IFSC reforça atuação em políticas de permanência e êxito estudantil em eventos nacionais

EVENTOS Data de Publicação: 24 abr 2026 08:32 Data de Atualização: 24 abr 2026 08:44

A participação do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) em dois importantes eventos nacionais realizados em Brasília (DF), na última semana, reafirma o papel estratégico da instituição no enfrentamento à evasão escolar e na construção de políticas públicas voltadas ao acesso, à permanência e ao êxito dos estudantes. Quatro servidores e um aluno estiveram entre os presentes no Seminário Nacional Acesso, Permanência e Êxito dos Estudantes e no Seminário Nacional da Rede APE, ambos promovidos pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec).  

Na terça-feira, dia 14 de abril, ocorreu a primeira edição do Seminário Nacional Acesso, Permanência e Êxito dos Estudantes, que reuniu gestores e profissionais das redes federal e estaduais de Educação Profissional e Tecnológica, para fortalecer ações institucionais e promover o compartilhamento de experiências relacionadas ao tema.  

O evento contou com o apoio do Tribunal de Contas da União (TCU), e as atividades foram realizadas no auditório do Instituto Serzedello Corrêa, escola de governo do tribunal. Gestores ligados ao Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif)  participaram do encontro, cuja programação incluiu palestras e mesas-redondas.  

Quatro servidores da Pró-Reitoria de Ensino (Proen) integraram a delegação do IFSC: Suzan Ladevig, coordenadora de Suporte Institucional à Permanência e Êxito; André Salvaro Furtado, diretor de Estatísticas e Informações Acadêmicas (Deia); Guilherme Koerich, diretor de Assuntos Estudantis (DAE); e a pró-reitora de Ensino, Eliana Cristina Bär.   

Já nos dias 15 e 16 de abril, Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília, recebeu o Seminário Nacional Rede APE. Com o objetivo promover a integração e o diálogo entre servidores da Rede, o encontro reuniu mais de 350 pessoas para atividades de reflexões sobre a trajetória das políticas públicas sobre acesso, permanência e êxito, oficinas temáticas inspiradas por histórias de vida de estudantes e construção de ferramentas operacionais aplicáveis ao cotidiano institucional. Na ocasião, o estudante Luis Vitor Costa de Siqueira, do curso de Engenharia de Telecomunicações do Câmpus São José, foi selecionado para representar os discentes do IFSC no evento.  

Participação fortalece planejamento institucional  

Para a pró-reitora Eliana, a presença do IFSC nesses espaços é essencial para qualificar as ações institucionais e alinhar estratégias com outras instituições da Rede Federal. “O acesso, permanência e êxito dialogam diretamente com a finalidade da instituição, em sua capacidade de promover o acesso com equidade, garantir a permanência nos diferentes tipos de cursos e modalidades, e culminar no êxito dos estudantes”, afirmou.  

Ela destaca que os seminários proporcionam não apenas formação técnica, mas também uma visão ampliada das políticas públicas em construção. “Participar desses eventos possibilita a capacitação por meio de palestras e oficinas, a troca de experiências com outras instituições e o contato direto com o MEC e órgãos de controle, compreendendo melhor as perspectivas de proposição, monitoramento e avaliação de ações em âmbito nacional”, explicou.  

Entre os principais desafios enfrentados atualmente pelo IFSC em relação à permanência e ao êxito dos estudantes, Eliana aponta a necessidade de aprimorar a forma de acompanhamento das ofertas através da utilização de dados e indicadores que permitam um conhecimento mais profundo e detalhado. “Precisamos melhorar o acompanhamento do percurso formativo discente a partir da análise de dados diversos que acompanham essa trajetória, por meio de ferramentas que simplifiquem esse processo, como, por exemplo, o acompanhamento da frequência atualizada por parte dos setores dos câmpus (coordenações de curso, chefias de ensino, coordenadoria pedagógica)”, avalia.  

Nesse contexto, práticas já desenvolvidas pela instituição ganham relevância no cenário nacional. “Os painéis de dados institucionais e o repensar dos currículos com base em evidências são experiências que podem contribuir. Devemos partir da análise de dados quantitativos das ofertas e da qualificação desses dados, resultando em projetos pedagógicos de curso qualificados e que não percam de vista as características dos tipos de curso, modalidades de educação, regiões de ocorrência e a/o discente da instituição”, ressaltou.  

Um dos pontos que mais chamou atenção nos debates, segundo a pró-reitora, foi a centralidade do acolhimento estudantil nas estratégias de permanência. “Esse foi um ponto central de muitas das discussões ao longo do evento. Portanto, ações focadas no acolhimento e na assistência ao educando são iniciativas e um desafio para balizar o trabalho da instituição, com vistas à permanência estudantil", destacou.  

Para a gestora, esse tipo de troca é essencial para o planejamento institucional. “Ao dialogar com a Rede, conseguimos reconhecer nossos avanços e limitações, o que nos auxilia no planejamento, no momento de elencarmos ações para qualificar nossa missão institucional”, completou.  

No encerramento do Seminário na quinta-feira, o MEC anunciou o investimento de R$ 200 milhões para ações de fortalecimento para o acesso, permanência e êxito dos estudantes da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.   

Desse total, R$ 120 milhões já foram destinados à alimentação escolar. Outros R$ 50 milhões serão aplicados na aquisição de equipamentos de laboratório, com a meta de atender 275 câmpus, com valores entre R$ 100 mil e R$ 300 mil. Além disso, R$ 30 milhões serão destinados a projetos de extensão voltados ao tema. O pacote também inclui ações de formação permanente e uma vitrine de experiências.  

Estudante leva demandas reais ao debate nacional  

A participação estudantil foi um dos diferenciais do Seminário da Rede APE, e a participação de Luis Vitor trouxe ao debate a perspectiva concreta de quem vivencia, no dia a dia, os desafios da permanência. Ele e outros 16 estudantes de todo o país foram selecionados para representar a categoria no evento nacional.  

“Representar mais de 40 mil estudantes do IFSC foi incrível. Levei pautas que discutimos na instituição, como alimentação e transporte para aqueles que moram afastados dos seus câmpus. Agora, volto ao IFSC para compartilhar a visão que tive das outras instituições, de como, em certos aspectos, eles fizeram uma escolha para resolver as mesmas pendências que hoje são nossas”, relatou.  

Segundo ele, a troca com estudantes de diferentes regiões do país evidenciou tanto a diversidade quanto os desafios compartilhados. “O que mais me chamou atenção foi perceber como somos diversos, mas ao mesmo tempo temos preocupações muito semelhantes, especialmente em relação a uma educação mais inclusiva e menos LGBTfóbica.”  

A questão da alimentação foi um dos temas mais debatidos. Luis comparou a realidade do IFSC, onde poucas unidades possuem restaurante próprio, com a de outras instituições. “Em muitos institutos do Norte e Nordeste - como IFRO, IFPI e IFAM - há restaurantes estudantis com refeições a preços irrisórios (cerca de R$ 2). No IFSC, isso ainda não é realidade em todos os câmpus. Em contrapartida, alguns desses outros institutos enfrentam limitações orçamentárias e dificuldades para manter auxílios permanência, especialmente para estudantes com maior Índice de Vulnerabilidade Social (IVS)”, explicou.  

Outro ponto crítico levantado pelo estudante foi o custo do transporte. “Por exemplo, a nossa Capital, Florianópolis, tem a taxa mais cara do país: R$ 7,70. Ainda que estudantes possam pagar meia, temos que lembrar que muitos não têm renda. Em outros IFs, as taxas não são tão absurdas como a nossa ou ainda o estudante não paga, como Mato Grosso e São Paulo. Então, foi mais um assunto que entramos em discussão; e a Setec e a Rede APE nos escutaram”.  

Além das questões financeiras, ele apontou a necessidade de melhorar a comunicação institucional. “Muitos estudantes não conhecem os auxílios disponíveis nem sabem onde buscar informações. Já conversei com colegas que estavam se formando e nunca tinham ouvido falar de alguns setores ou programas. Isso é muito preocupante”.  

Apesar dos desafios, Luis ressaltou fatores que contribuem diretamente para a permanência e o êxito estudantil. “Os projetos de ensino, pesquisa e extensão são fundamentais. Eles nos integram à instituição, fortalecem vínculos e ampliam nossas experiências”. Ele também destacou a importância dos auxílios: “Sem esses apoios, muitos colegas não conseguiriam continuar estudando. Auxílio transporte, alimentação, tudo isso faz diferença real na vida dos estudantes”.   

Por fim, ele destacou porque experiências como participação em eventos e congressos também são marcantes na trajetória acadêmica. “Para muitos estudantes, é a primeira oportunidade de viajar, conhecer outros lugares, apresentar trabalhos. Isso valoriza o que fazemos e nos motiva a continuar”.  

Escuta e articulação como caminhos  

No encerramento do evento, os 17 estudantes da Rede Federal realizaram leitura coletiva da Carta de Brasília, construída por eles ao longo da programação: “A partir das experiências vividas, nós, estudantes, identificamos desafios basilares para o aprimoramento contínuo das políticas de acesso, permanência e êxito na Rede Federal. Entre os aspectos que devem ser fortalecidos mediante frentes de aprimoramento, destacamos a adaptação à vida acadêmica, especialmente para estudantes que trabalham, como um ponto essencial a ser debatido, considerando a ainda limitada oferta de vagas no turno noturno, as questões de segurança institucional, no que se refere aos diferentes tipos de violência, e o apoio psicossocial”.  

O documento ressalta aspectos centrais para o êxito da permanência e a importância das ações já existentes e as que devem ser construídas. "Dessa forma, ressaltamos a necessidade de conciliar trabalho, estudo e maternidade, fortalecendo os diferentes tipos de auxílios estudantis e qualificando políticas relacionadas à alimentação, ao transporte, à moradia, à residência estudantil, à cuidoteca e à migração, que fazem parte da realidade de cada um de nós. Sem se esquecer da manutenção dos espaços físicos, garantindo seus funcionamentos contínuos”, diz outro trecho.   

"Somos, juntos, parte de um mesmo projeto, o de proporcionar uma educação pública, gratuita e de qualidade, capaz de transformar vidas e abrir portas onde antes só havia limites. Seguimos com gratidão e com a certeza de que este é um passo para melhoria das condições de acesso, permanência e êxito. Ao sermos ouvidos, podemos construir uma rede ainda mais justa, inclusiva e potente para todos nós. Afinal, somos nós que motivamos a existência da rede federal”, finaliza o documento.  

 > Leia a íntegra da Carta de Brasília 
 

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