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Projeto do Departamento de Construção Civil faz levantamento histórico de arquiteto alemão radicado em Santa Catarina

EXTENSÃO Data de Publicação: 05 jun 2018 11:49 Data de Atualização: 05 jun 2018 12:26
O projeto de extensão InstrumentAÇÃO Hans Broos, do Departamento Acadêmico de Construção Civil (DACC), pretende coletar dados para a valorização das obras do arquiteto alemão Hans Broos em Santa Catarina, fornecendo instrumentos para incentivar o processo de preservação do conjunto de sua obra “A ideia surgiu da necessidade de preservar o patrimônio histórico catarinense. Nessa discussão, começamos a falar sobre a arquitetura moderna e como ela deve ser valorizada. O conjunto de obras do Hans Broos marcou a paisagem aqui em Santa Catarina, principalmente nas cidades do interior”, explica o professor Bernardo Brasil Bielshowsky, coordenador do projeto.
 
Hans Broos mudou-se para o Brasil em 1953 e se instalou em Blumenau. Sua principal obra na cidade é a sede da Cia. Hering (1968 - 1972). As obras de Broos são consideradas relevantes para a Arquitetura Moderna Brasileira. Aqui em Santa Catarina, foram construídas principalmente entre as décadas de 50 e 70. “Ele foi um cara muito especial para mim, porque além de ser uma referência em termos de arquitetura, foi ele quem me deu a primeira oportunidade e acreditou em mim” conta o professor Bernardo Brasil Bielshowsky. Ele conheceu Hans Broos em uma palestra em 2002. Assim que se formou em arquitetura pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2003, Bielshowsky foi convidado pelo próprio arquiteto para trabalhar com ele em São Paulo. O professor é chamado com frequência para ministrar palestras sobre as obras de Broos. “A nossa relação sempre foi muito sincera, então um dos feedbacks que estou tendo da "juventude" é a forma respeitosa que tenho falado sobre a vida e a obra do Hans Broos. Não pretendo dizer o que o Broos queria dizer ou estava pensando quando fez determinada obra, mas ao contrário, tento demonstrar através das obras e dos contextos o que Broos realmente fez e da forma como fez, para que cada um tire as suas próprias conclusões”. Bielshowsky também está envolvido na organização do livro "Hans Broos: memória de uma arquitetura" que vai ser lançado ainda esse ano. “Não adianta discutir somente no nível acadêmico e para um público muito restrito. A gente pensa que o legado e o valor da obra do Broos está ao alcance de todos e é justamente por isso que ela deve ser valorizada, preservada, utilizada ou reabilitada”.
 
O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) possui um estudo em instrumentação (ou seja, em fase de coleta de informações) sobre o conjunto de obras de Hans Broos desde 2015. “Existe uma lista de obras, mas ninguém foi a campo para ver como estão as obras e qual é seu estado de conservação” conta o professor. Ele também acrescenta que a organização do projeto está trabalhando com diversos colaboradores de outras instituições, inclusive de outros órgãos relacionados à preservação arquitetônica das cidades catarinenses.
 
Uma das dificuldades enfrentadas na preservação dessas obras pode ser a própria família dos herdeiros. Em 2011, por exemplo, iniciou-se um processo para tombar uma casa projetada por Broos em Florianópolis. No meio do processo, os herdeiros descobriram e mandaram demolir a construção. Segundo o docente, esse fato contribuiu para a necessidade e urgência do projeto.
 
Bielshowsky conta com a ajuda da professora Ana Paula Pupo Correia atuando como coordenadora adjunta, três bolsistas e dois voluntários, que já estão fazendo a instrumentação das obras. O grupo pretende entregar ao IPHAN e aos demais órgãos um material mais completo, através de uma espécie de publicação, pois entendem que "muito mais do que apenas preencher as fichas de inventário, é necessário contextualizar a importância do legado do conjunto da obra do Broos". 
 
Em setembro será realizado também um seminário sobre a importância das obras de Hans Broos no Câmpus Florianópolis. O evento vai divulgar o material coletado pelos envolvidos no projeto e será aberto a comunidade externa.
 
Os interessados podem entrar em contato com o professor Bernardo Brasil Bielshowsky no e-mail bernardo.brasil@ifsc.edu.br.
 
Mais sobre o instrumentAÇÃO Hans Broos
 
O tema principal deste projeto de extensão é a questão da valorização patrimonial da Arquitetura Moderna em Santa Catarina, onde insere-se o “Conjunto da Obra do Arquiteto Hans Broos em Santa Catarina”, que se encontra ameaçado devido às propostas de renovação urbana em andamento. O objetivo geral desse projeto é fornecer instrumentos (através da sistematização de informações e dados sobre a situação atual do conjunto da obra de broos) para a instrução do processo, que visa o tombamento do “Conjunto da Obra do Arquiteto Hans Broos em Santa Catarina” (processo n. 1754/2015 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN).
 
Para atingir o objetivo geral é necessária a participação efetiva da equipe executora (coordenador geral, coordenadora adjunta e bolsistas), de forma articulada com os demais parceiros da comunidade externa envolvidos (colaboradores externos, parceiros voluntários, instituições beneficiadas), nas atividades propostas.
 
Essas atividades iniciam com a constituição de uma rede de colaboradores voluntários (que já desenvolvem pesquisas e estudos sobre a temática da Arquitetura Moderna em Santa Catarina, onde insere-se a obra de Hans Broos) para o repasse das informações já existentes (que serão devidamente referenciadas) e para o auxílio nas atividades de campo. A partir das informações repassadas pelos colaboradores externos (parceiros voluntários) e pelas instituições que serão beneficiadas (órgãos de proteção do Patrimônio Cultural federal, estadual e municipais), será elaborado o mapeamento das obras mais relevantes para instrumentar o processo de tombamento no IPHAN. Após a elaboração do mapeamento, será necessário uma visita técnica para a coleta de dados no acervo do arquiteto Hans Broos que está situado em São Paulo/SP, para o conhecimento dos documentos originais e uma posterior comparação sobre o atual estado de conservação desses imóveis. 
 
Através de um breve treinamento do próprio IPHAN, na sequência, serão preenchidas as fichas de inventário dos bens culturais com a finalidade de caracterizar o estado atual de conservação e preservação das obras selecionadas. Essas fichas serão repassadas para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional para a instrução do processo de tombamento. Posteriormente, essas informações serão repassadas também para as demais instituições (estadual – FCC e municipais), caso haja interesse das mesmas. 
EXTENSÃO CÂMPUS FLORIANÓPOLIS