EVENTOS Data de Publicação: 02 out 2026 15:54 Data de Atualização: 02 out 2026 16:04
Encerrou no último sábado (26) o VII Congresso Internacional da Rede de Educação OnLIFE: "Inteligência Artificial, CoInteligência e Hiperinteligência", realizadode forma híbrida na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC), em Florianópolis. A edição que começou na noite de terça-feira (22) e se estendeu até sábado (26) foi organizada pelo Câmpus Florianópolis do IFSC e pela UFSC, com apoio do Sebrae Nacional e das prefeituras de São José e de Florianópolis. O Laboratório de Cidadania Digital (LabCidig/IFSC) é um dos dez hubs da Rede Internacional, o único em Santa Catarina.
Em quatro dias de programação científica e um quinto dia de imersões culturais, o congresso acolheu 1.148 inscrições e realizou 949 credenciamentos. Além de profissionais da educação de Portugal, Itália, França, Colômbia, Estados Unidos, Moçambique, Chile, Argentina, Suíça e Holanda, 16 estados brasileiros marcaram presença. Para o coordenador do evento, professor André Dala Possa, o perfil dos congressistas evidencia o alcance da proposta: “foram 437 pesquisadores de mestrado, doutorado e estágio de PhD; 394 graduandos; e 118 estudantes do Ensino Médio da rede pública. Colocamos destaque no palco para relatos de pesquisas que materializam ações práticas de integração de tecnologias nas rotinas escolares”, comemorou.
Mudanças na programação
Segundo a presidente da RIEOnLIFE, professora Eliane Schlemmer da Unisinos, as condições climáticas impuseram a necessidade de resposta rápida da comissão organizadora. “No primeiro dia precisamos ajustar algumas atividades porque o clima e alguns entraves diplomáticos gerou cancelamento de voos nacionais e atrasos de convidados internacionais; com isso, dezenas de palestrantes e participantes chegaram depois do previsto. Driblamos as adversidades juntos, e fica a prova de que vivemos momentos de grandes incertezas”, avaliou. A própria conferência internacional de abertura mudou. Inicialmente o conferencista seria o professor Jonathon Richter da Universidade de Montana (EUA), mas coube a Leonel Morgado da Universidade Aberta de Portugal/INESC TEC proferir a primeira fala no palco principal, logo após cerimônia de abertura com presença de autoridades das instituições envolvidas.
O reitor do IFSC, professor Zízimo Moreira Filho, destacou em seu discurso de abertura a resiliência que as rápidas transformações tecnológicas impõem aos educadores e às próprias instituições. “Ganhamos muito com a Inteligência Artificial, mas não podemos perder de vista nas discussões o que nos é único. Acima de tudo, não haverá uma inteligência artificial que assuma as formas de convivência humana. Não existe inteligência artificial que assuma as relações humanas. É isso que está na mesa. Este congresso tem justamente essa finalidade: de pensarmos e analisarmos o futuro com responsabilidade”, declarou.
Ao todo, foram oito painéis dedicados a Inteligências Artificiais generativas e agênticas na docência e na cultura escolar, redes e hiperinteligência, aprendizagem imersiva, BNCC-Computação e políticas públicas, educação empreendedora cidadã, docência OnLIFE, tecnologias vestíveis (wearables) e realidade estendida na escola pública. Entre os convidados, nomes como Alexandre Marino Costa (UFSC), Raul González Lima (AUSPin/USP), Massimo Di Felice (ECA-USP/Atopos), José António Moreira (Universidade Aberta, Portugal), Eliane Schlemmer (Unisinos/RIEOnLIFE), Maria Elizabeth Almeida (PUC-SP) e Jonathon Richter (iLRN, EUA).
Protagonismo discente e mostra científica
Destaque para a sessão do hub gaúcho ConectaKaT, em que estudantes do Ensino Médio Técnico do Instituto Federal Farroupilha apresentaram as narrativas imersivas e gamificadas que cocriaram a partir de multiplataformas nas aulas de língua inglesa. A cidade de Frederico Westphalen conquistou visibilidade em mundos paralelos, com muita criatividade e conhecimento, numa imersão exitosa que reúne estudantes e conecta biodiversidade e problemas sociais gerando conhecimento aplicado. A professora do IFFAR, Luiza Vitória de Abreu Schell, comentou a experiência: “Esse congresso marcará a vida profissional de nossos estudantes para sempre. Como orientadora do projeto fiquei muito feliz em ver os resultados de uma iniciativa que valoriza o paradigma da Educação OnLIFE alcançando êxito e inspirando outros profissionais e discentes”, comemorou.
A Mostra Científica permaneceu apresentou 15 iniciativas da rede. O IFSC-Florianópolis marcou presença com projetos de robótica, drones, impressão 3d e cidadania digital. Quatro escolas de educação básica do Vale do Itajaí trouxeram resultados de um piloto da BNCC-Computação, por meio da Coordenadoria Regional de Educação de Blumenau (CRE-Blumenau/ SED-SC). Também foram expostos protótipos e produtos de startups da INCUBINTECH/IFSC-Florianópolis, do TECNOSINOS e do Orion Parque, da Serra Catarinense. Segundo o expositor e estudante do IFSC-Lages, Hugo Daniel Schneider Borges, a mostra científica trouxe muitas conexões qualificadas para o empreendimento que ele lidera com os sócios Ricardo Teran Muhl, Gabriel Sgorla Squizani e Fernando Augusto Brati Vedana. “O público demonstrou bastante interesse pelos kits didáticos que produzimos, percebemos que levaremos deste congresso conexões qualificadas e potentes para melhorar nossos resultados", disse.
Produção científica e imersão cultural
Foram aprovados 60, distribuídos em oito trilhas temáticas. Após as sessões de apresentação, os coordenadores de hubs da RIEOnLIFE aprovaram para os anais do congresso 37 artigos completos, 11 artigos short paper e 4 resumos expandidos. A RIEOnLIFE deve anunciar ainda em outubro quais destes textos comporão o e-book especial da edição.
No sábado (26), o congresso levou os participantes para duas imersões culturais chamadas de "Habitar Florianópolis": um passeio embarcado às fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e de Santo Antônio de Ratones e uma visita guiada ao centro histórico. A professora Eliane Schelmmer, presidente da RIEOnLIFE, avaliou a edição com entusiasmo. “A semana em Florianópolis foi ímpar para todos os participantes. As vivências imersivas, foram um gesto real do que dá nome ao paradigma que nos debruçamos na Rede: habitar, e não apenas estar. Participar, com presença cognitiva, contemplando os territórios. IFSC e UFSC estão de parabéns, essa edição foi desafiadora, num ano atípico, e ao mesmo tempo marca nossa história pela qualidade das discussões e pelas vivências que proporciona”, disse.