IFSC Câmpus Lages debate ressocialização e segurança escolar em encontro com Tribunal de Justiça e sistema penal

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 03 set 2026 20:36 Data de Atualização: 03 set 2026 21:24

O IFSC Câmpus Lages contou, na tarde de 31 de outubro, com um momento inédito de diálogo entre a comunidade escolar, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), o Conselho da Comunidade de Lages e representante do sistema de execução penal. O encontro, organizado pela direção do câmpus, teve como objetivo aprimorar os procedimentos institucionais relacionados ao acompanhamento e ao acolhimento de estudantes que frequentam a instituição enquanto cumprem decisões judiciais.

Atualmente, o Câmpus Lages possui estudantes em situação de privação de liberdade matriculados em cursos destinados ao público adulto. Neste semestre, ingressaram estudantes nessa condição nos cursos técnicos em Eletrotécnica, Biotecnologia e Desenvolvimento de Sistemas. 

Para promover o diálogo, esclarecer dúvidas, acolher preocupações e debater a segurança e os fluxos institucionais, o evento reuniu professores, coordenadores de curso, servidores técnico-administrativos e profissionais terceirizados. A conversa foi conduzida pelo juiz da 4ª Vara Cível de Lages e coordenador do Núcleo da Justiça Restaurativa, Dr. Alexandre Takaschima; pela presidente do Conselho da Comunidade da Comarca de Lages, Dra. Denise Paz; e pelo policial penal e coordenador laboral do Presídio Regional de Lages, Douglas Silva Alves.

Para o Dr. Alexandre Takaschima, a aproximação entre as esferas é essencial para o sucesso do processo. "É fundamental estreitarmos o diálogo entre a educação, o sistema de segurança e o sistema de justiça. Respeitar as singularidades do processo de formação e de educação juntamente com a ideia da execução penal é um caminho perfeito", destacou o magistrado.

O juiz também fez questão de tranquilizar a comunidade externa, como pais e alunos. "O pilar básico para a educação na execução penal é justamente que haja a segurança para todos, seja para a instituição, professores ou discentes. É a partir dessa base que nós vamos trabalhar todo o direito de educação dos apenados, mas sem abrir mão do direito da comunidade como um todo", garantiu Takaschima.

A educação como transformação

A advogada Dra. Denise Paz explicou o papel fiscalizador do Conselho da Comunidade em relação à garantia da saúde, estudo e profissionalização dentro do sistema penal. Para ela, a abertura da instituição tem um papel transformador.

"Isso mostra que a sociedade está aberta à ressocialização e que as unidades de ensino têm um papel fundamental de transformação social. A educação transforma a reflexão do cidadão, mostrando que não vale a pena reincidir. A educação dá poder. E esse poder vem através do IFSC, que inclusive considero uma das melhores instituições hoje do Estado", elogiou Denise.

Durante o evento, o policial penal Douglas Silva Alves ressaltou o papel fundamental dos docentes na construção de um ambiente de isonomia e respeito. "É muito importante ter esse contato direto com os professores e coordenadores, pois eles são os guias dentro da sala de aula. Trabalhar a reintegração entre as pessoas privadas de liberdade e as pessoas livres vai recair muito mais sobre os ombros do professor, que lidará diariamente com as questões pedagógicas e de convivência", explicou o coordenador laboral.

Acompanhamento institucional

No IFSC Câmpus Lages, o acompanhamento desses estudantes é realizado pela Coordenadoria Pedagógica. A assistente social do Câmpus, Eliane Correa Costa, destaca que a parceria com os órgãos de segurança contribui para garantir maior tranquilidade e segurança ao processo de acompanhamento dos estudantes.

A educação é um importante instrumento de transformação social e de construção de novas possibilidades de vida. Garantir o acesso de pessoas em situação de privação de liberdade à educação pública significa reconhecer a educação como um direito e contribuir para o fortalecimento de vínculos, da autonomia e de novas perspectivas para o futuro. Para isso, a articulação entre o IFSC, a Justiça e os órgãos do sistema penal é fundamental para um acompanhamento responsável e adequado às especificidades desses estudantes.

“Todo o acompanhamento é realizado de forma responsável e articulada com os órgãos competentes, considerando as necessidades dos estudantes e a dinâmica da instituição. O diálogo e a atuação conjunta possibilitam que a educação seja ofertada de maneira acolhedora e responsável, respeitando os direitos de todos que integram a comunidade escolar”, afirma Eliane.
 

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