EVENTOS Data de Publicação: 29 mai 2026 16:09 Data de Atualização: 29 mai 2026 16:32
A equipe Ad Astra, formada por estudantes de Engenharia Eletrônica e Engenharia Mecatrônica do Câmpus Florianópolis, garantiu o primeiro lugar na etapa da região Sul da 3ª Olimpíada Brasileira de Satélites (OBSAT). O evento presencial ocorreu em Palotina (PR), nos dias 24 e 25 de maio. A conquista classifica a equipe para a etapa nacional da competição, que estimula o desenvolvimento aeroespacial no Brasil e é promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com a UFSCar.
A equipe competiu no nível superior com um nanossatélite da categoria Cubesat, um equipamento em formato de cubo com 10 centímetros de aresta e pesando no máximo 450 gramas. O foco escolhido pelos estudantes catarinenses foi a análise atmosférica. "Fizemos uma missão de monitoramento climático e dos gases. Medimos qualidade do ar, concentração de oxigênio, gás carbônico, compostos voláteis e as medições foram bem interessantes", detalhou o mentor da equipe, professor Leandro Schwarz.
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A equipe foi montada em 2025, reunindo quatro alunos de Engenharia Eletrônica e três de Engenharia Mecatrônica. Segundo Schwarz, o grupo nasceu para atender ao interesse dos próprios discentes pela área. "Essa foi uma demanda que surgiu de um ex-aluno nosso do técnico. Ele trouxe a ideia, começamos a trabalhar em conjunto e surgiu a oportunidade de criar uma equipe para participar da Olimpíada como instituição", explicou o professor.
Mão na Massa e Troca de Experiências
A competição exige que as missões saiam do papel e se tornem protótipos totalmente funcionais. Gabriel de Oliveira Peres, aluno de Eletrônica e capitão da equipe, destacou o alto nível de exigência e o esforço do grupo para integrar hardware e software. "Trabalhamos pesado dia e noite, sem dormir. Claro que a gente sempre espera o primeiro lugar, mas a gente não se abalou com isso, só continuou trabalhando para fazer realmente o teórico virar prático e ser funcional", afirmou o estudante. Durante a etapa em Palotina, a vivência com outros competidores marcou os alunos. "Compartilhando experiência e dificuldade, a gente ria bastante: 'ah, a gente soldou um negócio errado, a gente queimou tal coisa'. É uma experiência que a gente carrega", relembrou Gabriel.
Foco na Permanência e no Mercado
Projetos de extensão e competições têm impacto direto na trajetória dos universitários. O mentor da equipe avalia que a aprovação técnica recebida na feira reflete o padrão de qualidade ensinado no IFSC. "Isso ajuda demais a fixar o aluno dentro da instituição. O aluno se sente mais animado para poder continuar seus estudos e ir adiante. Foi bom também porque, de forma geral, o trabalho que a gente apresentou, todos os avaliadores e os outros participantes acharam que estava num nível bastante elevado de qualidade técnica. E é a qualidade que a gente ensina e exige para os nossos estudantes aqui”, pontuou o professor Schwarz.
Para Gabriel, a experiência confirmou seus planos profissionais. "Contribuiu 100%, porque é a área que eu quero seguir. A gente constrói placa, faz o software, integra tudo e é o que a vida hoje pede", projetou o capitão, que almeja trabalhar com sistemas embarcados na aviação.
Democratização e Mulheres na Ciência
O projeto também atua como um democratizador do acesso à ciência. Gabrielly Jacobsen Oliveira, aluna de Mecatrônica, entrou na equipe focada na comunicação técnica e hoje atua na modelagem 3D do satélite. "É algo que a gente não tem contato na infância ou adolescência. Parece tão inalcançável, e a equipe surgiu como uma oportunidade de democratizar esse acesso ao espaço", observou a estudante.
Sendo uma das duas mulheres do grupo, Gabrielly também vê sua participação como uma ferramenta de incentivo. "Nós mulheres ainda somos minoria nos cursos de engenharia. Cada uma de nós vai incentivando outras pessoas, outras mulheres a entrar nesse ambiente da tecnologia e da engenharia aeroespacial", ressaltou.
Infraestrutura e Próximos Passos
Com a vaga garantida, os estudantes farão novos aprimoramentos técnicos (upgrades) no protótipo para a fase nacional, ainda sem data de ocorrer. O sucesso, segundo os próprios alunos, depende do suporte institucional. "Aqui a gente consegue ter acesso aos laboratórios, aos componentes que a gente precisa. Sem a instituição, o nosso projeto não seria possível", finalizou Gabrielly. A equipe está classificado oficialmente como uma equipe de competição oficial do câmpus e agora busca parceiros para continuar os projetos.
Compõem a equipe Ad Astra:
Gabriel de Oliveira Peres
Gabrielly Jacobsen Oliveira
Eduardo Rodolfo de Simas
Heitor Sampaio Mendes
Jonas Goedert Morsch
Vitor Gregório da Costa Gomes
Tâmara Grasiele Lima Miranda