ENSINO Data de Publicação: 15 out 2025 17:19 Data de Atualização: 23 out 2025 19:50
Realizar um intercâmbio é um sonho para muitos jovens, mas que pode ficar distante devido aos custos financeiros envolvidos. Para a estudante Letícia Floriani Rodrigues, do curso técnico integrado em Química do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro, a falta de uma bolsa do programa Propicie poderia ter sido o fim deste sonho. Mas, com determinação e o apoio fundamental da família, ela está vivendo essa experiência na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima (ESA - IPVC), em Portugal.
Letícia está na 7ª fase do curso e embarcou para o intercâmbio em setembro, onde ficará por 90 dias. Apesar de já ter viajado para países da América do Sul, ela conta que a experiência de atravessar o oceano é única. “Sair do continente é uma sensação completamente diferente”, relata.
O desejo de explorar o mundo foi o que motivou a estudante a buscar o Propicie. “É um desejo que tenho desde que me entendo por gente. E, quando soube do intercâmbio no IFSC, uma luzinha se acendeu em minha cabeça”, lembra.
O processo seletivo, no entanto, foi desafiador. “Foi uma ansiedade do início ao fim, pois a seleção era rigorosa, já que exigia documentos, entrevista em inglês e ainda a sorte de ser escolhida para uma bolsa no nível técnico, competindo com aproximadamente 40 estudantes de toda Santa Catarina”.
A aprovação veio, mas sem a bolsa, o que acabou gerando muitas incertezas para Letícia. “Quando recebi a notícia de que havia sido selecionada sem bolsa, fiquei bastante abalada, pois não sabia se realmente conseguiria ir”, lembra. Foi então que a família entrou como peça-chave para tornar o sonho realidade. “Depois de conversar muito com meus pais, decidimos juntos que iríamos dar um jeito, mesmo sem o valor total”, conta. “Sei que meus pais trabalharam muito para que isso fosse possível. Esse sonho era tanto meu quanto deles, por isso sinto ainda mais gratidão e orgulho por viver essa conquista junto com eles”, afirma a estudante.
A confirmação do apoio familiar vem da mãe, Joice Floriani, que também é egressa do curso técnico Têxtil do mesmo câmpus. “Desde pequena a Letícia faz aulas de inglês e sempre nos falava que um de seus maiores sonhos era fazer um intercâmbio”, relembra Joice. E, quando foi necessário conversar sobre finanças para a viagem, a família abraçou o projeto da filha. “Veio o questionamento: dentro do nosso orçamento caberiam os valores para viagem, estadia, alimentação etc? Então nos organizamos para que o intercâmbio acontecesse”. A mãe complementa: “Parte do recurso a própria Letícia conseguiu com os projetos dos quais participou no IFSC, outra parte é da previdência privada que fizemos para ela e também de nossas economias”, detalha.
Sobre a decisão, a intercambista não tem dúvida de que foi acertada. “O dinheiro, de uma forma ou de outra, a gente recupera, mas a experiência e as memórias ficam para sempre no final de tudo”, garante.
Crescimento e novos aprendizados
Letícia nunca tinha morado longe da família, o que está tornando a experiência em Portugal ainda mais marcante. “Viver fora do país está sendo uma experiência de crescimento surreal. É um período que força a gente a ter independência, especialmente quando se está em outro país onde tudo funciona de um jeito diferente”, analisa. Atualmente ela está hospedada num alojamento da instituição de ensino e divide o quarto com outra estudante.
O projeto que escolheu para desenvolver no exterior chama-se “Produção de eletricidade e alimentos em células de combustível microbianas com plantas vivas em hortas verticais”. A escolha veio em função da possibilidade de ampliar seus conhecimentos. “Decidi por ele porque, embora quisesse algo que se encaixasse na minha formação técnica, eu também buscava integrar outras áreas, já que ainda estou no processo de decidir qual caminho seguir na minha vida profissional. Então foi a chance perfeita para explorar novos campos”, explica.
Letícia também destaca a parceria com o estudante Lucas Felipe Rieger, do curso técnico integrado em Modelagem do Vestuário do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro, com quem viajou e desenvolve o trabalho. “Ele é um ótimo parceiro pra tudo, o que faz toda a diferença!”, diz.
Apesar da rotina intensa, Letícia já conheceu cidades portuguesas como Ponte de Lima, Porto, e Viana do Castelo. “De longe, uma das melhores partes do intercâmbio é poder viajar! Está sendo incrível desbravar essas cidades; é uma mais linda e cheia de história que a outra”, comenta.
A saudade de casa, porém, é o principal desafio. “Sinto muita saudade dos meus pais, da minha irmã, dos meus gatos, e claro, dos meus amigos. É nessa hora que eu sinto falta de todo o carinho diário e das coisas que a família fez e faz por mim”, compartilha.
Incentivo para outros estudantes
Letícia não tem dúvidas sobre o valor da experiência e aconselha outros estudantes do IFSC a participarem do Propicie. “Uma dica que deixo para quem pretende se candidatar ao Propicie é marcar também a opção de ‘participar sem bolsa’, porque assim as chances de ser aprovado aumentam”. E, sobre o financiamento da viagem, ela sugere alternativas: “Caso seja selecionado sem a bolsa e não tenha condições financeiras no momento, é possível tentar vaquinhas, propostas de patrocínio e outras iniciativas para juntar o valor necessário”.
Segundo a intercambista, quem estuda no IFSC precisa aproveitar oportunidades como o intercâmbio estudantil. “Se você carrega o sonho de fazer um intercâmbio, não deixe a chance escapar. O Propicie é uma das portas mais valiosas que a instituição abre pra você. Entrar em contato com outras realidades é um investimento pesado no seu futuro e na sua forma de pensar. Por isso, não permita que o medo de tentar seja maior do que a vontade de viver”, finaliza.
A mãe, Joice, compartilha do mesmo sentimento e observa o crescimento da filha. “Estamos muito orgulhosos pela determinação e coragem da Letícia, em se aventurar em um país diferente... Essa experiência já está trazendo muitos aprendizados para sua vida pessoal e profissional e será um diferencial no seu currículo e na sua vida”, afirma.
Esta é a terceira reportagem de uma série que apresenta os estudantes do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro aprovados no Propicie em 2025. Além de Letícia, também estão na Europa as estudantes Júlia Rafaela Hanauer, do curso técnico integrado em Química, Gabriele Camile Albino, da graduação em Licenciatura em Física, e o estudante Lucas Felipe Reus Rieger, do curso técnico integrado em Modelagem do Vestuário. Os quatro representantes do câmpus estão realizando o intercâmbio em Portugal.
Atualmente o Propicie está com inscrições abertas! Para conhecer mais as oportunidades e sobre o prazo de inscrição, acesse o edital do programa disponível no site do IFSC.