INSTITUCIONAL Data de Publicação: 15 abr 2026 14:41 Data de Atualização: 20 abr 2026 11:47
A busca por uma educação conectada globalmente pautou as atividades do Câmpus Florianópolis neste início de semana. Entre segunda (13) e terça-feira (14), o IFSC recebeu visitas de quatro instituições estrangeiras: a Universidade de Quebéc (Canadá) e os Institutos Politécnicos de Coimbra, Leiria e Viana do Castelo (Portugal). O encontro foi motivado pela realização do Faubai Conference, evento anual da Associação Brasileira de Educação Internacional (Faubai) em Florianópolis, e serviu para estreitar laços com parceiros de longa data e estabelecer novos contatos.
Ouça esta matéria no Podcast IFSC em Pauta:
O assessor de Relações Externas do câmpus, professor Rubipiara Cavalcante Fernandes, ressalta que a instituição já possui quatro acordos de dupla titulação com institutos portugueses e que as visitas presenciais são fundamentais para ampliar esse leque. "A internacionalização hoje é um ponto focal, por exemplo, na avaliação dos mestrados. É muito importante a gente receber essas escolas internacionais, justamente para dar continuidade às parcerias existentes e estabelecer novas relações. Isso motiva, incentiva a internacionalização e a possibilidade de participar de chamadas europeias para desenvolvimento de projetos", disse.
Segundo o professor, o contato "olho no olho" traz resultados concretos. Após as reuniões desta semana, já foram identificadas possibilidades reais de expansão. "Nós conseguimos identificar já oportunidades de novos acordos de dupla diplomação na área do Design, na área de Engenharia Civil e na área de Engenharia Mecânica, bem como Radiologia e Engenharia Eletrônica. A importância de trazer, de receber esses presidentes, vice-presidentes dessas instituições, é justamente para eles disponibilizarem o leque de oportunidades que nós temos de fazer parceria em diferentes cursos", complementa.
Outro ponto destacado pelo assessor é a inovação no perfil do intercâmbio, que não se restringe mais apenas aos estudantes do Programa de Cooperação Internacional para estudantes do IFSC (Propicie). "São oportunidades de viabilizar intercâmbio, tanto para alunos, bem como para os servidores da instituição, que podem aprender coisas novas nas instituições estrangeiras.", conclui.
Potencial catarinense em destaque
Para os visitantes estrangeiros, o diferencial do IFSC reside na sua capacidade de aliar teoria e prática, conectando-se diretamente ao mercado. A vice-presidente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Ana Paula Moreira Rodrigues do Vale, que já conhecia a instituição de visitas anteriores, reforçou a sua admiração pelo modelo adotado em Santa Catarina. "A vossa organização a nível de pesquisa e a ligação às empresas é fantástica. Eu fiquei fascinada há dois anos quando aqui vim, com a ligação que vocês têm com projetos, com as empresas, com o envolvimento, com uma dimensão que nós não temos. Esta componente de pesquisa e ligação ao tecido empresarial me impressionou aqui no Instituto Federal", comenta.
Para Carlos Rabadão, presidente do Instituto Politécnico de Leiria — instituição que representa uma novidade como parceira do IFSC —, a afinidade entre as instituições ficou evidente, especialmente no campo da tecnologia. "No geral, o Brasil tem investigação (pesquisa) de referência em todas as áreas. Relativamente ao que nos está a chamar mais a atenção e poderá ser um ponto de partida, é muito a área da Engenharia Elétrica, da mobilidade elétrica, da questão da sustentabilidade ambiental, da Engenharia Mecânica, que eu percebi que este instituto é muito forte". Ele também ressaltou o papel social e transformador dessas parcerias, que vão além das questões puramente acadêmicas, avançando para um crescimento institucional que transcende a educação, seja profissional ou regular. "A mobilidade leva-nos a conhecer melhor os outros e de alguma forma a criar amizades, relações e até mais tolerância, contribuindo para um ambiente mais pacífico de forma global. Enquanto não nos conhecermos melhor, andamos a fazer um bocadinho o mesmo, cada um no seu canto, quando podemos criar sinergias", completa.
O papel dos 'Embaixadores' na capilarização
A internacionalização não é um assunto novo para o Câmpus Florianópolis, que mantém ações na área desde 2004. No entanto, a vinda de dirigentes internacionais consolida o esforço recente da gestão em institucionalizar e dar escala a essas oportunidades por meio de um novo modelo de trabalho. Um dos grandes diferenciais do câmpus, por ser o maior da rede federal brasileira, foi a criação do grupo de 'Embaixadores'. Formado atualmente por 17 servidores docentes, o grupo tem a missão de descentralizar a busca por parcerias, tirando o peso exclusivo da Assessoria de Relações Externas e aproveitando o conhecimento específico de cada área.
O vice-diretor do câmpus, professor Golberi de Salvador Ferreira, explica a mecânica do novo modelo e como ele agiliza a formalização dos convênios. "Nós tomamos uma decisão aqui no câmpus, que é convidar representantes de cada departamento por área de interesse. Essas pessoas passaram a ser os nossos investigadores para verificar que tipo de parcerias podemos ter. Agilidade também faz parte da consecução de uma parceria, porque as instituições internacionais têm um timing completamente diferente. Tem instituições que não têm tolerância de esperar dois, cinco meses para uma assinatura", explica.
O professor Golberi diz que essa parceria entre o embaixador e o assessor complementa as ações um do outro. Ele conta que havia uma demanda grande de especialistas com contato em instituições estrangeiras, mas faltava o caminho burocrático para se avançar num acordo. Por outro lado, a assessoria ficava sem capilaridade para captar parceiros, mesmo tendo os instrumentos necessários para formalizar as tratativas. “Quem está nos congressos, nas pesquisas e nas publicações é o especialista da área. Ele que tem o contato e sabe quais são interessantes para nós", complementa.
A estratégia mostrou sua eficiência durante as visitas desta semana. Antes de receberem os convidados, os embaixadores fizeram um "dever de casa". "Nós já sabíamos que íamos ter a visita desses quatro parceiros e demos uma tarefa: entrem no site deles, vejam que tipo de cursos eles têm, que projetos eles têm. Se tiver qualquer aderência, venham conversar. Então a gente já foi previamente conhecendo o parceiro, mesmo que já existisse algum convênio pré-existente", finaliza.
Durante esta semana, também está ocorrendo uma reunião do Fórum dos Assessores de Relações Internacionais (Forinter) na reitoria do IFSC. Nesta quinta, os assessores visitam o Câmpus Florianópolis como parte das atividades do encontro.