JIFSC Data de Publicação: 08 nov 2026 09:12 Data de Atualização: 08 nov 2026 10:01
Estudante de Engenharia de Controle e Automação, Cecília Pippi estreia na competição com o apoio do pai, o professor Rafael Pippi, que acompanha a delegação do câmpus.
Nos Jogos do Instituto Federal de Santa Catarina (JIFSC), a equipe do Câmpus Chapecó tem uma dupla com uma história especial. A estudante Cecília Pippi, de 19 anos, participa da competição pela primeira vez, acompanhada de perto pelo pai, o professor Rafael Pippi.
“Meu pai praticamente me ensinou a jogar vôlei. Então, ter ele assistindo à minha primeira competição de vôlei, ainda mais na faculdade em que ele é professor, é um momento muito especial”, conta Cecília, que está no primeiro semestre da graduação em Engenharia de Controle e Automação.
Rafael, de 50 anos, é professor da área técnica da mesma graduação e está há cerca de 20 anos no Câmpus Chapecó. “Fui um dos primeiros lá”, lembra o docente. Ele ainda não dá aulas para a turma da filha, pois suas disciplinas são do terceiro ao quinto semestre do curso. “Ela até queria adiantar algumas matérias, mas eu falei: ‘Não, tudo a seu tempo’”, brinca.
Estreia no JIFSC
Cecília concluiu em junho deste ano, também no Câmpus Chapecó, o curso técnico integrado em Desenvolvimento de Sistemas, após quatro anos de estudos. E, duas semanas depois da conclusão, já começava a engenharia.
Apesar de sempre ter jogado vôlei e de ter passado os quatro últimos anos no câmpus, a estudante de Chapecó nunca havia participado de uma edição do JIFSC. Agora, porém, Cecília participou dos times de futsal feminino e vôlei. “Finalmente criou coragem, agora na engenharia”, brinca o pai.
A irmã mais nova, Ângela, de 16 anos, também faz o ensino médio técnico em Desenvolvimento de Sistemas no câmpus. Ela está no terceiro módulo do curso e, em junho, fez sua estreia no JIFSC, integrando o time de vôlei do câmpus.
Rafael, por sua vez, participou das duas estreias: em junho acompanhou a caçula em Blumenau, na disputa dos jogos do ensino médio técnico; e agora, em novembro, está ao lado de Cecília na disputa que ocorre em Florianópolis. Essas foram também as primeiras participações do professor nos Jogos do IFSC.
Esporte em família
Na casa dos Pippi, o esporte faz parte da rotina. “É a família vôlei. Na verdade, um pouco de tudo”, define Rafael. Entre os hábitos da família estão, por exemplo, a corrida de rua – praticada pelos pais e incentivada entre as filhas – e o envolvimento de Rafael com treinamentos e fundamentos ligados ao vôlei e ao futsal.
Às vezes, o pai também acompanha os treinos de vôlei do IFSC, frequentados pelas duas filhas. “Dou um apoio moral”, diz ele. “Mas pode levar e buscar também... Uma caroninha, né? É bom ter o pai junto nos treinos”, completa a filha.
Segundo Cecília, o pai é um grande incentivador do esporte entre as filhas, chegando a entusiasmar até mesmo as colegas do time de vôlei. “O mais legal é saber que eu estou compartilhando momentos bons com meu pai, momentos que são importantes pro meu crescimento, e saber que ele também está se divertindo. Porque é o trabalho dele, sim, mas ele poderia não estar aqui nos Jogos. Ele está aqui porque ele gosta”, destaca.
O pai e o servidor
A presença de Rafael nos Jogos não se deve apenas às filhas. Ele integra o Núcleo de Educação Física do Câmpus Chapecó. O Núcleo organiza os treinos e a participação do câmpus nas competições, sob a liderança dos professores de Educação Física. “Mas sempre precisa do apoio de algum outro servidor, principalmente em viagens. E então eu me prontifico”, explica.
Nos Jogos, Rafael procura separar os dois papéis. “Eu me preocupo em equilibrar meu lado ‘professor’ e meu lado ‘pai’, para que eu não invada a independência dela aqui. Então, se ela precisa de um apoio, eu sou pai. Se não, eu sou só um servidor. Não quero invadir o espaço que ela tem com os colegas”, diz.
Pertencimento
Para Cecília, o JIFSC desafia os estudantes a tentarem algo que normalmente não fariam. “Esse espírito de que você está com o time, o time te apoiando, treinar juntos e depois jogar, podendo perder juntos, mas podendo ganhar juntos também... Isso é muito emocionante. Você sente que faz parte, quer dizer, aumenta muito a questão do pertencimento ao curso, à instituição”, afirma.
O professor Rafael também percebe uma mudança na relação com os estudantes que participam da competição. “Os laços que os alunos criam são completamente diferentes, mais intensos do que quando há apenas a sala de aula. Alunos que eu conheci agora na viagem já viraram uma família”, conta.
O clima no JIFSC, segundo pai e filha, é de tranquilidade. Enquanto a atleta destaca que a competição é acessível e tem um ambiente agradável, diferente de grandes competições universitárias, o professor aponta a confiança entre os participantes: “A gente não se preocupa se vão roubar a mochila ou abrir para pegar alguma coisa. É um ambiente familiar.”