INSTITUCIONAL Data de Publicação: 03 jun 2009 21:00 Data de Atualização: 06 fev 2018 13:23
Pesquisa promovida pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC) constatou que a água consumida através de ponteiras em residências da região do Campeche, em Florianópolis, possui alta concentração de alumínio. Esse metal, quando ingerido em grandes quantidades ao longo dos anos, pode provocar problemas neurológicos como o mal de Alzheimer. A descoberta ocorreu por meio de uma pesquisa coordenada pelas professoras Maria Angelica Marin e Valéria Silva, do Campus Florianópolis.
A água contaminada é aquela captada por meio do sistema de poços artesianos, popularmente conhecidos como ponteiras. “Foi durante uma coleta de água, que seria usada para diversas análises, que notamos um nível de acidez muito alta nas amostras. Por isso desconfiamos que poderia haver contaminação por alumínio”, explica a professora Maria Angelica.
Para investigar o caso, o IF-SC começou um projeto de pesquisa que envolveu uma equipe de professores e estudantes dos cursos técnicos em Meio Ambiente e Saneamento do Campus Florianópolis. Durante seis meses, foram coletadas quinzenalmente amostras de água de cerca de 30 residências em diversos pontos da região que utilizam o sistema de poços artesianos.
Foi constatado que, na grande maioria dos domicílios analisados, a água possui concentração de alumínio acima do permitido pela Portaria nº 518, do Ministério da Saúde, que estabelece normas de qualidade da água para consumo humano. De acordo com a portaria, a quantidade máxima do íon por litro de água é de 0,2 miligramas. Durante a pesquisa, foram detectadas amostras com quantidade até dez vezes maior do que a permitida.
“O alumínio encontrado na água do Campeche não é uma poluição causada pelo homem. A concentração acima do permitido detectada na água é devido às rochas que se localizam abaixo desses poços”, explica Maria Angélica. Para ela, a solução para o problema está no cumprimento rigoroso e na fiscalização das regras e recomendações dos órgãos responsáveis, bem como consumo de água tratada, uma vez que a utilização de ponteiras residenciais é proibida por lei. “Esses poços devem ser desativados e sua água utilizada apenas pela concessionária Casan [Companhia Catarinense de Águas e Saneamento."
Segundo a professora, apesar de muitas casas possuírem acesso à água tratada, muitas vezes optam pela água da ponteira por acreditarem que ela é mais saudável. “Muitos acham que essa água é melhor para o consumo por não possuir produtos químicos, mas na maioria das vezes não sabem a qualidade real da água”, explica.
O Campeche, no Sul da Ilha de Santa Catarina, é uma das regiões com maior número de poços artesianos em Florianópolis. Há algum tempo, órgãos fiscalizadores solicitam que os moradores não utilizem mais essa forma de captação de água, devido ao alto risco de contaminação.
Fossas sépticas também são problema
Ao mesmo tempo em que foi feita a análise da água dos poços artesianos, também foram checadas as condições das fossas sépticas das residências, assim como sua manutenção e instalação. Na região do Campeche, grande parte da população não possui sistema público de esgoto, o que leva à construção de fossas sépticas. Essas fossas, quando mal dimensionadas ou instaladas em locais impróprios, podem ser responsáveis pela contaminação dos lençóis freáticos e consequentemente da água consumida pelos habitantes dessa região.
“O que percebemos na pesquisa foi que muitas residências não possuem nem mesmo fossa, e seus resíduos são lançados direto no solo ou para o mangue”, diz Maria Angelica. Além disso, outros dados preocupantes foram coletados pela equipe: a manutenção das fossas, que deve ocorrer semestralmente, geralmente é feita apenas quando há transbordamento dos dejetos ou entupimentos das fossas, aumentando de forma significativa o risco de contaminação da água, que muitas vezes é consumida sem tratamento.
“Também falta consciência da forma adequada para liberar os resíduos, e muitas vezes eles são enterrados no próprio terreno ou jogados em terrenos baldios”, explica Maria Angelica. Como solução para o problema, a professora aponta a implantação e manutenção desse sistema de acordo com as normas vigentes, levando em conta questões como o tamanho e instalação da fossa e sua manutenção e limpeza, que deve ser feita de seis em seis meses.
O que é o sistema de ponteira?
Através desse sistema, a água do aquífero é captada com o bombeamento por meio de um sistema elétrico até chegar às residências e geralmente é consumida sem nenhum tratamento.
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