PESQUISA Data de Publicação: 29 set 2026 18:11 Data de Atualização: 29 set 2026 18:17
A aproximação entre o Câmpus Garopaba do IFSC e a comunidade da Gamboa ganhou um encaminhamento concreto após a roda de conversa realizada em 16 de setembro, no Centro Multiúso do câmpus. O encontro reuniu estudantes e professores do curso de Gestão Ambiental e representantes da comunidade para discutir a contaminação de um córrego que desemboca no mar em uma área de grande circulação de banhistas. A discussão abriu possibilidades para a realização de trabalhos de conclusão de curso (TCCs), projetos de pesquisa e ações de extensão voltados à compreensão do problema e à busca de alternativas.
A atividade foi motivada pela procura da Associação pelo IFSC. Antes do encontro com os estudantes, a direção-geral do câmpus e a coordenação do curso estiveram no território da comunidade para conhecer a situação relatada. A entidade busca apoio técnico para compreender as condições do córrego, identificar possíveis fontes de contaminação e avaliar alternativas que possam contribuir para a redução dos impactos.
Para a diretora-geral do Câmpus Garopaba, Renata de Sousa Pimenta, a aproximação permite que a formação acadêmica esteja vinculada às questões concretas da região. “A produção científica precisa estar articulada com a realidade. Trazer os problemas do território para os estudantes é materializar essa concepção do fazer científico”, afirma.
Uma demanda do território dentro da formação
Durante a roda de conversa, os representantes da Associação apresentaram aos estudantes o histórico do problema e as dificuldades enfrentadas pela comunidade. Segundo o coordenador do curso de Gestão Ambiental, Renato da Silva Rosa Rodrigues, o córrego está localizado no canto da Praia da Gamboa e suas águas desembocam diretamente no mar, em uma região com grande circulação de banhistas.
Foram discutidas questões relacionadas à qualidade da água, aos possíveis riscos ambientais e à saúde pública, além das iniciativas já realizadas pela comunidade em busca de respostas. A Associação relatou contatos com a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e com a administração municipal e destacou a necessidade de apoio técnico para compreender melhor a situação e avaliar possibilidades de intervenção.
A partir de uma demanda concreta como essa, explica Renato, diferentes áreas de conhecimento do curso podem ser mobilizadas. Antes de propor qualquer solução, seria necessário realizar um diagnóstico técnico e ambiental, com identificação das possíveis fontes de contaminação, análises físico-químicas e microbiológicas da água, avaliação da vazão e das condições do entorno e levantamento de estudos e laudos já existentes. “Essas informações permitiriam compreender a origem e a dimensão do problema e avaliar posteriormente as alternativas de intervenção”, explica o coordenador.
O trabalho também pode envolver temas como saneamento básico, tratamento e filtragem de efluentes, educação ambiental, gestão de recursos hídricos e avaliação de impactos ambientais. Para os estudantes, a experiência permite relacionar os conhecimentos desenvolvidos ao longo do curso com uma situação existente no território onde vivem e atuam. “Além da formação técnica, a iniciativa possibilita aos estudantes compreenderem o papel do profissional de Gestão Ambiental na identificação de problemas, produção de diagnósticos, proposição de alternativas e diálogo com comunidades e instituições públicas”, destaca Renato.
Interesse em pesquisas e projetos
A roda de conversa já resultou em manifestações de interesse de estudantes em desenvolver trabalhos relacionados à situação apresentada pela comunidade. De acordo com a diretora-geral do câmpus, a proposta é que se avance o diálogo com a Associação. “Os estudantes que manifestaram interesse em realizar seus TCCs, juntamente com os professores orientadores, irão se articular com a Associação para criar o plano de trabalho que definirá as etapas de pesquisa”, explica Renata.
O curso também avalia a possibilidade de desenvolver projetos de pesquisa e extensão e de articular a demanda com pesquisadores de outros câmpus do IFSC. Outra possibilidade é integrar as atividades ao Projeto de Monitoramento Microbiológico das Lagoas e Mares de Garopaba e Região. A busca por recursos para viabilizar as iniciativas também está entre os próximos passos, incluindo a participação em editais e outras possibilidades de financiamento, como a captação de recursos por meio de emendas parlamentares.
Para a Associação Conselho Comunitário de Gamboa, a parceria representa uma possibilidade de obter dados e conhecimento técnico que ajudem a comunidade. O presidente da entidade, Lauri Machado, explica que a preocupação com o córrego acompanha a comunidade há anos e se intensificou com o crescimento da ocupação da região. “A comunidade está convivendo com esse problema há muitos anos, desde que isso aqui praticamente se tornou balneário. Antes o córrego não era tão contaminado; depois, quando começaram a aparecer mais residências, mais condomínios e mais habitações na comunidade, aí piorou muito a qualidade da água”, relata.
Segundo Lauri, a localização do ponto de desembocadura aumenta a preocupação dos moradores, já que o córrego chega ao mar em uma das áreas mais frequentadas da praia. A expectativa da Associação é contar com o conhecimento técnico produzido pelo IFSC para compreender as causas da contaminação e avaliar alternativas que possam reduzir seus efeitos. “Nós esperamos que somente uma instituição de ensino com a tecnologia que o IFSC tem poderá nos auxiliar para apresentar um projeto técnico que venha a solucionar essa situação. Seja filtrando, minimizando ou eliminando a bactéria presente na água, para evitar a contaminação dos banhistas”, afirma.
Próximas etapas
A continuidade da parceria deverá começar pela aproximação dos estudantes com o local onde o problema foi identificado. A Associação espera receber os acadêmicos para uma visita técnica, na qual eles poderão conhecer as características do córrego e do seu entorno. “Nós encaminhamos o primeiro passo: a visita dos acadêmicos ao local. Eles poderão verificar o nível da água, onde é que decanta, onde é que não decanta, como é que acumula. Esse primeiro passo é para eles conhecerem a geografia do local e, a partir daí, estudar o tipo de projeto que pode ser elaborado”, explica Lauri.
A visita será uma etapa inicial para que as futuras pesquisas sejam construídas a partir das características observadas no território e das informações técnicas que ainda precisam ser levantadas. A partir desse diagnóstico, estudantes, docentes, técnicos e representantes da comunidade poderão definir os caminhos de pesquisa e extensão mais adequados.