Projeto do IFSC Florianópolis-Continente busca fortalecer o enoturismo no Sul de Santa Catarina

EXTENSÃO Data de Publicação: 09 out 2026 00:39 Data de Atualização: 09 out 2026 00:58

Pesquisadores do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC vão desenvolver um projeto para fortalecer o turismo ligado ao vinho (enoturismo) na região dos Vales da Uva Goethe, no Sul de Santa Catarina. A iniciativa prevê a estruturação de rotas e roteiros turísticos, a capacitação de profissionais e empreendedores locais e a criação de materiais de divulgação e de sinalização turística. O objetivo é valorizar a Denominação de Origem “Vales da Uva Goethe” e ampliar o potencial turístico da região. 

Coordenado pelo professor Jucélio Kulmann de Medeiros, o projeto reúne integrantes do IFSC e uma bolsista colaboradora externa vinculada à Associação dos Produtores da Uva e do Vinho Goethe (ProGoethe). A ProGoethe vai trabalhar em conjunto com a equipe do Instituto Federal de Santa Catarina e trazer um olhar mais próximo da realidade local, de acordo com o professor Jucélio. 

A proposta inclui o diagnóstico das condições de recepção de visitantes, o levantamento de atrações turísticas e a análise da percepção da população local sobre a atividade. 

Os Vales da Uva Goethe têm Urussanga como polo principal e abrangem mais sete cidades do Sul Catarinense (Cocal do Sul, Içara, Morro da Fumaça, Nova Veneza, Orleans, Pedras Grandes e Treze de Maio). A região reúne vinícolas, vinhedos e tradições culturais relacionadas à imigração italiana e à produção de vinhos com a uva Goethe, variedade que se adaptou às condições locais e contribuiu para a identidade vitivinícola regional. 

Trazida para o Brasil por um imigrante italiano, a uva Goethe tem sua origem nos Estados Unidos, tendo sido criada por volta de 1850. O professor Jucélio de Medeiros explica que as uvas viníferas (usadas para fazer vinho) europeias tinham problemas de adaptação em um ambiente mais quente e úmido. “A Goethe oferecia rusticidade e maior resistência. Em paralelo, lembrava um tanto o perfil de uva Moscato, que os imigrantes italianos eram acostumados, fazendo com que tenha acabado por ser uma ‘escolha natural’, detalha. 

Turismo existe, mas pode melhorar

A iniciativa do IFSC parte da avaliação de que o turismo já ocorre na região, mas ainda pode ser ampliado com a organização de roteiros e rotas estruturados. Para isso, o projeto pretende aproximar a produção de vinhos de outras atrações, como a gastronomia, as manifestações culturais e as experiências turísticas locais. 

Segundo Jucélio, a existência das vinícolas, com variáveis graus de recepção turística, mas ainda com horários limitados aos fins de semana, são um exemplo de como o turismo na região pode avançar. A Denominação de Origem - concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), órgão do governo federal - é outro ponto positivo, pois não é  um reconhecimento não tão simples de se conseguir. 

“Também a existência de hábitos, saberes e fazeres dos imigrantes italianos, estando bem próximo da BR-101, de um dos grandes aglomerados urbanos do estado (Criciúma), de parte do litoral sul do estado, e mesmo relativamente próximo da capital”, acrescenta o professor do Câmpus Florianópolis-Continente.

Capacitação e olhar local

Entre as ações previstas, está a oferta de capacitação nas áreas de hospitalidade, turismo de base comunitária e enoturismo para atores locais: proprietários e trabalhadores das vinícolas, de restaurantes e de meios de hospedagem. 

A proposta também inclui a produção de materiais de orientação para o atendimento aos visitantes e para a criação de roteiros, rotas e sinalização turística.

O projeto prevê ainda o levantamento das condições de infraestrutura dos estabelecimentos turísticos e a elaboração de propostas de melhoria, considerando as possibilidades de cada empreendimento e aspectos de inclusão. A equipe pretende ouvir moradores para compreender os impactos atuais do turismo e as perspectivas de expansão da atividade.

A proposta busca estimular um modelo de turismo que valorize a participação da população local e contribua para o desenvolvimento social e econômico da região. Para acompanhar os resultados, serão considerados indicadores como o número de visitantes, a opinião dos turistas e as receitas relacionadas à atividade turística.

Roteiros, eventos e divulgação

Entre os produtos que devem surgir do projeto, estão materiais de divulgação da Denominação de Origem, uma cartilha de hospitalidade e recepção turística, projetos de roteiros e rotas integradas e uma proposta de sinalização para rodovias, municípios e propriedades de interesse turístico.

O projeto prevê a criação de experiências voltadas a diferentes públicos, como piqueniques, sunsets, lounges e wine gardens, além de uma proposta de sarau literário que relacione a obra do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (cujo sobrenome deu origem à denominação da uva) à identidade dos vinhos da região. A equipe pretende articular parcerias com órgãos públicos e entidades de turismo para apoiar a promoção da Denominação de Origem e buscar recursos para novas ações.

Ao final do trabalho, deve ser organizado um seminário para apresentar os produtos desenvolvidos, os diagnósticos e os resultados da capacitação.

A iniciativa foi aprovada em um edital nacional de seleção de projetos para promoção das chamadas Indicações Geográficas, um registro conferido pelo Inpi a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria, além de os distinguir em relação aos seus similares disponíveis no mercado. Os trabalhos estão previstos para durar um ano.

Além de Jucélio, os outros representantes do IFSC na iniciativa são a professora Fabiana Calçada de Lamare Leite e o estudante de graduação André Luiz Flôres da Silva, ambos do Câmpus Florianópolis-Continente, além de mais um aluno de curso técnico a ser selecionado. 

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