Professor do Câmpus Florianópolis publica capítulo em livro sobre lixo no mar

VIDA DE SERVIDOR Data de Publicação: 17 nov 2025 10:38 Data de Atualização: 17 nov 2025 10:42

O professor Walter Martin Widmer desempenhou papel central no avanço das pesquisas sobre resíduos sólidos no ambiente marinho no Brasil, especialmente ao redigir o capítulo 4 do livro "Mar de Plástico – Um panorama da ciência sobre o lixo no mar" juntamente com a engenheira Bruna Costa, ex-aluna do curso de Mestrado Profissional em Clima e Ambiente. A obra reúne cientistas brasileiros e é referência inédita para o estudo de resíduos sólidos nos oceanos, com destaque para os plásticos, que predominam nos ecossistemas marinhos.

O livro é um mergulho científico sobre o problema dos resíduos sólidos, principalmente plásticos, no mar brasileiro. Organizado por Gerson Fernandino, Vanessa Ochi Agostini e Carla Isobel Elliff, ele apresenta pesquisas pioneiras, classificações e impactos do lixo nas zonas costeiras e oceânicas. “O interessante desse livro é que, se ele não for o único, ele é um dos únicos livros de texto acadêmico dedicados exclusivamente a esse assunto: plástico nos oceanos”, ressalta Widmer. Ele enfatiza ainda o papel da obra. “Então, ele serve de referência nas universidades, nos institutos, no ensino técnico e no ensino superior”.

O capítulo 4: Classificação do Lixo no Mar

No capítulo escrito por Widmer e Bruna Costa, são abordadas as diferentes formas de classificação do lixo marinho, por tipo de material, tamanho e origem. O capítulo traz estudos de casos concretos, como o realizado em Governador Celso Ramos/SC, onde se identificou a influência da atividade pesqueira e dos usuários de praia sobre a presença de resíduos em diferentes estações do ano. “Eu iniciei os estudos nesse assunto quando ele era pouco discutido na academia, para esse momento atual quando ele é uma grande preocupação”, explica o professor, referindo-se ao histórico de pesquisa na área. Sobre a diversidade de resíduos, ele pontua: “Não dá para transformar o plástico em si num vilão. É muito mais o problema de como nós, humanos, gerenciamos o resíduo plástico”.

Widmer esclarece que a classificação dos resíduos leva em conta não só tamanho e material, mas também os impactos para os ecossistemas: “Micro lixo ou macro lixo, dependendo de um critério arbitrário de tamanho… Um item grande vai ser ingerido por um grupo pequeno de organismos… Agora, partículas de uma fração de milímetro vão ser ingeridas por um leque muito maior de seres vivos, muitos invertebrados. Então tem impactos ambientais muito diferentes em relação ao tamanho”.

A contribuição do professor Widmer e do IFSC

Walter Widmer atua há duas décadas na temática de resíduos sólidos marinhos, integrando uma rede nacional de pesquisadores e laboratórios, e sendo pioneiro na formação de coleções científico-didáticas de lixo marinho, como acontece no IFSC. “No nosso IFSC, no Curso Técnico de Meio Ambiente ligado ao DACC, temos uma coleção didático-científica de lixo marinho, onde predominam os itens plásticos, porque é o que mais encontramos nos oceanos”, conta o pesquisador. O Laboratório de Estudos Ambientais do campus conta com acervo e estudos de campo que subsidiam ações de ensino, pesquisa e extensão, fortalecendo o compromisso do IFSC com a preservação dos oceanos e o enfrentamento das mudanças climáticas.

O professor também destaca a conexão entre pesquisa, políticas públicas e qualidade de vida: “O livro não é um livro de educação ambiental, é de conscientização. Ele é um livro técnico científico, mas obviamente que ele ajuda a sociedade a entender que não existe a possibilidade da gente ter qualidade de vida, uma economia saudável, se o ambiente não estiver saudável”.

Legado e Relevância

A participação do professor e da instituição no livro representa contribuição estratégica à discussão sobre conservação dos ecossistemas marinhos, especialmente em um cenário internacional marcado por eventos como a COP 30 e pela valorização da Década dos Oceanos. “Eu acho que tem uma conexão com a COP 30, porque a regulação climática depende dos oceanos. Não se pode pensar em enfrentar as mudanças climáticas sem pensar em manter oceanos saudáveis”, afirma Widmer. Ele destaca ainda os impactos diretos para o turismo e economia regional: “Se a gente quer se posicionar como uma cidade que explora de maneira sustentável o turismo de sol e praia, a gente precisa se preocupar com a qualidade da praia e dos outros ecossistemas costeiros e dos oceanos como um todo”.

 

VIDA DE SERVIDOR INSTITUCIONAL CÂMPUS FLORIANÓPOLIS