EVENTOS Data de Publicação: 19 ago 2026 15:49 Data de Atualização: 19 ago 2026 15:56
O Câmpus Florianópolis do IFSC sediou, entre 12 e 14 de agosto, o evento “Superdotação: Conexões com o Presente”, promovido pelo Núcleo de Acessibilidade Educacional (NAE) em parceria com a X-napsis: conexões livres. A programação reuniu profissionais da educação e da saúde, pesquisadores, estudantes, familiares e representantes de instituições públicas e privadas para discutir identificação, avaliação, inclusão, políticas públicas, desenvolvimento emocional e práticas pedagógicas voltadas às pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD).
Com palestras, rodas de conversa, oficinas e transmissão pela internet, o encontro buscou ampliar a compreensão sobre a superdotação e fortalecer uma rede de apoio para estudantes e famílias. A programação contou com 12 palestrantes considerados referência nacional na área, entre eles Angela Virgolim, Patrícia Neumann e Damião Silva. Para a coordenadora do NAE do Câmpus Florianópolis, professora Ana Paula da Silva, a realização do evento reforça o papel do IFSC como espaço de inclusão, formação e difusão de conhecimento.
“A avaliação do evento é pra lá de positiva, porque a gente conseguiu reunir profissionais que são referência no trabalho com superdotação no Brasil”, comemora Ana Paula. Um dos principais objetivos do encontro foi combater a ideia de que estudantes superdotados não precisam de acompanhamento educacional. Segundo Ana Paula, existem diferentes perfis de altas habilidades, e o desempenho elevado em determinadas áreas não elimina a necessidade de apoio pedagógico, emocional e social.
Os estudantes com AH/SD podem precisar de identificação, mediação, enriquecimento curricular e, em alguns casos, aceleração de estudos. A coordenadora destaca que o tema ainda é pouco discutido e que essa falta de informação pode contribuir para a invisibilidade de muitos estudantes. “De acordo com estimativas utilizadas na área, entre 3% e 5% da população pode apresentar altas habilidades, embora alguns pesquisadores trabalhem com percentuais de até 7%. Considerando a circulação anual de mais de 10 mil estudantes pelo Câmpus Florianópolis, pode haver centenas de estudantes com AH/SD ainda não identificados na instituição", complementa a professora Ana Paula.
Além de especialistas de diferentes áreas, o câmpus recebeu profissionais da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), da Defensoria Pública da União e de instituições privadas. A participação desses setores contribuiu para aproximar o IFSC de serviços que atuam na identificação, no acompanhamento e na garantia de direitos das pessoas com AH/SD. “O fato de o Damião Silva se disponibilizar para nos ajudar a construir propostas para o atendimento dos superdotados em nível de graduação me deixou muito animada”, relata a professora.
IFSC como espaço de referência
A realização do evento também fortalece o NAE como um espaço de articulação entre conhecimento acadêmico, atendimento educacional e comunidade. A proposta é que o núcleo amplie sua atuação no debate sobre altas habilidades e contribua para a construção de práticas institucionais mais adequadas às necessidades desses estudantes. Entre os possíveis desdobramentos do evento está a criação de um centro de referência para o atendimento de estudantes superdotados no ensino superior. A ideia ainda está em fase de construção, mas já conta com a disposição de especialistas para colaborar com o IFSC na elaboração de propostas.
Para o IFSC, a discussão é especialmente relevante porque a instituição recebe estudantes com trajetórias, perfis e necessidades educacionais diversas. “O atendimento adequado às pessoas com AH/SD está relacionado não apenas ao reconhecimento de suas potencialidades, mas também à prevenção de dificuldades de aprendizagem, isolamento, desmotivação e sofrimento emocional", complementa a professora.
Parceria com a X-napsis
A parceria com a X-napsis foi fundamental para a realização do encontro. A associação atua na promoção de informação, acolhimento e conexão entre pessoas com altas habilidades, famílias, profissionais e instituições. Ana Cristina Oracz, presidente da X-napsis e atualmente monitora do NAE, conta que a entidade procurou o IFSC com o objetivo de realizar uma atividade relacionada ao Dia Internacional da Superdotação, celebrado em 10 de agosto. Segundo ela, a articulação com a professora Ana Paula permitiu organizar uma programação ampla em menos de 20 dias.
“O IFSC foi super importante para esse evento, foi fundamental, na verdade. A professora Ana Paula nos recebeu com muito carinho e abriu as portas do IFSC para que a gente conseguisse, em parceria com o NAE, fazer esse evento”, afirma Ana Cristina. A organização contou com a participação de servidores, bolsistas do NAE, professores e intérpretes de Libras. As oficinas oferecidas ao público infanto-juvenil incluíram jogos de tabuleiro, quadrinhos e tirinhas, construção com molas, recuperação de lâmpadas de LED e poesia. Para Ana Cristina, a participação de diferentes públicos confirmou a proposta de criar um espaço de diálogo entre profissionais, famílias, escolas, estudantes e a comunidade.
Conteúdo permanece disponível
Algumas palestras foram transmitidas ao vivo pelo YouTube do Câmpus Florianópolis e continuam disponíveis para quem não conseguiu acompanhar as atividades presencialmente. A X-napsis também disponibiliza os conteúdos em seu canal, ampliando o alcance da programação e permitindo que o debate continue para além dos três dias de evento. De acordo com Ana Cristina, o evento já vem gerando novos contatos, elogios e manifestações de interesse pela associação e pelo trabalho desenvolvido em parceria com o IFSC e o NAE. Entre os encaminhamentos previstos estão a realização de novas palestras, rodas de conversa, oficinas e atividades de divulgação. A intenção é criar oportunidades permanentes de troca de experiências, acolhimento de famílias e conexão entre crianças e adolescentes com altas habilidades.
A X-napsis também pretende divulgar profissionais de Florianópolis e região que atuam com avaliação, acompanhamento e acolhimento de pessoas com AH/SD. A associação avalia que o fortalecimento dessa rede pode facilitar o acesso das famílias a informações, serviços e profissionais especializados. “Os próximos passos são continuar esse debate, para que ele seja difundido no maior número de pessoas, para que todo mundo saiba sobre o assunto e para que sejam tirados os mitos da superdotação”, afirma Ana Cristina. Para ela, um dos principais mitos a serem enfrentados é a associação automática entre superdotação e genialidade. “Não são crianças que são gênios. São crianças que precisam também de toda a nossa atenção e do nosso acolhimento”, completa.