11º Fórum de Bibliotecas do IFSC debate inteligência artificial, humanização e gestão do conhecimento

ENSINO Data de Publicação: 25 set 2026 15:49 Data de Atualização: 25 set 2026 16:03

Nos dias 22, 23 e 24 de setembro de 2026, o Auditório da Reitoria do IFSC foi sede do 11º Fórum de Bibliotecas do IFSC. O evento reuniu servidores das equipes de bibliotecas de diversos câmpus para debater os impactos da inteligência artificial (IA) na educação, a preservação do afeto e do acolhimento nos espaços escolares, o compartilhamento de boas práticas e o planejamento coletivo do Sistema de Bibliotecas do IFSC (SiBI-IFSC).

Abertura destaca o papel humano dos espaços educativos

Na abertura, o coordenador do SiBI, Alison Antônio de Souza, destacou que o objetivo central da gestão é renovar o compromisso com a ciência, o ensino, a pesquisa e a extensão, ressaltando a necessidade de usar as novas tecnologias e a IA para ampliar o acesso à educação, mantendo sempre o olhar voltado ao lado humano.

Nessa mesma linha, o diretor de Ensino do IFSC, Niguelme Cardoso Arruda, lembrou que a IA deve ser encarada como uma ferramenta de apoio para otimizar fluxos e rotinas na instituição. "Uma biblioteca não é feita só de livros, é feita de pessoas", pontuou o diretor ao frisar que o caráter humano do atendimento jamais pode ser substituído.

A pró-reitora de Ensino, Eliana Bär, expressou sua satisfação ao acompanhar as iniciativas locais das bibliotecas, reforçando o papel essencial desses locais. Para ela, as bibliotecas do IFSC se consolidam diariamente como ambientes de acolhimento, silêncio, escuta e carinho para os estudantes.

Já o reitor do IFSC, Zízimo Moreira Filho, ressaltou a importância do Fórum para a integração dos servidores. Segundo o reitor, além do cumprimento da pauta de formação e capacitação profissional, encontros presenciais como este proporcionam momentos fundamentais de convivência, troca e fortalecimento dos laços institucionais.

Mitos, verdades e desafios éticos da Inteligência Artificial

A palestra de abertura, intitulada "IA e sociedade: impactos sociais e uso responsável", foi ministrada pelo professor Paulo Roberto Córdova. Em sua fala, o docente fez um resgate histórico da tecnologia e problematizou concepções do senso comum, defendendo que o conceito de "IA generativa" não passa de uma estratégia mercadológica. "O nome é marketing. Academicamente não se discute isso", afirmou o palestrante, ao explicar que os sistemas não criam conteúdos originais do zero.

O professor  elencou os cinco principais dilemas e desafios associados à IA na atualidade:

  • Problema do viés: reprodução e amplificação de preconceitos nos algoritmos;
  • Produção e curadoria do conhecimento: novos desafios para a validação de dados e fontes e problemas de autoria;
  • Impacto sobre a cognição humana: mudanças nas formas de aprendizado e retenção de conhecimento;
  • Privacidade e soberania de dados: riscos à proteção de informações e dependência tecnológica;
  • Impacto nos ecossistemas e meio ambiente: custos energéticos, pegada ecológica;
  • Instanciação perversa: quando para atingir os objetivos definidos para ela, a IA assume que é possível seguir por meios perigosos para os seres humanos.

Como caminho para o enfrentamento dessas questões, o palestrante defendeu uma postura pautada na transparência, na responsabilidade e na ética no uso das tecnologias digitais. Na sequência, a mesa-redonda "Ética e prática no uso de IA" reuniu os pesquisadores  Luciana Mara Silva (Udesc), Farleir Luis Minozzo (IFSC) e  Jesué Graciliano da Silva (IFSC), sob mediação de Eliane Pellegrini (IFSC), ampliando o debate sobre os impactos e a aplicação da IA no cotidiano educacional.

Programação diversificada: projetos locais, oficinas e planejamento do SiBI

Ao longo dos dias 23 e 24 de setembro, a programação do 11º Fórum teve painéis de diálogo, compartilhamento de experiências e capacitações específicas. Houve  espaços dedicados à apresentação de projetos culturais e pedagógicos desenvolvidos nos câmpus, como os projetos "Biblioteca viva" (Jaraguá do Sul-Rau), "Clube de leitura e conversas literárias" (São Lourenço do Oeste), "Enquanto fuxico, também fuxico" (Joinville) e "Entre livros e histórias" (Tubarão).

Também foram realizadas trilhas específicas de capacitação, com workshops dedicados aos diferentes perfis profissionais das bibliotecas. Auxiliares de biblioteca participaram de debates sobre gestão de conflitos na comunidade acadêmica e a inserção de ações de extensão no Sigaa. Já as equipes de bibliotecários participaram de oficinas de representação temática teórica e prática nos sistemas SophiA e DSpace.

O último dia do evento foi reservado para informes dos comitês e grupos de trabalho do SiBI-IFSC, revisão de normativas institucionais e um momento de planejamento coletivo para orientar as diretrizes do sistema de bibliotecas para os próximos anos.

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