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Epagri passa a utilizar sistema de detecção de Frentes Frias desenvolvido no IFSC

PESQUISA Data de Publicação: 12 jul 2022 08:20 Data de Atualização: 12 jul 2022 15:11

“A semana inicia com temporais isolados, ventos fortes e queda acentuada de temperatura. Nesta terça-feira, as regiões do Extremo Oeste ao Litoral Sul, que fazem divisa com o Rio Grande do Sul, têm maior chance de temporais com ventos fortes. E entre terça e quarta-feira, na retaguarda da Frente Fria (FF), avança uma massa de ar fria e seca fazendo as temperaturas despencarem no estado”.

O alerta não é dos canais de informações meteorológicos habituais, mas do novo sistema de detecção de FFs desenvolvido no Mestrado Profissional em Clima e Ambiente do Câmpus Florianópolis, pela meteorologista  Roseli de Oliveira, e que passará a ser utilizado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a partir de quinta-feira (14), quando Roseli instala o novo sistema automatizado nos equipamentos do setor de Monitoramento Agro da Epagri (Ciram).

O trabalho teve como meta avaliar os efeitos da passagem de frentes frias pelo sul e centro-sul da América do Sul, entre 1991 e 2020, por meio de um método automatizado de detecção, visando auxiliar a previsão de eventos meteorológicos de alto impacto que atuam na região. “Atuei como meteorologista por três anos na Defesa Civil. E o meteorologista necessita  de precisão para realizar uma previsão assertiva. A escolha do tema foi para auxiliar e facilitar o desempenho de funções dos meteorologistas. E também porque diversos sistemas meteorológicos causam eventos de alto e médio impacto em Santa Catarina”, conta a hoje mestre em Clima e Ambiente, mas que iniciou sua trajetória na área através do curso Técnico Subsequente em Meteorologia do Câmpus Florianópolis.

Roseli revela que existem muitos estudos sobre métodos de detecção de FF, porém nenhum abordou a intensidade delas em determinada região. “Essa é a diferença entre o nosso estudo (sistema) para os demais”, afirma ela, que destaca: “nosso software foi testado e validado com Frentes Frias já ocorridas em Santa Catarina no período de 2015 e 2020. Santa Catarina foi escolhida devido a ocorrência de eventos de alto impacto. Mas para a dissertação, o software foi validado também na área Centro Sul da América do Sul. Todo mundo pode criar, desenvolver inovações, porém temos que validar e provar que funcionam. A própria utilização do sistema de detecção pela Epagri dará sequência a essa validação do software”.

Desenvolvimento

As Frentes Frias podem causar eventos de médio e alto impacto na região que atuam; algumas delas levam a fortes chuvas ou mesmo, tempestades; no inverno levam a queda acentuada de temperatura com impactos na agricultura, nos setores econômico e social. Assim, nos últimos anos muitos estudos em várias regiões do globo têm se voltado para a aplicação de métodos objetivos de detecção destas FFs, visando melhorar a previsibilidade dos sistemas.

A pesquisa desenvolvida no Programa de Mestrado em Clima e Ambiente partiu da ideia que seria possível identificar as Frentes Frias e seu deslocamento; também podendo determinar sua intensidade, caso seja fraca, moderada ou forte. Para isso, foi desenvolvido um algoritmo computacional, denominado de Índice de Detecção de Frentes Frias (IFF), e para esta detecção são utilizados pela pesquisa dados de vento e temperatura, em áreas previamente determinadas no Sul e Centro Sul da América do Sul, incluindo o litoral do Oceano Atlântico.

O algoritmo detecta uma FF, quando as seguintes condições são computadas, simultaneamente, em cada ponto do domínio de cada área: vento no quadrante norte 6 horas antes; vento no quadrante sul e o giro do vento norte para o quadrante sul com persistência até 24 horas e; diminuição da temperatura do ar a 2 m até 24 horas após a passagem da Frente Fria.

A validação do software foi feita de duas maneiras: a partir de 51 casos pré-selecionados de FFs que impactaram a região que compreende Santa Catarina e arredores entre 2015 e 2020, e pela comparação com as FFs catalogadas do Boletim Climanálise de 1996 a 2013. O trabalho ainda classificou as quatro principais trajetórias das frentes frias: oceânica, litoral oceânica, continental costeira e continental.

A Mestre em Clima e Ambiente conta que o desenvolvimento do software exigiu programação em GrADS (Grid Analysis and Display System), ferramenta de desktop interativa usada para fácil acesso, manipulação e visualização de dados de ciências da terra. “Aprendi a utilizar o GrADS no IFSC ainda na época do curso técnico subsequente, o que já me auxiliou quando cursei a graduação”, ressalta Roseli. 

Esse sistema desenvolvido no IFSC, sob a orientação do professor Mario Francisco Leal de Quadro, está em processo de Registro no Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), e estará disponível na página principal da Epagri. Será usado para auxiliar na previsão de Frentes Frias. A utilização pela empresa pública será através de uma parceria institucional entre as partes (Mestrado – Epagri), uma vez que o objetivo do Mestrado Profissional é desenvolver tecnologia para empresas públicas e/ou privadas. Assim, caso outra região ou localidade queira  utilizar esse software é possível adaptar e formalizar a legalidade com o IFSC.   

Epagri

A Epagri é uma empresa pública, vinculada ao Governo do Estado de Santa Catarina por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural. A criação da Empresa, em 1991, uniu os trabalhos de pesquisa e extensão rural e pesqueira, somando décadas de experiência em diferentes áreas e fortalecendo ainda mais o setor.

CÂMPUS FLORIANÓPOLIS PESQUISA IMPRENSA

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