Experiências de economia solidária mostram como transformar conhecimento em desenvolvimento coletivo

SEPEI Data de Publicação: 28 ago 2026 11:47 Data de Atualização: 29 ago 2026 12:21

Enquanto expõe seus bordados, crochês, tricôs e pinturas na Feira de Economia Solidária do Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação do IFSC (Sepei 2026), a professora aposentada de cursos de qualificação do Câmpus Caçador, Maribel Valentini, ajuda a traduzir, na prática, o tema que também esteve em debate na manhã desta sexta-feira, dia 28 de agosto: como a economia solidária pode fortalecer o trabalho, a geração de renda e o desenvolvimento coletivo.

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A mesa-redonda sobre Incubadoras Tecnológicas de Economia Solidária nos Institutos Federais, uma das primeiras atividades da programação do 12º Sepei, reuniu representantes de experiências desenvolvidas no Instituto Federal da Bahia (IFBA), no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e no Instituto Federal de Alagoas (IFAL). A atividade também contou com a participação do pró-reitor de Extensão e Relações Externas do IFSC, Maick da Silveira Viana, e foi mediada pela diretora de Extensão do IFSC, Evelise Zerger, e pelo professor do Câmpus Chapecó Maycon Fritzen. 

A economia solidária parte de uma lógica diferente da organização tradicional do trabalho. Em vez da separação entre patrão e empregado, os próprios trabalhadores são responsáveis pelo empreendimento, participam das decisões e compartilham os resultados. A proposta busca colocar a valorização das pessoas acima da lógica do lucro e estimular relações baseadas na cooperação e na construção coletiva. 

Na abertura da mesa, Maick da Silveira Viana destacou que o IFSC já desenvolve ações relacionadas à economia solidária em diferentes câmpus e que a articulação entre essas experiências pode ampliar seu alcance. Para ele, trabalhar em rede permite compartilhar conhecimentos e fortalecer iniciativas que, isoladamente, teriam menor capacidade de transformação.

“Esse trabalho em rede é importante para consolidação. Quando trabalhamos em rede, somos mais fortes do que quando atuamos isoladamente”, afirmou. O pró-reitor também ressaltou a importância da troca de experiências com outros Institutos Federais e relacionou esse movimento à recente aprovação da incubadora de economia solidária do IFSC.

Segundo Maick, a temática também contribui para a formação dos estudantes, ao apresentar outras possibilidades de compreender as relações econômicas e sociais. “Uma economia que, para além da tradicional, seja mais solidária, mais parceira, pensando em um crescimento coletivo e não apenas individual”, destacou. 

Bahia: incubação como processo de transformação do território

A primeira apresentação foi conduzida por Alba Valéria Neiva Rodrigues, docente do IFBA e fundadora da Incubadora de Tecnologias, Economia e InterAções Solidárias (Teais/IFBA) e da Rede IF EcoSol de pesquisadores e extensionistas em economia solidária. A experiência da Teias começou a ser estruturada em 2021 e foi institucionalizada pelo IFBA em 2026. Atualmente, a chamada “Teia Territorial” reúne iniciativas distribuídas por 13 territórios da Bahia e quatro centros de referência, totalizando 17 iniciativas. 

O modelo apresentado por Alba mostra que a incubação vai muito além de oferecer apoio pontual a um empreendimento. O trabalho envolve mapeamento territorial, diagnóstico participativo, formação, assessoria técnica, autogestão, elaboração de planos de trabalho e apoio à comercialização. A proposta é acompanhar não apenas o empreendimento, mas os processos técnicos e organizativos envolvidos em sua construção. 

Entre os eixos de atuação estão ainda o desenvolvimento de tecnologias sociais, soluções agroecológicas e ambientais, fortalecimento de feiras, formação e qualificação, comunicação e autogestão. A Teias atende associações e cooperativas, mulheres empreendedoras, comunidades quilombolas, grupos produtivos e comunitários, agricultores familiares, marisqueiras e pescadores. São cerca de 3,3 mil pessoas alcançadas em 57 municípios. 

Rio de Janeiro: educação popular e economia solidária

Na sequência, Etiane Araldi apresentou a experiência da Incubadora Tecnológica de Economia Solidária (Ites) do Câmpus Niterói do IFRJ. Professora da instituição, ela desenvolve projetos de ensino, pesquisa e extensão em parceria com o Fórum Municipal de Economia Solidária de Niterói e pesquisa as relações entre economia solidária, tecnologia social e Educação Profissional e Tecnológica. 

A Ites reúne servidores, docentes, técnicos, integrantes externos, estudantes e ex-alunos. Um dos exemplos apresentados foi o trabalho de assessoria ao Grupo de Trabalho de Formação do Fórum Municipal de Economia Solidária. A iniciativa envolve diagnóstico e planejamento participativos, formação de educadores populares, produção de materiais didáticos e um ciclo anual de formação realizado desde 2020. A experiência já resultou na formação de centenas de trabalhadores por ano, além da realização de dezenas de cursos e eventos de extensão. 

Entre os projetos atuais estão ações de educação popular e economia solidária articuladas à Educação Profissional e Tecnológica, assessoria a empreendimentos, desenvolvimento de um aplicativo para a Rede de Economia Solidária de Niterói e a Cantina Solidária do Câmpus Niterói. 

Alagoas: respeito a realidade de cada grupo

A terceira experiência foi apresentada por Rodrigo Lucena, professor do IFAL e coordenador da Incubadora de Economia Solidária do Instituto Federal de Alagoas (IFAL Ecosol). A ação tem como foco associações e cooperativas artesanais, cooperativas de coleta seletiva e iniciativas de turismo de base comunitária. 

Criada a partir de uma comissão de implantação formada em 2022 e fundada em 2023, a IFAL Ecosol atualmente possui núcleos em 15 câmpus do estado. Sua missão é promover organizações populares autogestionárias por meio de processos de incubação voltados à inclusão social, geração de renda e redução das desigualdades. 

Um dos aspectos destacados na apresentação foi a flexibilidade do processo de incubação. A IFAL Ecosol trabalha com pré-incubação, incubação e pós-incubação, mas não estabelece um prazo fixo para o acompanhamento. O tempo depende da maturidade de cada empreendimento e as atividades são realizadas, sempre que possível, no próprio local onde a atividade econômica acontece, considerando a realidade de cada grupo. 

A experiência alagoana também articula economia solidária com autogestão e organização comunitária, tecnologias sociais digitais, agroecologia, turismo de base comunitária e educomunicação. Entre as iniciativas estão o desenvolvimento de softwares e aplicativos e projetos voltados à segurança alimentar, ao turismo e ao fortalecimento de organizações comunitárias. 

As diferentes iniciativas apresentadas na mesa fazem parte de um movimento mais amplo. A Rede IF Ecosol é uma articulação nacional de servidores da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica voltada ao fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão em economia solidária. Criada em 2022, reúne professores, técnicos e colaboradores de Institutos Federais e CEFETs e busca integrar autogestão, cooperação e solidariedade aos currículos e às práticas institucionais. 

Assista a transmissão da mesa-redonda:

 

Confira a agenda de transmissões:

28 de agosto - sexta-feira

  • 14h - Mesa-redonda: Memória e História do Contestado
  • 16h30 - Mesa-redonda: Diversidade, Inclusão e IA Generativa (IAGen): Racismo, Responsabilidade e Cidadania

29 de agosto - sábado

  • 11h - Jornada Startup IFSC - Pitch Final

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