Festival Afrocultural promove 13 horas de cultura, debate e reconhecimento no IFSC

EVENTOS Data de Publicação: 03 dez 2025 20:17 Data de Atualização: 05 dez 2025 10:38

O Câmpus São Miguel do Oeste do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) recebeu o 5º Festival Afrocultural, no Dia da Consciência Negra (20 de novembro), um evento que integrou a programação da Semana da Consciência Negra do IFSC e movimentou o câmpus durante mais de 13 horas de atividades voltadas à valorização da cultura afro-brasileira, da educação antirracista e do fortalecimento das lutas por igualdade racial no extremo oeste catarinense.

O evento foi realizado pela Associação de Afrodescendentes de São Miguel do Oeste (Afrodesmo) e contou com recursos do edital Circuito Catarinense de Cultura (2024) e da Fundação Catarinense de Cultura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Ao longo do dia, foram realizadas apresentações artísticas, oficinas, rodas de conversa, teatro, feira de economia solidária e gastronomia ancestral.

“Receber este evento em nosso câmpus coroou uma Semana da Consciência Negra iniciada com cine debates, mesas-redondas e palestras, e encerrada com uma vibrante celebração da diversidade. A presença da aldeia indígena Toldo Imbu trouxe uma dimensão especial, lembrando que as lutas dos povos indígenas e afrodescendentes se entrelaçam. Foi um momento de brasilidade, com novos olhares, sons e cores, reafirmando a parceria entre o IFSC Câmpus São Miguel do Oeste e a Afrodesmo, uma relação que esperamos fortalecer cada vez mais”, afirma o diretor-geral do Câmpus SMO, Diego Nones Bissigo.

Para Isete Lourenço, presidente da Afrodesmo, a continuidade do festival representa mais do que resistência cultural: “O festival deixa claro que a semente plantada germinou, criou raízes profundas e se fortaleceu. Hoje, ele é um espaço de encontro, aprendizado e reconhecimento das contribuições históricas e contemporâneas da população negra para a construção do nosso país.”

Gabrielle Heinz, integrante da Afrodesmo, vê o evento como uma forma de conscientizar as pessoas para questões do racismo e também ter contato com várias formas de artes. “Além de fortalecer a cultura negra, nós também tivemos um espaço aberto para os indígenas virem apresentar a arte deles. Então eu vejo como um espaço plural. E é um momento também muito importante para que as pessoas conheçam o Afrodesmo, para que a gente consiga que cada vez mais pessoas entendam o que é a Associação, a importância que ela faz e vejam que existe população preta em São Miguel do Oeste”. 

O educador social e integrante da Afrodesmo, Valdemar Lourenço, reforça o papel histórico e político do evento: “As oficinas destacaram conhecimentos tradicionais e contemporâneos, como agrofloresta e agricultura sintrópica na resiliência ancestral, gastronomia, arte e cultura alimentar, e artesanato tradicional e manejo sustentável. Além delas, o festival promoveu rodas de conversa, como “Desmistificando o 13 de Maio”, ampliando o espaço de debate e conscientização”.

Ao longo de todo o dia, centenas de pessoas circularam pelo Câmpus São Miguel do Oeste do IFSC, entre estudantes, docentes, artistas, lideranças comunitárias e moradores da região. O público acompanhou apresentações de escolas estaduais e municipais, exibições de capoeira com a Capoesmo, dança indígena com o Grupo Mug Tóg Mur (Terra Indígena Toldo Imbú), além de atrações musicais como Mistura no Samba, Pagode 10 e Faixa, Entre Cantos e Resistências, e a performance teatral “Vozes e Memórias de Lélia Gonzalez”. A Feira de Economia Solidária complementou a programação, destacando o empreendedorismo local, a sustentabilidade e a circulação de saberes comunitários.

Saiba mais

Fundada em 2010, a Afrodesmo consolidou-se como um movimento de promoção da cultura afro-brasileira e na articulação de debates sobre direitos humanos no oeste de Santa Catarina. “Sentimo-nos provocados pela força ancestral, sendo suas contribuições importantíssimas para o desenvolvimento e progresso sustentável em todas as áreas, seja do conhecimento científico ou da sabedoria popular em nosso país. Com o objetivo de conhecer não só a história afro-brasileira em São Miguel do Oeste, mas também o que nos foi negado, enquanto descendentes de África”, afirmam Isete e Valdemar Lourenço.

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