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Prêmio nacional coroa trabalho de projeto que registra e valoriza a cultura de Florianópolis

EXTENSÃO Data de Publicação: 19 mai 2022 15:51 Data de Atualização: 19 mai 2022 16:57

O Projeto Tekoá Pirá, criado a partir de um projeto de pesquisa do Câmpus Florianópolis-Continente em 2017 e até hoje mantido por duas estudantes do IFSC, foi um dos vencedores do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade 2021, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido há quase cinco anos de registro e preservação da cultura de Florianópolis.

O case inscrito e ganhador da premiação trata sobre a metodologia empregada pelo projeto para a preservação da cultura tradicional na Ilha de Santa Catarina - no caso, a pesca artesanal da tainha na praia do Campeche.
 

O Tekoá Pirá (nome que significa “Terra de Peixe”, em guarani) tem como objetivos promover o turismo de base comunitária e dar visibilidade à cultura local de Florianópolis, em especial a pesca artesanal e os engenhos de farinha. O Prêmio Rodrigo Melo veio justamente na categoria “Iniciativas de excelência na preservação e salvaguarda do patrimônio cultural adaptadas ao contexto da pandemia - com resultados no ano de 2020”.

A premiação foi uma surpresa para a equipe, pois, como destaca a professora Cláudia Hickenbick, do Câmpus Florianópolis-Continente, que coordenou o projeto no seu início, as iniciativas vencedoras “costumam ter mais tempo de estrada”.

Esta foi a segunda vez que o Tekoá Pirá concorreu ao Prêmio Rodrigo de Melo - em 2020, o projeto foi selecionado para a etapa estadual, mas não chegou à nacional. Em 2021, veio o prêmio nacional, sendo uma das 12 iniciativas de todo o país contempladas. O resultado foi divulgado em dezembro, mas a cerimônia de premiação só ocorreu em abril passado, de maneira online.

O trabalho do Tekoá Pirá é realizado pelas estudantes Gisele Silvia Ramos e Roberta de Paula Braz, que iniciaram o projeto em 2017 como alunas do curso técnico em Guia de Turismo - Regional Santa Catarina, do Câmpus Florianópolis-Continente, e hoje cursam o superior de tecnologia em Gestão de Turismo no mesmo câmpus.

“Nós, que somos de famílias de pescadores, vimos que tínhamos a possibilidade de registrar nossa cultura”, comenta Roberta, que é natural do Campeche, no Sul da Ilha. “Eu vim estudar no IFSC por um desconforto: queria dar visibilidade à nossa cultura”, completa Gisele, nascida na Barra da Lagoa, no Leste da Ilha. Para cumprir o objetivo de valorizar a cultura de Florianópolis, elas trabalharam com a Associação dos Pescadores Artesanais do Campeche, praia localizada no bairro de mesmo nome. 

 

Em quase cinco anos, atuaram para a produção da cartografia social da localidade (iniciativa que busca mapear grupos sociais, descrevendo-os e georreferenciando-os, com base no que é considerado relevante pelo próprio grupo) e no processo que resultou no reconhecimento pelo governo do estado, a pedido do IFSC, da pesca da tainha no Campeche como Patrimônio Cultural de Santa Catarina, uma iniciativa que teve a participação também de outros professores e estudantes dos câmpus Florianópolis-Continente e Florianópolis (o que fica no Centro da cidade). Tanto a cartografia social como o reconhecimento como patrimônio cultural estão registrados em livros.

 

O benefício do reconhecimento da pesca artesanal da tainha no Campeche como patrimônio cultural é a possibilidade de serem promovidas ações para manter a existência dela. O título de patrimônio cultural prevê a “proteção” da prática pelo poder público por um período de 10 anos e a realização de ações de salvaguarda, sendo que a publicação do livro foi uma delas. Outra salvaguarda é o curso de remeiros, em que os atuais pescadores capacitam jovens para a pesca artesanal.

Além disso, ele serve de ponto de partida para projetos de exploração do turismo de base comunitária (TBC), no qual o turista é convidado a conhecer a história, modos de vida e tradições, tendo a própria comunidade como protagonista. “O TBC é um movimento de resistência de muitas comunidades que querem se manter atuando à sua maneira”, destaca Gisele.


Outras ações estão sendo realizadas junto ao poder público e ao Ministério Público Federal com a intenção de regulamentar a exploração imobiliária nos locais de pesca, preservando “picadas” (caminhos até a praia) tradicionais dos pescadores e regulamentação para a prática do surfe e exploração do turismo com botes durante os meses de pesca, de maio a julho.


Parte do trabalho foi desenvolvido durante a pandemia, o que trouxe desafios para as estudantes, pois os contatos e entrevistas com os pescadores tiveram que ser feitos a distância e alguns tiveram que aprender a como usar ferramentas como Google Meet e WhatsApp. Além de valorizar a pesca da tainha, Gisele e Roberta também têm atuado no registro e divulgação da tradição dos engenhos de farinha no Campeche e estudam possível expansão do projeto para as comunidades do Pântano do Sul (também no Sul da Ilha) e da Costa da Lagoa (no Leste).

 

Saiba mais e acompanhe o trabalho do Tekoá Pirá no perfil do projeto no Instagram

 
EXTENSÃO CÂMPUS FLORIANÓPOLIS-CONTINENTE

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