ENSINO Data de Publicação: 21 jul 2026 14:52 Data de Atualização: 21 jul 2026 15:34
Uma formação internacional, a oportunidade de vivenciar outra cultura acadêmica e a possibilidade de concluir a graduação já com um diploma de mestrado. Esse é o cenário que passa a se abrir para estudantes do curso de bacharelado em Engenharia Química do Câmpus Lages do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), com a aprovação do Programa de Dupla Titulação entre a instituição e a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), em Portugal.
A iniciativa foi aprovada pelo Colegiado de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) por meio da Resolução Cepe/IFSC nº 49, de 9 de julho de 2026, que institui o programa de dupla titulação entre a graduação no IFSC e o mestrado em Engenharia Biológica e Química da instituição portuguesa. A resolução entra em vigor em 3 de agosto de 2026.
Para a coordenadora do curso de Engenharia Química, professora Carolina Berger, a parceria representa um importante avanço na formação oferecida aos estudantes e amplia as possibilidades de cooperação acadêmica entre as duas instituições.
Segundo ela, além da experiência internacional, os estudantes terão acesso a linhas de pesquisa e aprofundamentos que complementam a formação oferecida pelo Câmpus Lages. A parceria também favorece o desenvolvimento de pesquisas conjuntas, projetos de cooperação e o intercâmbio entre docentes e técnicos das duas instituições.
Como funcionará a dupla titulação
Pelo programa, estudantes que tiverem concluído o oitavo semestre da graduação poderão participar de um processo seletivo para cursar o último ano da formação em Portugal. Durante esse período, eles frequentarão disciplinas do mestrado no IPS, enquanto desenvolvem uma dissertação equivalente ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) exigido pelo IFSC.
As disciplinas cursadas em Portugal serão aproveitadas como parte da matriz curricular dos últimos semestres da graduação no curso em Lages. Ao final do processo, a defesa do trabalho ocorrerá de forma conjunta entre as instituições, possibilitando a dupla titulação.
Para Carolina Berger, um dos maiores diferenciais do programa é justamente permitir que o estudante obtenha duas titulações dentro do período regular previsto para a graduação.
"Um aluno que se dispõe a fazer esse percurso tem, em cinco anos, dois diplomas: o de engenheiro químico pelo IFSC e o de mestre pela instituição portuguesa. Isso amplia significativamente suas possibilidades profissionais e proporciona uma formação diferenciada, com conhecimentos que vão além daqueles oferecidos pelo curso de graduação", destaca a coordenadora.
Acordo prevê primeiras vagas em 2027
O acordo é resultado de um trabalho iniciado em 2024, quando ex-coordenador do curso, professor Diego Machado, esteve em Portugal para alinhar os currículos e identificar equivalências entre as disciplinas da graduação brasileira e do programa de mestrado oferecido pelo Instituto Politécnico de Setúbal. Ao longo desse período, foram definidos os critérios acadêmicos, as formas de aproveitamento dos estudos e os procedimentos para participação dos estudantes.
De acordo com Carolina Berger, a instituição portuguesa foi escolhida por possuir um programa de mestrado consolidado, com oferta anual de vagas, além de linhas de pesquisa que dialogam diretamente com a formação do curso de Engenharia Química do Câmpus Lages e permitem aprofundamentos em áreas estratégicas, como a biotecnologia.
A expectativa é que os primeiros participantes ingressem no programa já em 2027. Inicialmente, o Instituto Politécnico de Setúbal disponibilizará três vagas anuais com isenção das taxas acadêmicas para estudantes do IFSC. Um edital para seleção dos candidatos deverá ser publicado ainda no segundo semestre desse ano.
Internacionalização fortalecida
Além dos benefícios diretos aos estudantes, o programa reforça a estratégia de internacionalização do IFSC. Com a nova parceria, o Câmpus Lages passa a contar com acordos internacionais em todos os seus cursos de graduação. Segundo Carolina Berger, a iniciativa amplia as possibilidades de cooperação entre pesquisadores, fortalece a realização de projetos conjuntos, favorece a oferta de palestras e atividades acadêmicas entre as instituições e cria novas oportunidades de capacitação para servidores.
Ela ressalta ainda que a experiência internacional vai além da formação técnica, proporcionando crescimento pessoal, contato com diferentes culturas e novas perspectivas profissionais. “Essa troca enriquece muito, tanto a parte do ensino quanto das pesquisas, e proporciona muitos benefícios, alguns dos quais ainda vamos vivenciar com o retorno desses alunos, trazendo suas histórias e suas ascensões no mercado de trabalho através dessas portas que vão se abrir para eles também”, finaliza.