TRABALHE NO IFSC Data de Publicação: 24 jul 2026 13:30 Data de Atualização: 24 jul 2026 14:48
Com inscrições abertas para a seleção de 65 novos servidores, os editais de concurso público do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) publicados nesta semana trazem uma mudança importante na forma de aplicação da política de reserva de vagas para pessoas negras, indígenas, quilombolas e com deficiência. A instituição deixa de utilizar o sistema de sorteio das vagas reservadas e passa a adotar a chamada metodologia da lista geral para estes casos, por meio de modelo que busca garantir maior efetividade ao preenchimento das cotas e ampliar a inclusão nos concursos públicos.
A nova metodologia será aplicada tanto no concurso para técnicos-administrativos em educação (TAEs) quanto no concurso para docentes. O modelo foi desenvolvido com base nas normas federais mais recentes e em diálogo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), sendo uma inovação para o IFSC, embora já seja adotado por outras instituições federais de ensino.
Confira a página do concurso público 2026
Segundo a diretora executiva do IFSC, professora Ana Paula Kuczmynda da Silveira, a mudança responde a uma preocupação identificada pela instituição nos últimos concursos. “Nós já tínhamos um incômodo muito grande com a baixa ocupação das vagas reservadas por cotas nos concursos públicos, tanto para técnicos quanto para docentes, porque utilizávamos como método o sorteio”, explica.
Até o último concurso, a definição das vagas reservadas ocorria antes da classificação dos candidatos. Na prática, isso podia gerar situações em que determinada vaga fosse destinada, por exemplo, à reserva para pessoas quilombolas em uma área específica de conhecimento, mas não houvesse candidatos quilombolas inscritos ou classificados para aquela vaga. Como consequência, parte das cotas acabava não sendo efetivamente ocupada.
O que muda com a lista geral
Com a nova metodologia, a lógica é invertida. Em vez de definir previamente quais vagas serão reservadas, os concursos passam a organizar os candidatos em cinco listas de classificação, todas em ordem decrescente de pontuação: uma lista geral e quatro listas específicas para pessoas quilombolas, indígenas, negras e pessoas com deficiência.
Após a divulgação do resultado, as vagas reservadas serão preenchidas pelos candidatos que tiveram sua autodeclaração ratificada mais bem classificados em cada modalidade de reserva, independentemente da área de conhecimento, cargo ou câmpus para o qual tenham concorrido, respeitando os quantitativos previstos em lei e as regras dos editais.
Ana Paula exemplifica a nova metodologia a partir da reserva de vagas para pessoas quilombolas, que corresponde a 2% do total previsto em lei. “Tanto no concurso para docentes quanto para TAE, teremos uma vaga destinada a esse grupo. Quem ocupará essa vaga? A pessoa candidata inscrita como quilombola que obtiver a melhor nota, independentemente da área do conhecimento e do câmpus (no caso de docente), ou do cargo e do câmpus (no caso de técnico)”.
O mesmo procedimento será adotado para as demais modalidades de reserva. Segundo a diretora, essa metodologia garante maior efetividade à política de cotas. "Se houver uma pessoa inscrita naquela modalidade de reserva e ela estiver classificada, ela ocupará a vaga. Assim, temos a garantia de que todas as cotas serão efetivamente preenchidas".
Listas também organizarão futuras nomeações
Outra mudança importante diz respeito às vagas que surgirem durante o prazo de validade do concurso. Além da lista de aprovados para as vagas imediatas, será formada uma lista geral única por área de conhecimento (no caso dos docentes) ou por cargo (para os TAEs), reunindo todos os candidatos classificados remanescentes.
“Assim, todos os candidatos classificados para Matemática, por exemplo, passarão a compor uma lista única da área, e não mais listas separadas por câmpus. O mesmo acontecerá com os cargos TAE: todos os classificados para Técnico em Assuntos Educacionais, por exemplo, ficarão em uma lista única do cargo”, explica Ana Paula.
Essa lista servirá de base para futuras nomeações. Sempre que surgir uma nova vaga, a convocação seguirá a ordem estabelecida no Anexo II dos editais, respeitando a alternância entre ampla concorrência e modalidades de reserva.
Acesse o edital para os cargos de TAEs
Acesse o edital para os cargos de docentes
Adequação às novas normas federais
A mudança também representa a adequação do IFSC às normas federais mais recentes sobre reserva de vagas em concursos públicos, que passaram a prever, além das vagas destinadas a pessoas negras e com deficiência, reservas específicas para pessoas indígenas e quilombolas. Os editais estabelecem percentuais de 25% para pessoas negras, 5% para pessoas com deficiência, 3% para pessoas indígenas e 2% para pessoas quilombolas.
Outra novidade é que, caso um servidor nomeado por meio de reserva de vagas deixe o cargo durante a vigência do concurso, a vaga continuará vinculada à mesma modalidade de reserva.
“Seguimos o regramento que determina que, uma vez investido no cargo, se um servidor que ingressou por reserva de vagas pedir vacância durante o período de vigência do edital, a pessoa chamada para ocupar essa vaga também deverá vir da mesma modalidade de reserva”, diz Ana Paula.
Mais inclusão e efetividade
Embora essas regras já estejam previstas na legislação nacional, esta é a primeira vez que o IFSC organiza seus concursos dessa forma. Para a diretora executiva, a nova metodologia busca tornar a política de cotas mais eficiente e alinhada ao seu objetivo de ampliar o acesso de grupos historicamente sub-representados ao serviço público.
Ela lembra que a alteração também atende a demandas de órgãos de controle. “Essa era uma preocupação importante. É uma questão que tanto o Ministério Público quanto o Tribunal de Contas da União vêm cobrando das instituições, e definimos essa metodologia a partir do diálogo com o Ministério da Gestão e da Inovação.”
Ao substituir o sorteio pela classificação em listas específicas, o IFSC espera reduzir situações em que vagas reservadas deixam de ser ocupadas por falta de candidatos em uma determinada área, aumentando a efetividade da política pública.
“Isso torna o processo muito mais inclusivo e garante que a política de reserva de vagas seja realmente efetiva. Também traz mais transparência ao processo, fortalece a diversidade nos nossos câmpus e amplia as possibilidades de redução das desigualdades”, conclui Ana Paula.