Estudos do IFSC contribuem para preservação de edificação histórica em São Carlos 

PESQUISA Data de Publicação: 14 out 2026 14:40 Data de Atualização: 14 out 2026 15:03

Uma proposta de uso que concilia as necessidades atuais com a preservação do acervo existente e um laudo técnico que ajuda a definir prioridades para a recuperação de uma edificação histórica. Esses são alguns dos resultados de uma parceria entre o Câmpus São Carlos do IFSC e a Fundação Cultural do município, que utiliza demandas da comunidade como objeto de estudo e aproxima a formação acadêmica dos desafios da preservação do patrimônio histórico e cultural. 

A iniciativa tem como objeto de estudo a edificação Irene Ohland, adquirida pelo município e que está em processo de salvaguarda a pedido do Ministério Público. Na atual etapa da cooperação técnica, quatro estudantes do curso médio técnico em Edificações – Karolin Althaus, Kaua Rodrigues da Silva, Guilherme Augusto Heinen e Rafaela Endres – apresentaram uma proposta de adequação arquitetônica do imóvel. Já Jaqueline Pedroso, estudante da graduação em Engenharia Civil, entregou um laudo de inspeção predial desenvolvido como parte de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Na semana passada, os documentos técnicos foram apresentados ao prefeito de São Carlos, Carlos Balbinot, em encontro que também contou com a participação da professora Etianne Alves e de bolsistas de extensão. 

De acordo com a professora, a proposta elaborada pelos estudantes do curso técnico buscou conciliar um uso contemporâneo para a edificação com a manutenção do acervo que já existe no local. O trabalho contou com a orientação de profissionais da Fundação Cultural, que avaliaram a viabilidade técnica da solução apresentada. 

Já o laudo de inspeção predial elaborado por Jaqueline trouxe informações que podem influenciar diretamente as decisões sobre as intervenções necessárias no imóvel. O levantamento identificou que cerca de 10% da cobertura está comprometida, indicando que a limpeza e o retelhamento podem ser suficientes, em vez da substituição integral do telhado – opção considerada preliminarmente pela equipe responsável pelos estudos. Em contrapartida, o estudo apontou que o assoalho e o forro de madeira apresentam comprometimento de aproximadamente 87%. Com essas informações, torna-se possível direcionar os recursos para os elementos construtivos que necessitam de maior atenção.  

Parceria aproxima formação e demandas da comunidade 

A cooperação técnica entre o IFSC e a Fundação Cultural de São Carlos teve início em 2015, a partir de uma solicitação de apoio técnico relacionada a uma demanda de uma comunidade rural. Desde então, a parceria vem possibilitando o desenvolvimento de atividades acadêmicas vinculadas a questões de interesse público. 

No caso da edificação Irene Ohland, o trabalho foi incorporado à unidade curricular Projeto Arquitetônico, da turma do segundo ano do curso de Edificações. Antes de elaborar a proposta, os estudantes estudaram os conteúdos teóricos e aplicaram os conhecimentos ao desafio de pensar a reabilitação do imóvel. O processo também envolveu conversas com profissionais de Arquivologia, Engenharia e servidores da prefeitura, com o objetivo de construir uma alternativa compatível com as demandas locais e as exigências legais atuais. 

A aproximação entre o IFSC e a Fundação Cultural foi reforçada em março, quando representantes da instituição municipal participaram de uma aula da turma. Na ocasião, a diretora da Fundação Cultural, Marlene Spiess Franz, e o historiador Jefferson Ribas apresentaram aos estudantes a demanda relacionada à restauração e à adaptação da edificação, além de comentarem experiências anteriores de parceria. 

Para Etianne, a experiência mostra como a extensão pode partir de problemas reais apresentados pela sociedade e transformá-los em oportunidades de aprendizagem. "Havendo alinhamento, as demandas são usadas como problemas acadêmicos, com o método de aprendizagem baseado em problemas. As atividades são documentadas em projetos e parcerias como essa. Isso permite a revisão dos pares; as contribuições são incorporadas e os processos são melhorados/atualizados”, afirma. 

Os materiais desenvolvidos no projeto contam com licença de direitos autorais Creative Commons, que permite seu compartilhamento conforme as condições preestabelecidas. Os estudos oferecem informações e alternativas técnicas que podem apoiar futuras intervenções, desde que avaliadas e validadas pelos profissionais responsáveis. 

A próxima etapa da cooperação técnica já está em desenvolvimento e envolve um estudante de Engenharia Civil na unidade curricular Projeto Integrador 2. O trabalho prevê a elaboração de um estudo preliminar das instalações hidráulicas da edificação. 

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