CÂMPUS URUPEMA Data de Publicação: 28 abr 2026 16:42 Data de Atualização: 29 abr 2026 14:11
A estudante do mestrado em Viticultura e Enologia do Câmpus Urupema do IFSC, Mariana Nunes de Souza, está pesquisando soluções para melhoria na qualidade do vinho produzido na Serra Catarinense. Engenheira agrônoma da Vinícola Pericó, em São Joaquim, ela levou um problema recorrente na produção vinícola para a investigação científica no mestrado.
Mariana conta que foi incentivada pelo proprietário da Vinícola Pericó, Diego Censi, a ingressar no mestrado. A partir de conversas com o enólogo da vinícola, Jeferson Sancineto, ela decidiu pesquisar a presença da substância metoxipirazina no vinho produzido a partir da uva cabernet sauvignon: essa substância confere um aroma herbáceo ao vinho, uma característica que costuma ser considerada desagradável por muitos consumidores. Assim, surgiu o projeto “Época de Desfolha na Redução da Metoxipirazina na Uva Cabernet Sauvignon em Região de Altitude em Santa Catarina”, sob orientação do professor do IFSC Rogério de Oliveira Anese.
Segundo Mariana, a uva Cabernet Sauvignon foi escolhida para o estudo por ser a cultivar com maior área plantada na região de altitude de Santa Catarina e também uma das uvas mais conhecidas na produção de vinhos. Além disso, o terroir (condições climáticas e de solo de determinada região) interfere diretamente na qualidade da uva e sabor do vinho produzido. “Temos dias quentes e noites frias, o que retarda um pouquinho a maturação das nossas uvas. Como a cabernet sauvignon tem um ciclo mais longo, ela tem mais dificuldade para madurar. Assim, por ser uma cultivar de ciclo tardio, ela pode ser colhida em estágio não bom de maturação, e isso vai trazer mais acidez, mas também a metoxipirazina, que é o foco principal do nosso estudo”, explica.
Assim, Mariana estuda como a desfolha realizada em diferentes épocas pode acelerar a maturação dessa uva, aumentando o açúcar, reduzindo a acidez e diminuindo a metoxipirazina. Os estudos estão sendo feitos com a produção da própria vinícola e com equipamentos dos laboratórios do IFSC em Urupema e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A primeira análise foi realizada na safra do ano passado, e agora Mariana vai analisar a uva produzida na safra atual para comparar a presença da substância no vinho.
Parceria empresa e universidade
O projeto de mestrado foi viabilizado com a parceria entre a vinícola, o IFSC e a UFSC. Para divulgar o trabalho, foi realizado um Dia de Campo na Vinícola Pericó no dia 25 de março, organizado pelo IFSC e com apoio da empresa Campoar Drones. Participaram cerca de 50 pessoas, entre professores e estudantes do Câmpus Urupema do IFSC, Associação dos Engenheiros Agrônomos da Serra Catarinense (ASSEA), representantes da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e produtores de Lages e São Joaquim.
Durante o dia de campo houve visita à vinícola, acompanhamento da colheita e conversa com os professores do IFSC. Após o almoço, foi realizada a degustação de uvas e do vinho para identificação do aroma em diversos tipos de tratamento. “Foi bem interessante porque os participantes conseguiram identificar a diferença do aroma nos diferentes tratamentos: na desfolha em grão chumbinho, grão ervilha, virada de cor e sem desfolha. Então, nesses tratamentos eu tive resultados da uva, tanto de maturação quanto de produtividade, e também os resultados do vinho”, conta.
Segundo o professor Rogério, a iniciativa de realização do dia de campo “reforça a importância da integração entre ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para a formação acadêmica e o desenvolvimento da viticultura na Serra Catarinense”.
Qualidade do vinho catarinense
Segundo Mariana, os vinhos da Serra Catarinense são de extrema qualidade em se tratando de vinícolas jovens, implantadas nas décadas de 1990 e 2000, em comparação com as produções mais antigas da Europa. Ela avalia que houve uma evolução significativa na qualidade dos vinhos nos últimos anos. “O enólogo me disse que nas primeiras safras o aroma da pirazina no vinho era muito forte. Hoje em dia isso vem melhorando bastante. Por isso a importância dessa pesquisa e de todas as demais”. Melhoras no manejo, como a desenvolvida pela pesquisadora, além das demais tecnologias produtivas, contribuem para a excelência da produção catarinense.
Após a conclusão do mestrado, a engenheira agrônoma quer dar continuidade à melhora do manejo na Vinícola Pericó e desenvolver mais estudos a área. “Conhecimento nunca é demais”, destaca.