Projeto submetido por estudante do IFSC é aprovado em programa de inovação de Florianópolis

INOVAÇÃO Data de Publicação: 30 out 2026 10:50 Data de Atualização: 30 out 2026 11:17

Um projeto submetido pelo estudante Germano Dolwitsch Coelho, da Engenharia de Telecomunicações do Câmpus São José, foi aprovado no Programa de Incentivo à Inovação (PII) da Prefeitura de Florianópolis. A iniciativa, chamada SmartFlux, propõe uma solução para monitorar o consumo de energia elétrica em condomínios e pequenas e médias empresas. Com a aprovação, o projeto está autorizado a buscar recursos por meio de incentivos fiscais concedidos a contribuintes do município.

Germano é também bolsista de pesquisa do Polo de Inovação do IFSC, unidade credenciada à Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), e estudou, ainda, no curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas do Câmpus Florianópolis.

A SmartFlux utiliza como proposta central a instalação de sensores conectados à internet para identificar o consumo de energia dos equipamentos eletroeletrônicos. As informações poderão ser acompanhadas pelo celular, permitindo que os responsáveis pelos imóveis identifiquem quais equipamentos consomem mais eletricidade e tomem decisões para otimizar o uso de energia.

A ideia começou a ser desenvolvida em 2025, durante o Startup Garage, programa realizado em parceria entre o IFSC e o Sebrae/SC para incentivar a inovação e o empreendedorismo nas instituições de ensino superior. Germano participou da iniciativa com o colega Marcos Vinicius Faustino, estudante do curso técnico em Telecomunicações do Câmpus São José. A equipe conquistou o segundo lugar na edição.

Mudança de foco

Inicialmente, a proposta tinha outro foco: monitorar furtos de cabos de energia. Durante o desenvolvimento do projeto, porém, os estudantes perceberam a possibilidade de direcionar a tecnologia para o acompanhamento da eficiência energética.

Depois da participação no Startup Garage, Germano buscou outras oportunidades para viabilizar a iniciativa. Em fevereiro de 2026, submeteu o projeto ao Programa de Incentivo à Inovação da Prefeitura de Florianópolis, com apoio do Centro de Inovação, Pesquisa, Empreendedorismo e Tecnologia da Universidade Federal de Santa Catarina (InPETU Hub).

O programa permite que contribuintes de Florianópolis destinem até 20% do valor devido do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) ou do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS) para financiar projetos de inovação. Assim, a aprovação da SmartFlux autoriza a busca por esses recursos, mas não significa que o financiamento já esteja garantido. A próxima etapa é conquistar contribuintes interessados em apoiar a iniciativa, que pode captar até R$ 180 mil pelo PII. 

"A gente agora vai ter que correr atrás do incentivo", destaca Germano. Com a captação, a expectativa dele é avançar pelas etapas de desenvolvimento, desde a criação de protótipos até os testes em ambiente operacional. Além do recurso financeiro, o programa prevê acesso a uma rede de mentores e ao ecossistema de inovação de Florianópolis.

Empreendedorismo e academia

Conciliar o desenvolvimento de uma iniciativa empreendedora com as atividades da graduação exige dedicação do estudante. Germano conta que precisa organizar a rotina para dar conta das demandas do curso de Engenharia de Telecomunicações e das etapas de desenvolvimento da SmartFlux.

Apesar dos desafios, ele avalia positivamente a experiência de transformar uma ideia de pesquisa em um projeto com possibilidade de chegar ao mercado.

“Conciliar a minha rotina de estudante com o empreendedorismo não é uma tarefa fácil, já que muitas vezes eu acabo sacrificando boa parte do meu lazer e às vezes da minha vida pessoal para focar tanto na minha engenharia quanto no meu projeto empreendedor. Mas eu diria que o que realmente me move é a paixão por querer inovar e por querer empreender. E toda essa experiência que eu estou vivendo, que já dura mais de um ano, está sendo muito gratificante, estou realmente colhendo ótimos resultados”, comenta.

O estudante avalia que conexão entre os conhecimentos obtidos nos cursos do IFSC que o ajudou a desenvolver a proposta de um negócio voltado a um problema concreto da sociedade.

"O curso [de Desenvolvimento de Sistemas] me deu toda a base na área de programação e desenvolvimento de software. E o projeto do Powercats, onde eu trabalhei junto com o professor Marcos Pisching, me deu toda a base de conhecimento na área de internet das coisas, inteligência artificial e monitoramento de energia, onde eu pude utilizar esses conhecimentos para atuar num projeto com uma solução inovadora e de impacto para a sociedade", diz.

O projeto da SmartFlux conta com orientação de um professor do IFSC (André Dala Possa, do Câmpus Florianópolis) e de um professor aposentado do IFSC (Roberto Alexandre Dias), além de um bolsista (Vinícius de Matos, estudante do técnico em Telecomunicações do Câmpus São José) e um estagiário (Marcos Vinicius Faustino, que integrou a equipe do Startup Garage).

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