EVENTOS Data de Publicação: 22 jul 2026 15:25 Data de Atualização: 22 jul 2026 15:48
Entre os dias 26 de junho e 3 de julho, o Câmpus Florianópolis do IFSC sediou a sua primeira Semana de Direitos Humanos. Organizado pelo Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Direitos Humanos (NEPE - DH), o evento teve como tema “Construindo relações de respeito, cuidado e promoção dos Direitos Humanos na comunidade acadêmica”. A programação envolveu seminários, exposições, mesas temáticas, oficinas de defesa pessoal, apresentação de projetos integradores e capacitações.
O evento surgiu da necessidade de promover um ambiente mais seguro e acolhedor dentro da instituição. Conforme destaca o professor Felipe José Schmidt, coordenador do Núcleo, a iniciativa foi construída a partir da colaboração entre vários setores do câmpus. “A Semana de Direitos Humanos do nosso câmpus, ela surge num contexto em que vários setores e pessoas da nossa instituição, nós estamos preocupados e preocupadas em fortalecer o cuidado, a proteção, a promoção da dignidade das pessoas que convivem aqui na nossa comunidade acadêmica”, explica o coordenador.
A programação foi pensada a partir de três pilares fundamentais, visando o combate às violências e a promoção da educação: formação da gestão, formação de estudantes e formação dos profissionais de educação. A abertura oficial, realizada em 26 de junho na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), marcou o início das discussões com o seminário “Dialogando pela Paz: Construindo relações de respeito e comunidades de cuidado no contexto escolar”, voltado aos servidores da educação.
O protagonismo estudantil e a rede de acolhimento
Um dos grandes destaques do evento foi a participação ativa dos alunos do IFSC. Durante a programação, o câmpus recebeu exposições, como a de trabalhos do curso de Design, e as constantes apresentações dos Projetos Integradores. Para Felipe Schmidt, o espaço dado aos alunos é essencial para o desenvolvimento cidadão. Ele reforça que a segunda frente do evento teve “relação com o protagonismo dos nossos estudantes e das estudantes na defesa e ampliação dos direitos humanos”, disse.
Segundo o professor, os estudantes propuseram projetos que refletiram sobre circunstâncias relacionadas a questões de gênero, de raça, ao capacitismo, xenofobia, ao etarismo, desigualdade de classes, a também desequilíbrio ambiental e as consequências para as nossas relações humanas. A semana também inaugurou o armário digital de autoteste para HIV e o espaço do autocuidado, além de promover reuniões abertas com os alunos sobre a política de combate e enfrentamento ao assédio no IFSC.
A intenção, segundo a organização, é fortalecer a responsabilidade ética de toda a comunidade. “Nós pretendemos criar sim uma rede de acolhimento, proteção e segurança para todas as pessoas que convivem na nossa comunidade acadêmica. E para isso, nós chamamos essas pessoas que têm cargos de direção, para que elas pudessem também buscar essa corresponsabilização e, desta forma, nós criássemos um compromisso ético-político em defesa de toda e qualquer pessoa”, ressalta o coordenador.
Oficinas integrativas e as parcerias externas
Além dos debates, a programação contou com diversas oficinas práticas e teóricas, como aulas de defesa pessoal (Muay Thai e Jiu Jitsu) para mulheres servidoras, estudantes e comunidade acadêmica em geral. A programação incluiu também capacitações como "O Elefante na Sala", abordando temas como Bullying, Gêneros e Sexualidades, e Deficiência e Anti Capacitismo, facilitadas por psicólogas e estagiários da UFSC. Uma oficina sobre branquitude e o Clube da Escrita sobre Direitos Humanos também fizeram parte do escopo de atividades.
A articulação com a comunidade externa ao IFSC foi apontada pelo coordenador como o principal fruto do evento. Felipe ressalta que o trabalho articulou parcerias com o Ministério Público, com a Secretaria Estadual de Educação, com o Conselho Municipal de Escuta Qualificada, atendimento especializado nos casos de violência.
Com o sucesso da primeira edição, os trabalhos não param. O núcleo já projeta novas atividades. “Nós, a partir desta dessas ações, nós já estamos apontando para o próximo semestre a realização de uma semana de enfrentamento a toda e qualquer forma de violência. E aí os projetos, eles estarão relacionados à prevenção e ao combate”, projeta o coordenador.