ENSINO Data de Publicação: 01 out 2026 14:13 Data de Atualização: 01 out 2026 14:31
Estudante Gustavo Tonche aproveitou atuação na competição para apresentar o projeto a empresários; parceria com uma das equipes do rali já está fechada.
A recém-criada equipe de Baja “Puma do Vale”, do IFSC Câmpus Jaraguá do Sul-Rau, encontrou no Rally dos Sertões uma oportunidade inesperada de buscar patrocinadores. Foi lá que o estudante Gustavo Cinigalha Tonche, da 2ª fase de Engenharia Mecânica, aproveitou sua atuação na competição para apresentar a iniciativa do IFSC a empresários de diferentes segmentos – e já colhe os primeiros resultados.
Gustavo passou cerca de duas semanas (de 18 a 31 de agosto) na edição deste ano do Rally dos Sertões, entre Goiânia (GO) – cidade-sede da prova – e um trecho que passou por Cavalcante (GO), Luiz Eduardo Magalhães (BA), Mateiros (TO), Porto Nacional (TO), Minaçu (GO), Niquelândia (GO) e Goianésia (GO), antes de retornar a Goiânia. Lá, ele atuou como “apoio rápido” da equipe Bianchini Rally, de Alphaville (SP): “No Rally dos Sertões eu faço parte da equipe de apoio rápido, que dá suporte direto aos pilotos em momentos de abastecimento, hidratação e alimentação, nos pontos certos da prova”, explica o estudante.
Foi conciliando esse trabalho e a procura por patrocinadores que ele acabou representando o IFSC na competição. “Sempre que possível eu fazia a busca de patrocinadores por onde eu estava, representando o Instituto e o nosso projeto Baja. Foram muitos contatos, muitas conversas e isso já começou a dar resultado”, conta.
A paixão
Aos 18 anos, Gustavo já tinha contato com o universo automotivo antes mesmo de entrar no IFSC. “Meu interesse por carro vem do meu pai. Desde pequeno sempre tive muito contato com carro por causa dele. Começamos no 4x4, com uma Ranger antiga, e foi crescendo... Sempre fizemos expedição off-road, viagem, trilha de Jeep. A paixão vem dessas expedições, da cultura das corridas”, relembra.
A família construiu, ao longo dos anos, uma trajetória no rali: o pai dele, Alexandre Tonche, passou a atuar como apoio rápido da equipe Bianchini Rally em 2020 e, a partir de 2022, Gustavo começou a acompanhá-lo nas provas.
O estudante de Engenharia Mecânica já conhecia o Baja antes de ingressar no IFSC. “Antes de chegar aqui, eu fiquei de olho numa faculdade particular de São Paulo, a FEI, que tem um dos maiores Bajas do país. Cheguei a estudar lá por algumas semanas antes de sair o resultado do Sisu, e foi assim que vim pro IFSC. Mas eu só pensava: eu tenho que participar de algum jeito do Baja”, relembra.
Segundo ele, a ideia de criar a equipe no câmpus também nasceu dessa bagagem compartilhada com o colega Giovane Miranda Zavataro, já que os dois tinham experiência prévia na área antes de entrarem no Câmpus Jaraguá do Sul-Rau.
Patrocínios
Apesar da meta ousada de captar 120 mil reais, a busca por apoiadores já acumula as primeiras conquistas. “Temos um patrocínio confirmado, só falta fechar o valor: a equipe Bianchini Rally, que eu represento no Rally dos Sertões e em outras provas de Rally Raid, já disse que vai patrocinar a gente”, destaca Gustavo.
Além da negociação com a Bianchini Rally, a professora Vanessa Hopner, orientadora do projeto no câmpus, conta que uma oficina mecânica já sinalizou – ainda sem compromisso formal – a intenção de doação de peças para a equipe e que também foram enviados ofícios a lojas de ferramentas da região em busca de apoio. “Também estamos esperando resposta do setor social de um banco digital e tivemos o retorno de uma empresa do ramo de segurança veicular que poderia fornecer itens como cintos de segurança para o nosso protótipo”, detalha.
Em todos os casos, a contrapartida oferecida pela equipe Puma do Vale aos apoiadores é a divulgação da marca em eventos e sempre que a equipe de Baja estiver presente em algum espaço.
Interesse e desafio
Segundo Gustavo, o interesse das empresas costuma vir do caráter institucional do projeto. “No Rally dos Sertões, aproveitei para procurar vários empresários, porque lá tem gente de todo segmento. Eles perguntaram bastante sobre o projeto, porque muitos nem conheciam o que era o Baja. E o fato de aqui ser um instituto público, com um projeto que precisa seguir diversas normas, faz as empresas verem uma oportunidade e se interessarem”, explica.
Para o estudante, o maior obstáculo não é a resistência das empresas, mas a agenda apertada dos empresários. “Não é uma questão de aceitar ou não o projeto, pois as empresas demonstram interesse. Mas priorizamos falar com empresários grandes, geralmente muito ocupados… Esse acaba sendo o nosso maior desafio. Felizmente diversas empresas já estão com nossa proposta em mãos e fazendo a análise”, diz Gustavo.
Sala de aula
Conciliar as viagens ao rali com os estudos também exige organização e negociação. Segundo o estudante, foi necessário diálogo com professores e com a Coordenadoria Pedagógica para evitar que a dedicação à competição nacional atrapalhasse os estudos. “Tenho o apoio dos professores nessas ocasiões, mas precisei negociar com um professor por causa de uma prova que perdi. Ainda bem que o Rally dos Sertões geralmente acontece bem no início do semestre, então eu consigo recuperar tudo depois. A equipe pedagógica já sabe que eu faço isso todo ano e tem me dado apoio quando preciso”, conta.
Para Gustavo, participar do projeto Baja é também um investimento na própria trajetória acadêmica. “O Baja é um projeto reconhecido no Brasil e no mundo. Depois da faculdade, isso faz diferença, pois mostra que você passou por todo um processo de trabalho em equipe que não é fácil”, avalia.
O estudante também destaca o papel da orientadora do projeto, professora de matemática Vanessa. “Ela é uma orientadora maravilhosa, está sempre nos motivando a buscar o melhor para a equipe”, elogia.