Câmpus Florianópolis tem pesquisa premiada nacionalmente por desenvolver software inovador para exames de mamografia

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 26 jun 2026 15:55 Data de Atualização: 26 jun 2026 16:03

Uma pesquisa que transforma o conhecimento acadêmico em uma ferramenta prática de saúde pública rendeu ao Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) o reconhecimento nacional. A dissertação de Izabel Cristina Dell Antônio Piva, aluna do Mestrado Profissional em Proteção Radiológica do Câmpus Florianópolis, foi a vencedora do Prêmio Assistec Inova de Pesquisas em Inovação e Empreendedorismo na Pós-Graduação Stricto Sensu.

O prêmio, promovido pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação (MEC), foi entregue durante a 4ª edição do Encontro Nacional de Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade na Educação Profissional e Tecnológica (InovEPT), realizada em junho, em Brasília.

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O trabalho desenvolvido por Izabel, sob a orientação da professora Juliana Melo e coorientação da professora Andrea Huhn, resultou na criação do "Seno", um software projetado para auxiliar no controle de qualidade clínico no posicionamento mamográfico. O projeto contou com o apoio de um programador contratado e do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do IFSC, para garantir o sigilo da tecnologia durante seu desenvolvimento e seu registro tecnológico.

Da teoria à prática no SUS

A ideia para o desenvolvimento da ferramenta não começou agora. Ela surgiu alguns anos atrás a partir de uma necessidade real de serviços de saúde, trazida pela ex-orientanda Geórgia. Inicialmente, o objetivo era desenvolver o software, mas a pesquisa precisou focar primeiro na definição e validação dos critérios técnicos de qualidade para a mamografia. "A Geórgia fez esse trabalho, que foi a dissertação dela. E aí, então, logo em seguida, entrou a Izabel com esse desafio de colocar tudo o que a Geórgia descobriu nas evidências e também com radiologistas experientes. A partir daí transformou num software", relembra a professora Juliana Melo.

Para a autora do projeto, a criação do software representa um avanço direto no cuidado às pacientes. O programa automatiza a avaliação da qualidade da imagem, verificando se o posicionamento foi adequado antes que o exame chegue ao médico. "Entre os benefícios esperados, estão principalmente a redução dos erros de posicionamento, evitando então um falso positivo ou um falso negativo para o diagnóstico, a diminuição da necessidade de repetição de exames e a melhoria da qualidade das imagens", detalha Izabel, ressaltando ainda o "apoio ao treinamento dos profissionais" e uma "maior segurança para os pacientes", complete.

O "Seno" já teve um protótipo desenvolvido e registrado, passando por rigorosos testes de usabilidade. A ferramenta também funciona como uma plataforma de gestão, já que, segundo a pesquisadora, além de registrar as avaliações, o software "vai gerar indicadores de melhorias do programa ou dos profissionais que não estão alcançando aquele determinado critério".

Para o futuro, a equipe pretende aplicar o sistema na prática, buscando inclusive novas formas de investimento, como por meio do edital FAPESC Mulheres na Ciência. A meta é agregar recursos de Inteligência Artificial e automação ao protótipo. "A gente vai continuar. Então, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) vão ter essa essa possibilidade de garantir que para o médico o exame está chegando de forma adequada", garante a orientadora Juliana.

Reconhecimento de impacto

A dissertação alcançou 97 pontos de 100 possíveis na avaliação nacional do Prêmio Assistec Inova EPT, obtendo a melhor nota do Brasil entre os projetos submetidos. Como recompensa, Izabel foi convidada com tudo pago para o InovEPT, em Brasília, onde pôde apresentar o trabalho, conhecer outros projetos inspiradores e receber sua placa de homenagem assinada pelo Secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli.

"Receber o prêmio foi uma emoção muito grande, uma validação que tudo valeu a pena. Todo o esforço investido ao longo do mestrado", desabafa Izabel, relembrando os três anos de estudos, leitura de artigos e dedicação ao desenvolvimento do projeto. "Foi muito tempo dedicado e ver esse trabalho ser reconhecido nacionalmente, foi extremamente gratificante", complementa a aluna.

Para a professora Juliana, que integrou a primeira turma do curso superior de Tecnologia em Radiologia do próprio IFSC, em 2003, a conquista tem gosto de retribuição à instituição formadora. "Eu caracterizo como missão cumprida, né? Eu acho que é para isso que nós estamos aqui", afirma a docente.

Ela ainda ressalta o orgulho de conduzir uma pesquisa encabeçada por um time feminino. "Somos quatro mulheres trabalhando numa área de tecnologia, numa área dura. Então, ver essa articulação, a educação fazendo sentido, promovendo mudanças, promovendo ganhos, isso nos deixa bastante orgulhosas", finaliza Juliana, sublinhando a contribuição do prêmio para a avaliação do curso na Capes e para a consolidação do mestrado no cenário nacional, o único do país na área de proteção radiológica.

 

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