Maior delegação da história do Câmpus Palhoça Bilíngue participa da 13ª edição dos JIFSC em Blumenau

JIFSC Data de Publicação: 15 jun 2026 20:22 Data de Atualização: 15 jun 2026 22:30

O Câmpus Palhoça Bilíngue participou da 13ª edição dos Jogos do Instituto Federal de Santa Catarina (JIFSC), etapa dos cursos integrados, realizada entre os dias 9 e 11 de junho de 2026, com a maior parte das atividades realizadas no Centro Esportivo Bernardo Werner, em Blumenau. Com uma delegação formada por 53 estudantes, cinco professores, a diretora-geral e dois intérpretes de Libras, o câmpus registrou sua maior participação da história no evento.

Os estudantes disputaram as modalidades de xadrez masculino, voleibol feminino e masculino, handebol feminino, e atletismo feminino e masculino. Os melhores resultados vieram das equipes femininas, que conquistaram o quarto lugar no vôlei de praia, no handebol e no voleibol, entre os 18 câmpus participantes.

Além do desempenho esportivo, a edição de 2026 foi marcada pelo fortalecimento das ações bilíngues e inclusivas. Cinco estudantes do curso de Tradução e Interpretação de Libras-Português (TILSP) integraram a delegação para prestar apoio linguístico a três estudantes surdos, competidores do vôlei, e três professores surdos, que atuaram como técnicos das equipes de atletismo, vôlei de praia e voleibol.

Aprendizados além das competições

De acordo com a professora de Educação Física do câmpus e articuladora da delegação, Carmem Cristina Beck, o envolvimento dos estudantes e o espírito coletivo marcaram a participação do grupo. Segundo ela, muitos vivenciaram, durante os jogos, experiências inéditas de convivência e autonomia. “Os jogos representam uma importante oportunidade de aprendizado, não apenas esportivo, mas também humano, social e emocional. Muitos estudantes tiveram, inclusive, sua primeira experiência viajando e convivendo intensamente com colegas e professores fora do ambiente escolar”, destaca.

Para o professor surdo Saulo Zulmar Vieira, um dos técnicos das equipes, o comprometimento dos estudantes também chamou atenção. “Foi possível perceber o orgulho que sentiam ao representar a instituição. Independentemente dos resultados, seja na vitória ou na derrota, os estudantes se apoiavam mutuamente com abraços e palavras de incentivo, valorizando a participação como uma experiência de vida e aprendizado por meio do esporte”, relata.

Entre os estudantes-atletas, a vivência também foi marcada pelo sentimento de pertencimento e pela convivência com colegas de outros câmpus. A estudante do curso de Design Gráfico e integrante do Núcleo de Educação Física e Esportes (Nefe), Lauren Vianna Vieira, 16 anos, que disputou a modalidade de handebol, descreve a experiência como uma oportunidade de crescimento e integração: “competir com estudantes de outros câmpus foi muito enriquecedor porque, além da rivalidade dentro de quadra, foi possível trocar experiências e construir amizades”.

Lauren destaca ainda os aprendizados proporcionados pelo evento. “O esporte vai muito além do resultado. Foi uma oportunidade de viver algo diferente, torcer pelos colegas e fortalecer os laços com a equipe”, afirma. Ao resumir a experiência em uma palavra, a estudante não hesita: “União. Foi isso que senti em cada jogo e em cada torcida pela Palhoça!”, conclui.

Formação esportiva e desafios

A preparação das equipes ocorreu dentro das possibilidades oferecidas pelo câmpus, mesmo diante de desafios estruturais e das condições climáticas. Ainda assim, segundo a equipe organizadora, o comprometimento dos estudantes foi um dos destaques do processo. “Mesmo com limitações, os estudantes demonstraram interesse e empenho. O JIFSC também nos ajuda a identificar aspectos que podem ser aprimorados para ampliar as oportunidades de preparação esportiva”, explica Carmem.

Segundo a professora, os jogos também funcionam como espaço de avaliação e fortalecimento das ações esportivas desenvolvidas no câmpus, indicando caminhos para ampliar a preparação dos estudantes nas diferentes modalidades.

Experiência prática para futuros intérpretes

A atuação dos estudantes do curso de Tradução e Interpretação de Libras-Português (TILSP) também se destacou como uma experiência formativa relevante. Para o estudante do curso e integrante do Nefe, Ezequiel Luiz Olbermann de Melo, 17 anos, prestar apoio linguístico durante o evento representou uma vivência intensa e enriquecedora. “Como primeira experiência, foi incrível”, afirma o estudante, embora destaque também os desafios enfrentados em situações de conflito, desinformação e falta de acessibilidade em alguns momentos da competição.

“A prática trouxe mais domínio da língua e apresentou situações que não imaginávamos enfrentar na profissão. Tivemos a oportunidade de mediar conversas entre técnicos, arbitragem, organização e equipes, vivenciando situações reais da atuação profissional. Participamos dos treinos para aprender sinais, códigos e estratégias próprias dos esportes”, explica.

Apesar dos avanços, o professor Saulo avalia que ainda há aspectos a serem aprimorados na acessibilidade comunicacional dos jogos. “O JIFSC acolhe os estudantes surdos e garante a participação, mas ainda existe espaço para avanços. A presença de mais profissionais capacitados em Libras, incluindo arbitragem e servidores de outros câmpus, poderia facilitar a comunicação e fortalecer ainda mais a inclusão”, avalia.

A participação do Câmpus Palhoça Bilíngue na 13ª edição dos JIFSC reforça o papel do esporte como espaço de formação integral, convivência, inclusão e fortalecimento da educação bilíngue, promovendo experiências que impactam os estudantes para além das competições.

JIFSC CÂMPUS PALHOÇA BILÍNGUE