VIDA DE SERVIDOR Data de Publicação: 19 nov 2025 17:05 Data de Atualização: 19 nov 2025 17:49
Elizabeth Moscon concluiu os cursos técnico e de graduação no Câmpus Jaraguá do Sul-Centro antes de assumir a sala de aula como professora substituta. Sua história, que começou com a vontade de fazer vestidos para as filhas, mostra o poder da transformação da educação pública.
Há cerca de dez anos, Elizabeth Moscon - que na época atendia pelo nome Elizabeth Nascimento - entrou no Câmpus Jaraguá do Sul-Centro com um objetivo caseiro e afetivo: aprender a fazer vestidos para suas duas filhas. Hoje, ela frequenta a mesma instituição, mas com uma função nova: a de docente. Sua trajetória, que passou pelo extinto curso técnico em Design de Moda e pela graduação em Design de Moda, demonstra a capacidade da educação em mudar a vida das pessoas e como o IFSC pode ser um agente fundamental na vida de seus estudantes.
A professora Beth, como é conhecida, se formou no técnico entre os anos de 2015 e 2016. Posteriormente, foi integrante da primeira turma do curso superior de Tecnologia em Design de Moda, ingressando em 2019 e colando grau em 2023. Agora, leciona disciplinas como Planejamento de Risco e Corte, Moda e Repertório, Fundamentos do Design de Moda e Técnicas de Montagem para estudantes do ensino médio integrado e da graduação.
Do ateliê à academia
A transição da vida de estudante para a de professora não foi um salto abrupto, mas um processo construído ao longo de sua formação. “O curso técnico, como já diz, foi bem técnico e bem prático. E a graduação tem mais a questão teórica, tem a prática, mas traz muito essa questão do pensar, de como agir, da responsabilidade na moda, do processo criativo”, conta.
Foi nesse ambiente que seus professores identificaram nela uma vocação para a docência. “Eu vi que eu tinha um jeito para ensinar os colegas e os professores também falaram sobre essa minha didática, inclusive que eu poderia pensar no caso de continuar na academia. E tudo isso me fez pensar sobre esse assunto”, relembra.
Mas sua chegada às salas de aula como docente não foi simples. “Quando eu fiquei sabendo que tinha uma vaga [na área] de estampa, e como eu trabalho bastante com estampa, eu tentei, mas não consegui. Minha pontuação de didática foi bem bacana, mas na questão de certificação tinha gente com doutorado, mestrado... Aí acabou contando mais a parte de títulos”. Na segunda tentativa, porém, alcançou seu objetivo. “A pontuação já foi bacana porque, dessa vez, consegui contar artigos e tudo mais que eu já tinha produzido. Então, fui mais preparada e passei!”, comemora.
Ex-professores e ensino médio
Olhar a instituição por outro ângulo, como parte do corpo docente, trouxe uma nova visão da instituição à Elizabeth. “É mais responsabilidade, mais comprometimento. Mas gosto muito e quero fazer o que fizeram por mim, sabe? Da mesma forma que me transformaram, eu quero muito ter essa oportunidade também, essa disposição de ajudar as pessoas a serem transformadas”, afirma.
A recepção dos que um dia foram seus professores e hoje são seus colegas foi marcada por alegria e reconhecimento, inclusive com o auxílio de muitos deles para aprender a lidar com os sistemas e as demandas burocráticas. “Eu fui muito bem recebida. Eles ficaram bem contentes, bem animados mesmo. E eu acho que isso é legal, porque é o fruto do trabalho deles, na verdade”, reconhece.
Na nova função, um dos desafios é lecionar para adolescentes que estão cursando o ensino médio técnico. “Eu acho que este público é o mais desafiador. A questão é buscar uma maneira de trazer o interesse deles para a disciplina, mas estou conseguindo”, relata.
Ex-colegas de sala e a profecia
Um dos momentos mais curiosos da transição para a carreira docente na mesma instituição em que se formou é encontrar, pelos corredores, ex-colegas de turma que ainda estão finalizando o curso. “Ainda tem pessoal da minha época. E quando descobriram que eu voltei como professora, ficaram bem felizes. Dizem ‘ah, a gente sabia que você ia vir para cá’. Mas acho que eles tinham mais certeza do que eu”, brinca.
Ao recordar do período como discente, a professora Beth revela que já demonstrava um perfil de educadora. “Sempre fui muito de ajudá-los [os colegas] nas disciplinas. Principalmente porque, como eu já trabalhava com isso, então para mim que tinha temas e atividades que eram mais tranquilos. E eles diziam sempre que ‘parece professora, vem cá, vem nos ajudar profe’”, lembrando da profecia criada por seus companheiros de turma.
Dedicação e participação
Nascida em São Paulo e morando em Jaraguá do Sul há 20 anos, Beth destaca que a participação ativa na vida do câmpus foi crucial para sua formação. “Eu sempre fui muito interessada nas coisas do IFSC. Eu participei do colegiado, sempre estava participando das oficinas, ministrei algumas [oficinas], participava de palestras, essas coisas”, recorda.
Mesmo após a graduação, ela continuou se capacitando, fazendo cursos de modelagem computadorizada e, atualmente, uma especialização em Comunicação e Produção de Moda. “Continuo estudando, me preparando e me desenvolvendo para ser uma professora melhor”, diz a egressa.
Para os atuais estudantes, Beth deixa um conselho baseado em sua própria experiência: aproveitar todas as oportunidades que o IFSC oferece. “Eu acho que eu sempre estive muito disposta a participar de tudo. Então, tudo que tinha no IFSC, a oportunidade de participar de colegiado, de reuniões, de projetos, de artigos, acho que tudo isso me ajudou muito a chegar até aqui. Acho que a educação realmente é transformadora e transformou o meu olhar em várias formas, não só na vida técnica, mas na minha vida pessoal também”, conclui.
Para a professora, que iniciou a carreira docente aos 41 anos, sua história prova que sempre é possível recomeçar e se reinventar. “Eu entrei no curso [técnico], há dez anos, fazer vestido para as minhas filhas e aí meu olhar foi mudando e fui me interessando por muitas coisas... Acredito que a educação é transformadora e a gente tem muitos profissionais aqui com muita capacitação e muito desejo de ensinar e transformar a vida das pessoas”, destaca Elizabeth.