SEPEI Data de Publicação: 28 ago 2026 13:56 Data de Atualização: 28 ago 2026 17:34
O futuro da educação com o avanço do uso da inteligência artificial (IA) foi tema de uma mesa-redonda realizada no Seminário de Ensino, Pesquisa e Extensão do IFSC (Sepei), na manhã de sexta-feira, 28 de agosto, no Câmpus Caçador. Os participantes discutiram como essa tecnologia pode impactar o aprendizado dos estudantes, os métodos de avaliação e a própria soberania das instituições de ensino.
A discussão foi transmitida ao vivo pelo canal do IFSC no YouTube.
A mesa-redonda "Entre mestres e máquinas: o futuro da educação em tempos de IA (de)generativa" teve dois debatedores. Um deles, o professor Jesué Graciliano da Silva, do Câmpus São José do IFSC, comparou o uso da IA a dirigir um carro: “a pessoa não precisa entender sobre motor e injeção eletrônica para saber dirigir”.
Jesué usou essa analogia para dizer que os usuários não precisam conhecer profundamente o funcionamento da inteligência artificial para poder usá-la. O professor, que mantém um curso online de IA, incentiva estudantes e professores do seu câmpus a usarem essa tecnologia.
Outro debatedor foi o professor Denis Rihice Santos Moreira, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Para ele, a inteligência artificial intensifica o problema do analfabetismo funcional. “Podemos ter alguém produzindo algo sem entender como foi produzido”, alertou.
Os debatedores responderam a questões elaboradas previamente pelo mediador da mesa-redonda, o professor Paulo Roberto Córdova, do Câmpus Joinville do IFSC. Em uma delas, Jesué falou sobre como evitar perda cognitiva de estudantes pelo uso da IA.
O professor do Câmpus São José lembrou que o surgimento da própria internet ou das ferramentas de busca também gerou preocupações sobre perda cognitiva. “Você ter uma ferramenta que agiliza a ‘burocracia’ é bom. Os estudantes precisam saber usar inteligência artificial como um co-piloto”, destacou, fazendo mais uma analogia. Ele avaliou que ainda é difícil para os professores detectarem se o estudante usou inteligência artificial nos seus trabalhos e que, por isso, é importante o professor acompanhar o aluno durante o processo de construção da atividade.
Dênis respondeu a uma pergunta sobre o futuro das provas e trabalhos escritos. O professor da Udesc acredita que eles devem ser repensados. “Nossos alunos vivem num contexto diferente do que a gente viveu”, ressaltou. Ele acredita que, assim como aconteceu durante a pandemia, professores vão ter que se adaptar à nova tecnologia e adaptar as formas de avaliação.
“Acho que temos que desenvolver a capacidade de fazer perguntas profundas. A IA não vai voltar atrás. Eu acho que a gente não deve lutar contra a tecnologia”, disse.
Soberania
Outra preocupação que a inteligência artificial traz é com a relação de dependência que pode ser criada entre instituições públicas e as maiores fornecedoras de ferramentas - poucas empresas, com sede fora do Brasil, principalmente China e Estados Unidos.
Dênis Moreira opinou que as instituições não podem ficar reféns de uma única empresa fornecedora de inteligência artificial. “Se todos começarem a usar as mesmas IAs, vamos ter trabalhos muito parecidos”, comentou. O professor também levantou preocupações sobre como os dados inseridos nas ferramentas de IA vão ser usados pelas empresas.
Jesué da Silva acredita que uma maneira para fugir do oligopólio das ferramentas de inteligência artificial é customizar sistemas a partir de IAs de código aberto. “O IFSC pode ter uma [inteligência artificial], a Rede Federal pode ter outra…”, exemplificou. Ele destacou que atualmente esse tipo de customização é cara, mas a tendência é que o custo caia nos próximos anos.