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"Palestra-show" de Fabrício Carpinejar abriu a 2ª Garopa Literária

CÂMPUS GAROPABA Data de Publicação: 15 mai 2018 16:39 Data de Atualização: 16 mai 2018 09:49

Diversidade, o tema da 2ª Garopa Literária, é uma palavra que serve para explicar a palestra de abertura do evento, que ocorreu na noite de segunda, 14 de maio, no Câmpus Garopaba, com o poeta e cronista gaúcho Fabrício Carpinejar. Durante cerca de uma hora, Carpinejar falou, sempre com bom humor, de família, aparência física, relacionamentos e, claro, de literatura. 

Carpinejar chegou ao Câmpus Garopaba com um penteado curioso: cabelo quase todo raspado, com exceção de um pedaço na parte de trás da cabeça que formava a palavra “Casado”. “Minha mulher falou: ‘tu vai pra Garopaba. Lá é perigoso. Só vai se escrever isso na cabeça’”, respondeu, ao ser questionado por uma pessoa da plateia – e essa foi uma das muitas vezes em que arrancou gargalhadas do público durante a sua palestra ou, como definiu a organização do Garopa Literária na programação oficial do evento, “palestra-show”.

De todos os temas, família foi, sem dúvida, o que mais apareceu. Partindo de sua própria experiência, vindo de uma família de descendentes de italianos, ele contou, com a mesma habilidade com que escreve, alguns causos envolvendo seus pais e irmãos e afirmou: “família serve para dar trauma”. “Nela, a gente aprende a duvidar de si e a lidar com as nossas imperfeições”, comentou. A relação com os três irmãos, com quem sempre dividiu o quarto, livros de escola, brincadeiras e zoações ajudou-o a criar “anticorpos”, como ele mesmo definiu.

A família, aliás, foi importante para Carpinejar decidir ser escritor. “Ver cada um da minha família tentando contar a melhor versão de uma história me fez ter vontade de ser escritor”, contou. Para o poeta e cronista, a família feliz é aquela na qual o sofá da sala está furado, o que indica que ela conversa bastante. “Se o sofá não está furado, está cada um no seu quarto, no seu canto.”

Assista no vídeo acima a palestra completa 

Outro fato que fez o poeta e cronista gostar de livros foi o hábito de seus pais (ambos poetas) de ler para ele antes de dormir. “A gente não lê para uma criança dormir, mas para ela acordar para a vida e despertar sua imaginação”, disse, em uma das vezes na qual encerrou sua fala com uma frase que pareceu saída de um livro, acompanhada pelo silêncio de quase 200 pessoas atenciosas e pensativas na plateia. 

Além de poeta e cronista, Carpinejar, que é jornalista por formação, tem experiência em rádio e em televisão – onde ganhou fama nacional ao ser convidado fixo do programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Globo.  “Acho importante a representatividade da poesia na TV aberta nacional”, comentou. Ele considera, no entanto, que não era para estar na televisão por ser “feio” nem no rádio por ter tido problemas de dicção. Apesar de sua opinião sobre sua própria aparência, não considera isso um problema: “não conheço feio mal-humorado”. 

Embora  entre diferentes gêneros e mesmo em diferentes veículos, Carpinejar define-se como poeta e considera que não é fácil fazer poesia porque ela é “uma conversa consigo mesmo” ao passo que a crônica é “uma conversa com o outro”. 

Ao final do evento, pouco antes de começar a sessão de autógrafos, Carpinejar resumiu o que foi a sua palestra de assuntos tão diversos: “tentei abordar a empatia. Para tolerar diferenças, é essencial a empatia”.

 Programação durante toda a semana

A segunda edição da Garopa Literária vai até sexta, 18 de maio, com programação todos os dias, com saraus, oficinas, palestras e debates. As oficinas já estão com inscrições encerradas, mas debates e palestras são gratuitos e abertos ao público. Confira horários e locais no site do evento.

O tema escolhido para este ano, “Diversidade”, tem como objetivo mostrar a produção de literária de autores de diferentes raças, etnias e gêneros (nesse caso, com ênfase na produção de mulheres). Literatura negra, indígena e cultura açoriana estão entre os assuntos em debate. A produção de autores da região de Garopaba é outro dos focos do evento.

Um dos motivos para a escolha da diversidade como tema foi justamente a primeira edição da Garopa Literária, realizada ano passado. “Foi uma percepção nossa e também uma crítica que recebemos, porque os autores que vieram era quase todos homens brancos”, comenta a diretora-geral do Câmpus Garopaba e integrante da comissão organizadora do evento, Sabrina Moro Villela Pacheco.

“Queríamos ver as mulheres com mais espaço, falando mais sobre literatura”, completa a estudante do curso superior de tecnologia em Gestão Ambiental do Câmpus Garopaba, atriz e produtora cultural Morgana Kretzman, idealizadora do evento ano passado.

Sabrina e Morgana compuseram a mesa de abertura da Garopa Literária junto com mais uma mulher, a reitora Maria Clara Kaschny Schneider. Para a reitora, diversidade é “o tema que o IFSC tem escolhido se dedicar, combatendo preconceitos”. Maria Clara falou, ainda, sobre a expansão do IFSC e o impacto que a instituição tem nas comunidades em que atua. “A educação pode mudar o contexto cultural e social de uma região.”

 

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