Livro que analisa 12 anos do Cineclube Ó Lhó Lhó é lançado em evento de extensão

VIDA DE SERVIDOR Data de Publicação: 17 jun 2026 15:57 Data de Atualização: 17 jun 2026 16:04

A história, as vivências e a capacidade de transformação social geradas pelo Cineclube Ó Lhó Lhó nos últimos 12 anos ganharam as páginas de um livro. Na noite desta terça-feira (16), durante o Seminário de Integração e Movimento da Extensão (SIMEXE) do Câmpus Florianópolis, a professora Gizely Cesconetto lançou a obra “O Cineclube Ó Lhó Lhó”, resultado direto de sua tese de doutorado. O material explora como o projeto de extensão ultrapassou a exibição de filmes para se tornar um lugar de pertencimento e acolhimento para os estudantes e comunidade.

Mais do que cinema, um lugar de encontro

Ao analisar mais de uma década de atividades, o livro propõe um olhar diferenciado sobre o que realmente significa o cineclubismo no ambiente educacional. Segundo a professora Gizely, a obra convida a "transver o Cineclube", focando menos no audiovisual em si e mais nas relações humanas construídas ali. "O que eu percebo como fator principal é entender o cineclube não por meio do cinema ou do audiovisual, mas por meio do encontro de pessoas. O audiovisual é uma prática, uma ferramenta pra gente ler o mundo e se posicionar no mundo", destaca a autora.

A pesquisa revela que a união em torno das exibições tem um forte poder de mudança. "Unir pessoas de forma coletiva para assistir obras audiovisuais, ou se expressar por meio delas, é uma ferramenta de transformação social, essa possibilidade de mudar o mundo mesmo", completa Gizely. Durante a escrita de sua tese, a autora aplicou conceitos da geografia cultural, da geografia crítica e da geografia das emoções para decifrar a influência do espaço institucional nas ações dos alunos.

O estudo mostrou que, apesar de estar inserido em uma instituição vista muitas vezes como "padronizada" ou "rígida" devido às áreas técnicas, o cineclube rompia essas fronteiras. Por meio das 21 entrevistas realizadas com participantes, a pesquisa identificou que o projeto se configurou como um espaço de democratização cultural, engajamento político e, fundamentalmente, uma área de acolhimento emocional.

A potência da Extensão na Pesquisa

O lançamento do livro também destaca a importância de registrar as atividades práticas e comunitárias do Instituto. Para a autora, a obra é uma prova de que a extensão vai muito além dos relatos de experiência. "A gente perceber que é possível a extensão gerar pesquisa, porque quando a gente fala do tripé indissociável entre ensino, pesquisa e extensão, normalmente a extensão é o pé frágil. Esse livro vem demonstrar que não; a extensão pode ser um eixo fundamental", afirma a docente.

Durante o evento, a professora agradeceu publicamente aos inúmeros estudantes, colegas de trabalho e membros antigos e atuais que fizeram parte do Cineclube e ajudaram a tecer o que ela chamou de uma "trama" de afetos. O livro já está disponível para o público interessado em mergulhar nas memórias do projeto e pode ser adquirido diretamente com a professora Gizely no e-mail gizely@ifsc.edu.br.

 

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