Mesa-redonda discute estratégias para promover inclusão e acessibilidade na educação

SEPEI Data de Publicação: 28 ago 2025 15:07 Data de Atualização: 05 set 2025 19:25

Uma mesa-redonda do Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação do IFSC (Sepei) abordou o tema “Pensar a sala de aula para todos: a tecnologia assistiva e o DUA como possibilidade”. O debate reuniu as professoras Ivani Cristina Voos (IFSC, Câmpus Palhoça Bilíngue), Geisa Letícia Kempfer Bock (Udesc) e Rosemy da Silva Nascimento (UFSC) para discutir estratégias de inclusão e acessibilidade para estudantes com diferentes necessidades.

A proposta central do encontro foi debater como o Desenho Universal de Aprendizagem (DUA) pode ser aplicado de forma efetiva no planejamento pedagógico, garantindo que todos os estudantes - com ou sem deficiência - tenham acesso equitativo ao conhecimento. O DUA foi definido por Geisa Bock como o “conjunto de princípios para criar currículos flexíveis e acessíveis desde o início, considerando a diversidade como regra, não como exceção”. 

A professora da Udesc fez uma analogia com roupas de tamanho único para explicar por que os currículos e estratégias precisam se adaptar aos estudantes. “Se vestir o tamanho único já não dá para nós, por que um planejamento tamanho único daria para todos os estudantes?”, comparou. “E é um pouco isso que o DUA vem nos ensinar: a potencializar, a fazer”, completou Geisa. Para ela, é necessário romper com práticas monocêntricas e abandonar a ideia de que existe um estudante padrão. 

A professora Ivani Voos, que é pesquisadora da área de tecnologia assistiva e desenvolve projetos no laboratório dessa área no Câmpus Palhoça Bilíngue (Labta), reforçou a importância de considerar a autonomia relacional dos estudantes, garantindo que eles possam ter escolhas mesmo quando não têm uma independência total. Ela também usou uma analogia, dessa vez falando de uma pessoa que tem dificuldade para erguer uma xícara, mas que decide o conteúdo do que vai beber na xícara.

“Eu não posso erguer o copo porque por ‘n’ motivos: ou porque eu não quero, ou porque eu realmente não tenho força muscular na minha mão para levantar aquela xícara. Mas quem decidiu se dentro da xícara tem água, café, café com leite, café com açúcar, fui eu. Isso se chama protagonismo e presumir capacidade da pessoa com deficiência”, exemplificou. 

Ivani também abordou uma visão ampliada do conceito de tecnologia assistiva, incluindo serviços assistidos por animais, como cães-guia e cães de apoio pedagógico. O Labta, por exemplo, usa cães em seus atendimentos educacionais especializados. 

Já Rosemy Nascimento, da Universidade Federal de Santa Catarina, compartilhou a experiência do Laboratório de Cartografia Tátil e Escolar (Labitate), que desenvolve maquetes, mapas e outros recursos didáticos adaptados para ensino de cartografia para pessoas cegas e de baixa visão. Ela comentou que não são apenas os materiais que devem promover a acessibilidade, mas toda a equipe da instituição. “A gente conseguiu desenvolver o que a gente chama de um ‘protocolo inclusão’. A gente pensou não só na construção do recurso didático. A gente está falando desde o acolhimento e tutoria e de um professor que possa ajudar esse estudante [cego ou com baixa visão] a chegar [a uma instituição de ensino]”, disse. 

A gravação da mesa-redonda está disponível na íntegra no canal do IFSC no YouTube.

-> Ouça reportagem sobre esse tema no podcast IFSC em Pauta

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