Parceria entre Câmpus São Carlos e UFSM estimula estudo da Física com lançamento de foguetes de garrafa PET

EXTENSÃO Data de Publicação: 25 set 2026 10:37 Data de Atualização: 25 set 2026 11:10

Água, ar pressurizado e garrafas PET são a base de um projeto que transforma conceitos de Física em experiência prática. O PET Rocket: Ciência em Ação, projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no câmpus de Frederico Westphalen (RS), tem a parceria do Câmpus São Carlos do IFSC e propõe que os estudantes construam e lancem seus próprios foguetes, aproximando ciência, tecnologia e engenharia da teoria aprendida em sala de aula. 

A iniciativa surgiu em 2023 como projeto de ensino, a partir do contato entre o professor de Física do IFSC Isac dos Santos e a professora Celina Ceolin, da UFSM. Na época, o laboratório do câmpus catarinense ainda estava em estruturação, e o professor buscava universidades parceiras para oferecer aos alunos uma nova experiência. Desde então, o projeto se consolidou como extensão e recebe estudantes do ensino médio no câmpus de Frederico Westphalen para uma competição de lançamento de foguetes. 

Duas etapas: teoria e lançamento 

A metodologia se divide em dois momentos. No primeiro, os participantes recebem uma fundamentação teórica sobre os princípios físicos envolvidos na construção e no voo dos foguetes. No segundo, vem o lançamento, que assume o formato de disputa. “A proposta é levar os estudantes a vivenciarem conceitos científicos na prática, desde a construção do foguete até os testes e lançamentos, despertando a curiosidade e mostrando que a Física está presente em situações concretas do cotidiano”, afirma Isac.  

No dia da competição, os estudantes aplicam o que aprenderam, realizam medições e coletam dados, como tempo de percurso e alcance horizontal, para cálculos posteriores. A Física está presente em praticamente todas as etapas. Na construção, os estudantes precisam pensar na estabilidade do foguete, na distribuição de massa, na resistência do ar e no formato das aletas (estruturas que funcionam como as "asas" do foguete).  

Já no lançamento, é possível observar as Leis de Newton, a conservação da quantidade de movimento, a pressão, o empuxo, o movimento de projéteis e a ação da gravidade. "Uma das partes mais interessantes é fazer a conexão entre aquilo que os estudantes aprendem em sala de aula e o que conseguem observar no lançamento", destaca o professor. 

Além dos conteúdos de Física, conforme relata Isac, o projeto trabalha criatividade, planejamento, comunicação, trabalho em equipe e resolução de problemas. A aprendizagem por tentativa e erro também tem papel central: nem sempre o primeiro foguete funciona como o esperado – “e isso faz parte do processo científico”, diz o professor. Assim, os estudantes precisam analisar o que aconteceu, discutir as causas e propor modificações. Com isso, a iniciativa busca estimular uma postura investigativa e mostrar que a ciência vai além de decorar fórmulas e envolve fazer perguntas, testar hipóteses e buscar soluções. 

Parceria entre instituições 

Os estudantes do Câmpus São Carlos participam especialmente dos momentos de construção e lançamento dos foguetes, enquanto a UFSM organiza e conduz as atividades, levando a experiência do PET Rocket às escolas e instituições parceiras. A interação também permite que os jovens conheçam a universidade e as possibilidades de formação acadêmica. 

Na edição mais recente, realizada neste mês de setembro, em Frederico Westphalen, os alunos do Câmpus São Carlos se destacaram no torneio: as equipes do curso técnico em Agropecuária e do curso técnico em Edificações conquistaram o 1º lugar em suas categorias, com foguetes que alcançaram 100 e 116 metros, respectivamente.

Segundo o professor, desde 2023 o projeto tem gerado bons resultados nas aulas de Física, com alunos mais motivados e com melhor assimilação de conteúdos como os conceitos teóricos do movimento de projéteis e outras leis físicas. Na avaliação de Isac, o retorno dos estudantes tem sido muito positivo. "Posso afirmar que o PET Rocket é mais do que um projeto, é uma jornada de descoberta que transforma o ensino de Física em algo muito mais interessante", finaliza. 

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