Professora do Câmpus Florianópolis apresenta tese de doutorado sobre o Cineclube Ó lhó lhó, em Portugal

VIDA DE SERVIDOR Data de Publicação: 28 nov 2025 10:08 Data de Atualização: 28 nov 2025 10:17

A professora Gizely Cesconetto de Campos, do  Câmpus Florianópolis do IFSC, apresentou sua tese de doutorado na Universidade do Minho, Portugal, que tem como foco o Cineclube Ó lhó lhó, projeto que coordena no IFSC. Intitulada "A construção do lugar e o Cineclube Ó lhó lhó: práticas de cuidado, pertencimento e formação crítica em Florianópolis, Brasil", a pesquisa analisa o cineclube como um espaço de comunidade, cultura e resistência, enfatizando sua relação afetiva com o campus e a comunidade local.

Segundo Gizely, “o cineclube produz um ambiente onde estudantes e comunidade podem sentir o IFSC de outra maneira, menos institucional, mais humana. Isso impacta diretamente o modo como o câmpus é percebido, criando brechas para políticas de cuidado”. Ela destaca ainda que “o cineclube cria um ambiente acolhedor, marcado por cuidado, por escuta, por encontro e horizontalidade na sua constituição. Isso fortalece os laços comunitários entre estudantes, servidores e público externo”.

A tese aprofunda a ideia de que o Cineclube Ó lhó lhó não é apenas um local de exibição de filmes, mas uma “ponte entre o IFSC e o Maciço do Morro da Cruz”, região marcada por exclusão histórica. “O cineclube já atua como uma ponte entre o IFSC e o Maciço, mas numa escala pequena, marcada por esforços pontuais e não sistemáticos”, explica. Este diagnóstico abre caminho para “ações mais de mais escuta, mais presença do território, mais práticas co-criadas”, em que as atividades partem das necessidades concretas da comunidade.

Gizely ainda aponta que “a prática do cineclube ressignifica o IFSC”, pois ele possibilita “novas apropriações do espaço institucional”, transformando um ambiente rígido em um território afetivo. A pesquisa também evidencia os desafios institucionais do câmpus que limitam o acesso e a permanência do público externo, o que reforça “argumentos para reivindicar mudanças espaciais e de acesso, uma leitura mais ampla da cultura institucional e suas barreiras”, completa.

O marco dos 10 anos do cineclube, celebrado recentemente, permeia toda a tese. “Os 10 anos aparecem como uma memória nas narrativas autobiográficas, como afeto na relação com estudantes e egressos, revelados na luta contra estruturas institucionais rígidas e com esperança na possibilidade de ampliar essa ponte com as comunidades”, relata. Ela define o cineclube como “um coletivo e uma referência nacional”, com uma trajetória de luta, acolhimento, reconquista e renovação contínua, sobretudo diante dos desafios da pandemia e das crises institucionais.

Outro ponto alto da pesquisa é a comprovação do cineclube como agente cultural comunitário reconhecido pelo Ministério da Cultura como ponto de cultura, o que reforça seu impacto local e sua inserção em redes nacionais e internacionais do cineclubismo. “O Ó lhó lhó amplia a paisagem cultural local por meio de práticas extensionistas, debates cineclubistas e seminários latino-americanos com participantes de mais de 13 países”, complementa.

Para Gizely Cesconetto, a tese fundamenta e legitima o trabalho do cineclube no IFSC: “O estudo fornece argumentos sólidos para defender o cineclube como prática cultural essencial, com impacto comprovado na formação humana e no tecido social local”. A apresentação internacional da tese traz visibilidade para o IFSC, consolidando o papel da instituição como fomentadora de cultura crítica e inclusiva.
 

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