BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 30 jun 2026 12:02 Data de Atualização: 30 jun 2026 12:08
Caroline Fiordalise Zuchi e Maria Eduarda Gonçalve são estudantes do Câmpus Florianópolis que participaram neste semestre do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. As duas colegas do curso de Engenharia Civil atuaram no mesmo projeto de pesquisa - : ARSus - Argamassas de Revestimento Sustentáveis: influência da substituição parcial de cimento por cinzas de fundo proveniente de centrais de queima de biomassa - no Instituto Politécnico de Setúbal (IPS). No post de hoje, trazemos seus relatos sobre como foi essa experiência em Portugal.
Leiam os relatos abaixo:
Caroline Fiordalise Zuchi- Aluna da 7ª fase do curso de Engenharia Civil
Sempre tive grande apreço pela pesquisa científica e considero a produção de conhecimento uma das áreas mais enriquecedoras da vida acadêmica. Além disso, desde o início da graduação, tive o desejo de vivenciar experiências internacionais que ampliassem minha formação pessoal e profissional. Participar deste intercâmbio em Portugal representou a união desses dois objetivos, proporcionando a oportunidade de desenvolver uma pesquisa em um contexto acadêmico diferente daquele ao qual estou habituada no Brasil. Essa experiência também reforçou minha vontade de continuar estudando após a graduação, por meio do mestrado, doutorado e demais formações ligadas à pesquisa científica.
O desenvolvimento do projeto ocorreu de forma muito satisfatória, sendo possível executar todas as etapas experimentais previstas no planejamento inicial. Em pesquisas envolvendo argamassas, a elaboração de um cronograma rigoroso é fundamental, uma vez que diversos ensaios precisam ser realizados em idades específicas de cura, cujos prazos devem ser rigorosamente respeitados para garantir a confiabilidade e a comparabilidade dos resultados obtidos. Dessa forma, toda a programação experimental foi estruturada considerando as datas de realização dos ensaios no estado fresco e no estado endurecido.
Inicialmente, o objetivo da pesquisa era avaliar a utilização de cinzas de fundo provenientes da queima de biomassa como material pozolânico em argamassas. Entretanto, os resultados preliminares demonstraram que as cinzas não apresentavam atividade pozolânica suficiente para essa aplicação. Diante disso, foi necessário redirecionar a pesquisa, passando a utilizar o material como substituição parcial do agregado miúdo (areia) e como fíler, mantendo o propósito de desenvolver argamassas mais sustentáveis. Essa adaptação evidenciou a importância da análise crítica e da flexibilidade durante o processo científico.
Ouça a entrevista da Caroline para o poscast IFSC em Pauta sobre sua experiência de intercâmbio
Maria Eduarda Gonçalves - Aluna da 7ª fase do curso de Engenharia Civil
O desenvolvimento do projeto de pesquisa foi uma experiência muito enriquecedora e desafiadora. Como eu ainda não havia tido contato com o mundo da pesquisa durante a graduação, cada etapa representou uma nova descoberta e um importante aprendizado. Além disso, realizar esse projeto em outro país tornou a experiência ainda mais especial, pois tive a oportunidade de trabalhar com normas diferentes e conhecer outras formas de desenvolver pesquisas. Esse contato com uma nova realidade acadêmica ampliou minha visão sobre a área e me permitiu compreender melhor como trabalhar em equipe com pessoas de diferentes culturas.
Também foi muito interessante aprofundar meus conhecimentos sobre sustentabilidade na construção civil. Os resultados obtidos foram bastante satisfatórios. Embora não tenhamos alcançado exatamente o objetivo inicial, que era comprovar que a cinza estudada possuía propriedades pozolânicas suficientes para substituir parte do cimento, a pesquisa permitiu compreender melhor outras características do material. Ao longo do desenvolvimento do projeto, identificamos novas possibilidades de utilização da cinza em argamassas, permitindo que ela continue sendo aproveitada de forma sustentável e contribuindo para a redução de resíduos. Além disso, aprendemos que não alcançar o objetivo inicial não significa que a pesquisa tenha dado errado.
Muitas vezes, é preciso analisar os resultados por outra perspectiva e compreender o que eles estão mostrando. Uma frase que nosso técnico de laboratório sempre dizia e que levarei para a vida é: “o resultado é o resultado”. Com isso, aprendemos a aceitar e interpretar os resultados obtidos, sejam eles os esperados ou não.
Entre os principais aprendizados acadêmicos, destaco a compreensão de que a pesquisa exige tempo, paciência e dedicação. Os ensaios possuem etapas que precisam ser respeitadas, e nem sempre é possível acelerar os processos sem comprometer a qualidade dos resultados. Além disso, trabalhar em equipe com pessoas de diferentes formações e culturas foi um aprendizado muito valioso, tanto para a vida acadêmica quanto para o meu desenvolvimento pessoal.
Em relação aos professores e à metodologia utilizada, tive uma experiência muito positiva. Os professores foram sempre simpáticos, participativos e dispostos a auxiliar quando necessário. Também percebi diferenças na metodologia de ensino e na dinâmica de trabalho em comparação com aquelas às quais estávamos acostumados no Brasil, o que tornou a experiência ainda mais enriquecedora.
Minhas expectativas foram plenamente atendidas. Apaixonei-me pela experiência do intercâmbio, que me ajudou a me tornar uma pessoa mais independente, confiante e aberta a novos desafios. Sair da zona de conforto foi, sem dúvida, uma das partes mais marcantes dessa jornada, e não me arrependo em nenhum momento de ter tomado essa decisão.
Como dica para os futuros participantes, eu diria para aproveitarem a oportunidade e se permitirem viver essa experiência intensamente. Mesmo que exista medo ou insegurança no início, vale muito a pena. O intercâmbio proporciona um enorme crescimento acadêmico e pessoal, além da oportunidade de conhecer novas culturas, novas formas de pensar e descobrir o quanto somos capazes de nos adaptar e evoluir diante de novos desafios.
Ouça a entrevista da Maria Eduarda para o podcast IFSC em Pauta sobre sua experiência de intercâmbio
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