Força-tarefa com participação do IFSC conquista prêmio nacional por teste rápido de Covid-19 para o SUS

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 02 jul 2026 14:53 Data de Atualização: 02 jul 2026 14:57

Uma inovação que nasceu no auge da pandemia de Covid-19, fruto da união de diferentes instituições de pesquisa catarinenses, foi reconhecida nacionalmente. O projeto de um teste rápido de diagnóstico molecular para detecção da doença conquistou o segundo lugar na categoria "Mais Ciência para o SUS" da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (ExpoEpi), em abril. A premiação ocorreu na área de "Preparação, vigilância e resposta às emergências em saúde pública".

A tecnologia foi desenvolvida em 2021 por uma força-tarefa que reuniu especialistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC) e do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). O trabalho também rendeu uma publicação na revista internacional Memórias do Instituto Oswaldo Cruz.

O grande diferencial do teste premiado, voltado especialmente para áreas com menos recursos (modelo point-of-care), é a simplicidade e a rapidez. Ele combina uma extração de RNA feita em papel, alojada dentro de um dispositivo plástico impresso em 3D, com uma leitura colorimétrica que fornece o resultado em 45 minutos. É aí que entra a participação fundamental do Câmpus Florianópolis do IFSC.

A engenharia a serviço da saúde

O desenvolvimento físico do dispositivo (o "cassete" onde ocorre a extração do RNA) foi liderado pelo professor Leandro de Medeiros Sebastião, do IFSC. Engenheiro eletricista com mestrado em mecatrônica, ele utilizou sua expertise no Laboratório de Drones para tirar a ideia do papel. "A dificuldade que eles tinham era em modelar 3D um dispositivo que fosse fácil de operar, barato e replicável em impressão 3D convencional. Foi um trabalho bem bacana, onde eles foram trazendo os requisitos da parte biológica e eu fui montando e desenhando a peça", relembra o professor.

A interação com os pesquisadores André Pitaluga (Fiocruz) e Luísa Rona (UFSC), coordenadores do projeto, foi constante. "A gente ia otimizando o desenho cada vez que utilizavam no laboratório. Eu via como era a experiência do usuário, a gente mudava um encaixe, imprimia novas versões e eles validavam", explica Leandro.

Patente livre e novos horizontes

A eficiência do dispositivo resultou no registro de uma patente junto à Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO). No entanto, o objetivo dos pesquisadores nunca foi o lucro comercial, mas sim garantir que a tecnologia chegasse a quem mais precisa. "Fizemos o registro com o propósito de evitar que outra pessoa o fizesse e pudesse eventualmente fechar o acesso a essa tecnologia. A nossa ideia é que tenha aplicação pública, que fique disponível para qualquer pessoa que queira replicar", ressalta o professor do IFSC, avaliando que esse caráter social pode ter sido decisivo para a conquista do prêmio na ExpoEpi.

A premiação celebra um esforço que segue gerando frutos. Segundo Leandro, o dispositivo continua sendo usado pela equipe de pesquisadores para a extração de material genético de outras doenças, indo além da Covid-19. "A gente não parou não. O projeto segue e de vez em quando já pensamos em algumas melhorias, numa versão 2.0. Eventualmente teremos novas invenções no futuro", celebra.
 

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