostram o quanto os negros ainda são vítimas de estereótipos, preconceito e discriminação, o que justifica a luta dos movimentos por condições iguais de acesso à educação, mercado de trabalho e salários. "A resistência vem desde o período escravagista no Brasil e vai se fortalecendo ao longo da história. Com o fim do Estado Novo, em 1945, pequenos movimentos começam a se organizar e ampliar a luta", explica.

De acordo com o professor, a lei de cotas raciais é uma das conquistas mais recentes dos movimentos. "É uma política conquistada com muita luta por pessoas que sofreram e ainda sofrem por opressão e dominação", defende.

Para ele, a ideia de que as cotas apenas aumentariam o racismo é uma falácia e, junto com outras "opiniões" amplamente difundidas nas redes sociais, só faz aumentar o discurso de ódio contra negros, mulheres e LGBT+. "O que caracteriza preconceito e discriminação não é opinião. É discurso de ódio. Um discurso que mata, humilha e subjuga outras pessoas."

Como exemplo, ele lembrou os casos recentes de homicídios, ocorridos no Rio de Janeiro, da estudante Matheusa Passarelli, de 21 anos, negra, transexual não-binária, influenciadora digital e ativista de identidade de gênero nas redes sociais e da vereadora Marielle Franco, mulher, negra, bissexual, ativista racial, militante pelos direitos humanos e feminista.


Diretos Humanos


Trabalhar o conhecimento como forma de empoderamento é um dos objetivos do Pacto Nacional Universitário pela Promoção do Respeito à Diversidade, da Cultura da Paz e dos Direitos Humanos – acordo de cooperação celebrado entre o Ministério da Justiça e Cidadania e o Ministério da Educação (MEC) e do qual o IFSC faz parte.

De acordo com o documento, há a necessidade de que a inserção da Educação em Direitos Humanos nas instituições de ensino seja feita de forma transversal e interdisciplinar em todas as esferas institucionais, abrangendo o ensino, a pesquisa, a extensão, a gestão e a convivência universitária e comunitária.

Ao aderir ao Pacto, o IFSC se comprometeu em promover ações que contribuam para a promoção da igualdade de oportunidades e da equidade, na efetivação da democracia, do desenvolvimento e da justiça social, e na consolidação de uma cultura de paz e não violência.

Entre as metas a serem contempladas, destaque para o enfrentamento aos estereótipos de gênero, étnico-racial, religião, origem, idade, situação social, econômica e cultural, orientação sexual e identidade de gênero (LGBT+); combate à discriminação e à intolerância com grupos em situação de vulnerabilidade, a exemplo de pessoas com deficiência, transtornos e altas habilidades (superdotação), pessoas idosas, população em situação de rua, povos indígenas, quilombolas, ciganos, população ribeirinha, varzanteiros, pescadores, povos e comunidades tradicionais de matrizes africanas, população em privação de liberdade, migrantes e refugiados, dentre outros; e promoção do respeito à diferença e à diversidade.

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